“Fazer o que se gosta é o trampolim para o sucesso”

Rafaela da Nova sabia, desde sempre, que a sua carreira estaria ligada à área da Saúde. A Medicina Dentária é uma área que a deixa muito feliz e realizada enquanto profissional. Há quase cinco anos abriu o seu próprio espaço clínico – a Clivieira – e deixa agora alguns conselhos para quem está a começar a carreira e se confronta com desafios diários.

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Como definiria o seu percurso profissional? Ser médica dentista foi sempre algo que ambicionou alcançar?

Sempre quis algo ligado à área da Saúde. A vertente de Medicina Dentária surgiu quando comecei a acompanhar o meu irmão nos seus tratamentos. Quando comecei a parte prática, apesar de todos os medos, senti que estava no
caminho certo. Em S.Paulo, Santiago de Compostela e Porto fiz vários cursos para poder aprimorar os meus tratamentos e trazer mais valências às clínicas onde eu trabalhava. Em 2020 surgiu a oportunidade de ter o meu próprio espaço e foi realmente um “boost” na minha vida em todos os sentidos. Acresceu a responsabilidade, mas o rescaldo é positivo. Faço prestação de serviços noutro local, mas o “coração” da minha vida profissional é na Clivieira.

Quais as suas áreas de especialidade?

Cirurgia e Implantologia Oral. No último ano decidi abrir as portas à Ortodontia, particularmente aos alinhadores invisíveis, dada a extensa procura no meu consultório.

Enquanto profissional, sente-se realizada no seu percurso? O que mais a entusiasma nesta profissão?

Sim. Fazer o que gostamos, seja em que área for, é o trampolim para o sucesso. Lidar com pessoas, conhecer as suas fragilidades, expectativas e poder ajudar a transformar as suas vidas é extraordinário! O poder de um sorriso
é surreal e transformador. Mais importante que um sorriso bonito é um sorriso saudável e isso está sempre na primeira linha de qualquer plano de tratamento.

Apesar de as mulheres serem a maioria da população universitária formada, não é a elas que cabe a maioria dos cargos de chefia ou coordenação dos espaços de saúde. Porque é que isso acontece, a seu ver?

Lamentavelmente ainda existe este panorama. Talvez porque a mulher ainda é considerada o sexo frágil, está conotada a uma maior vulnerabilidade, encargos domésticos acrescidos, responsabilidade maior na questão da maternidade, educação dos filhos e toda a pressão social vinda de fatores culturais remotos. Esta subordinação
da mulher perpetuou a ideia de que a mulher tem menos disponibilidade de horários/entrega a uma empresa e consequentemente menos produtividade.

Que vantagens traz a mulher, enquanto profissional, ao mercado de trabalho? Que características aporta que representam mais-valias para o espaço onde trabalha?

Esta luta pela igualdade não é uma questão de superioridade, mas sim de justiça e equidade. Sinto que se está a normalizar a presença feminina em direções clínicas, bem como lugares de destaque em congressos e formações
e isso já nem deve ser alvo de surpresa ou estranhez dos demais. Estas limitações estão a ser cada vez menores e eu fico muito satisfeita com isso, apesar de haver ainda um longo caminho a percorrer.

Que conselhos deixa a quem está agora a iniciar o seu percurso profissional e ambiciona construir a sua carreira, evoluindo na mesma?

Suportar o processo…e ele geralmente acarreta dúvidas, desânimos e ansiedades. É aqui que devemos gerir as nossas emoções e entender que estes degraus são cruciais em qualquer evolução. Querer ser melhor que ontem e não melhor que ninguém. Evitar comparações e respeitar o nosso ritmo. Investir muito em formação e ter a consciência que em momento algum vamos saber tudo. Usar materiais de qualidade e acompanhar as novidades
tecnológicas e científicas. Ter um bom suporte familiar. E por fim, mas não menos importante, ser um bom ser humano.