Como tem sido o seu percurso enquanto mulher líder e que desafios sentiu ao assumir funções de liderança?
O meu percurso enquanto líder tem sido simultaneamente desafiante e enriquecedor. Assumir responsabilidades numa empresa com história, fundada pelo meu avô e hoje liderada pelo meu pai, trouxe-me um forte sentido de responsabilidade, mas também a necessidade de construir a minha própria identidade.
Num setor tradicional como o da indústria de cereais, onde muitos empresários têm idade para serem meus pais, senti que precisava de provar mais, não apenas pela idade, mas também por ser mulher. Com o tempo, percebi que a melhor forma de afirmar a minha visão não era pela imposição, mas pela competência e pelo conhecimento profundo do negócio.
Ser mulher influenciou o seu percurso enquanto empresária?
Obrigou-me a desenvolver maior resiliência, inteligência emocional e capacidade de adaptação. Existem ainda preconceitos, sobretudo sendo uma mulher jovem, mas transformei essa pressão em motivação. Os desafios só se tornam obstáculos quando definem os nossos limites. A estratégia foi assumir uma postura afirmativa, preparar-me, conhecer profundamente o negócio e agir com confiança, dando todos os dias o meu melhor para terminar com o sentimento de dever cumprido.
Que valores orientam a sua liderança e a cultura da Irmãos Sousa?
A empresa assenta em compromisso, qualidade e respeito, valores que atravessam gerações. Procuro honrar esse legado, acrescentando inovação, sustentabilidade e responsabilidade social. Num setor ligado à cadeia alimentar, temos responsabilidade acrescida na promoção de práticas sustentáveis, na eficiência de recursos e na garantia de qualidade e segurança. Internamente, privilegio a proximidade com os colaboradores, para que se sintam valorizados e envolvidos no crescimento da empresa.
“Existem ainda preconceitos, sobretudo sendo uma mulher jovem, mas transformei essa pressão em motivação. Os desafios só se tornam obstáculos quando definem os nossos limites”.
Como tem lidado com períodos de incerteza e crise?
Liderar é, inevitavelmente, lidar com incerteza. O nosso setor foi impactado pelas flutuações dos preços das matérias-primas, sobretudo durante a pandemia de Covid-19 e no início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, grandes potências no mercado de cereais. A instabilidade e o aumento abrupto dos preços exigiram decisões rápidas, com informação em constante mudança, obrigou-nos a arriscar com prudência e visão de futuro. Foram períodos de enorme pressão, sem precedentes na minha experiência, mas determinantes para o meu crescimento pessoal e profissional.
Que mensagem deixa às jovens mulheres que ambicionam liderar?
Não esperem sentir-se totalmente prontas, a liderança constrói-se no caminho. Invistam em formação, conheçam bem o setor e, acima de tudo, acreditem em vocês. Tenham ambições claras, responsabilidade e compromisso diário. Ser jovem e mulher exige respeito mútuo e coerência pelo exemplo. Nunca permitam que o sucesso ultrapasse as vossas raízes. Há uma frase que me acompanha: “Empresária por escolha, líder por essência”. Isto mostra que a liderança se aprende e faz evoluir, mas também nasce connosco.









