Considerando a particularidade do mercado imobiliário de Aljezur, quais são os desafios e oportunidades que se perspetivam para o setor na região, tendo em conta a crescente diversidade da proveniência dos compradores?
O mercado imobiliário em Aljezur tem-se mantido, ao longo dos últimos anos, fiel à génese do local, ou seja, sempre foi uma zona mais procurada pela linha alternativa da sociedade europeia, nomeadamente os alemães, suíços e neerlandeses. A oferta do mercado imobiliário está dispersa pelo território, promovendo a individualidade na escolha, o que sempre foi apetecível a este grupo da sociedade, que há uns 30 ou 40 anos atrás era um pequeno grupo representado, na sua maioria, por cidadão vindos do norte da Europa, mas hoje representam uma dimensão considerável da sociedade, e provêm dos “quatro cantos do mundo”.
Como descreveria a particularidade dos preços praticados na região, tendo em conta as suas características únicas, que atraem quem procura Natureza e tranquilidade?
O Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina tem um potencial de fauna, flora e paisagístico muito particular, mas são as autoridades administrativas que impedem o aproveitamento desse potencial.
Compreendo que regras são essenciais para o desenvolvimento em sociedade, mas as regras não deverão assentar somente na “proibição de”, mas sim na educação e contribuição para a sociedade, “podes fazer, mas deverás fazer isto”. Nos PDMs já se veem essa forma de autorização, mas o mesmo não podemos afirmar sobre os regulamentos regionais.
Os preços na zona têm sido fiéis à lei da “oferta e da procura”, e como a procura disparou nos últimos anos, os preços acompanharam. Portugal está a passar uma fase de grande procura por parte cidadãos das mais variadas nacionalidades, muitos somente devido à nossa localização geográfica e clima, outros por razões de segurança e outros ainda por sermos parte integrante da Comunidade Europeia e termos o Euro como moeda oficial.

A recente legislação que facilita a reclassificação de terrenos rústicos para urbanos tem sido, na prática, uma solução eficaz para mitigar a escassez de habitação a preços acessíveis para a classe média e os jovens em Portugal?
A lei a que se refere entrou há muito pouco tempo em vigor para já ser possível vermos resultados práticos, mas se quer a minha opinião, eu acho que não vai resultar, e porquê? Aquilo que deveria ser o Estado a fazer, este passa a tarefa para o privado, e este não vai construir, para vender 70% do empreendimento com o preço antecipadamente estabelecido e só 30% do edificado é que poderá ser vendido a preço de mercado.
Uma solução, à semelhança de outras regiões europeias, seria promover urbanizações para tiny-houses, em que os preços – aí sim – são mais acessíveis aos jovens.
Que impacto se prevê que esta nova medida governativa terá em Aljezur, uma região conhecida pela sua natureza preservada e ainda não sujeita a urbanização massificada?
Esta lei não foi feita para pequenas vilas como Aljezur, mas sim para zonas de pressão urbana como Oeiras, Braga, onde existe muita gente e existe a expectativa de que se houvessem mais habitações estas não ficariam vazias.
A nova garantia bancária assegura, de verdade, aos jovens, uma maior facilidade na aquisição de habitação própria? Que considerações tece a esta medida, face aos desafios reais do mercado imobiliário e à capacidade financeira da geração mais jovem?
A experiência prática diz-me que nos últimos quatro meses a procura por apartamentos na cidade por casais entre os 20 e 30 anos tem aumentado, devido às novas condições de acesso ao crédito. Quando as regras do jogo se traduzem pela positiva nas vidas das pessoas, eu acho que estamos no caminho certo.
A SW-Places, enquanto player do mercado imobiliário, que análise projeta para o futuro do setor? Antecipa-se uma evolução em continuidade ou perspetivam-se mudanças significativas?
Ao nível global o mercado imobiliário é, atrás do petróleo, o mercado com o maior movimento de capital, e acho que essa posição se manterá nos próximos tempos, mas quem sabe, com os veículos elétricos já aí e o Hidrogénio ao virar da esquina, por quanto tempo o petróleo conseguirá manter a posição no ranking mundial, enquanto com o mercado imobiliário não se veem concorrentes.
A evolução no mercado imobiliário passará pela implementação de regras claras, que confiram às mediadoras maior responsabilidade e acesso a documentos do imóvel, nomeadamente os relacionados com o contrato de mediação imobiliária celebrado com o cliente vendedor. A inteligência artificial poderá ser uma ferramenta que promove evolução dos players no mercado, mas ainda está muito pouco desenvolvida.










