Intermediação de crédito: Uma área cada vez mais reconhecida e valorizada

A intermediação de crédito é essencial para que as famílias possam contar com um especialista financeiro na resolução das suas dificuldades com créditos. Nuno Rocha, intermediário de crédito registado no Banco de Portugal, é o responsável pela Zen & Irreverente, uma empresa franchisada da Maxfinance que presta consultoria a vários clientes com problemas financeiros, que procuram ajuda para reorganziar a sua vida financeira e renegociar ou transferir o seu crédito habitação, normalmente associado à maior prestação mensal do agregado familiar e também aquela que mais tem aumentado nos últimos meses. Entre os problemas que destaca está a falta de literacia financeira, mas também recorda a ajuda que os Bancos estão disponíveis para prestar aos seus clientes e a forma legal como os próprios a podem solicitar.

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Quão importante é a vossa profissão neste momento, em que a conjuntura económica obriga a calcular muito bem o próximo investimento?

A profissão de intermediário de crédito ganhou uma importância acrescida no atual contexto económico. Seja para tentar reduzir os custos com o crédito habitação, seja para procurar a melhor solução de crédito para outras necessidades ou projetos, poder contar com a ajuda de um especialista na área é uma grande mais-valia. Somos profissionais credenciados, com formação específica na área de crédito e registados no Banco de Portugal e
trabalhamos com um vasto leque de instituições bancárias e financeiras. O nosso know-how na área e a nossa capacidade negocial permitem-nos encontrar a solução mais adequada para cada necessidade de crédito e prestar o melhor aconselhamento aos clientes na gestão dos seus créditos.

Que opinião tem sobre a literacia financeira da população nacional? É possível à maioria das pessoas saber o que está a contratar sem o auxílio de um profissional da intermediação de crédito?

A minha perceção é que existe uma percentagem crescente da população que já possui alguma literacia financeira e consegue analisar soluções de crédito sem o auxílio de um intermediário de crédito, mas há ainda uma percentagem muito significativa de pessoas que contrata créditos sem perceber totalmente as condições, ou que tem dificuldade em comparar diferentes soluções de crédito. Isto leva a que, por exemplo, no crédito habitação, os clientes olhem somente para o valor da prestação mensal e não prestem a devida atenção a outros
custos, como os seguros e outros produtos associados.

Considerando a renegociação de créditos e as soluções recentes apresentadas pelo Governo, parece-lhe que as pessoas com contrato de crédito habitação têm boas possibilidades de conseguirem poupar dinheiro e reduzir o seu encargo mensal?

Creio que as pessoas têm, de facto, melhores soluções agora para poderem reduzir o seu encargo mensal. Podem, por exemplo, consolidar o crédito habitação com outros créditos (como sejam o crédito automóvel e o
crédito pessoal) e baixar consideravelmente os seus encargos mensais. É certo que vão pagar menos no imediato, mas podem vir a pagar mais no total, devido ao alargamento do prazo do empréstimo. No entanto, com uma boa gestão da poupança mensal podem, eventualmente, ir fazendo amortizações e até conseguir pagar
esse crédito mais rápido. A fixação temporária da prestação mensal é outra medida que pode ajudar a equilibrar as despesas no curto prazo, mas requer uma análise cuidada para evitar dificuldades maiores no futuro.

Quando se fala em renegociar o crédito habitação, em particular, que impacto pode ter no orçamento familiar? Pode ser significativo?

Sim, pode ter um impacto significativo no orçamento familiar. A renegociação do crédito à habitação pode passar por baixar o spread (sobretudo nalguns contratos antigos com spreads elevados), estender o prazo do contrato,
alterar de taxa de juro variável para taxa fixa, renegociar os produtos associados ao crédito à habitação (como sejam, os seguros ou cartões de crédito), consolidar o crédito à habitação com outros créditos. São tudo soluções que permitem baixar as despesas mensais. O nosso trabalho, como intermediários de crédito, é identificar quais
são viáveis e ajudar o cliente a escolher a melhor opção para si.

“Considero essencial
[…]
a existência de
uma associação
profissional que
promova a valorização
da atividade”.

Muitas famílias têm também a sua vida organizada com base no crédito. Quando as taxas de juro sobem e o dinheiro fica mais caro, como é possível organizar a vida financeira?

Uma possibilidade é a de juntar todos esses créditos e fazer um crédito consolidado, o que permite baixar consideravelmente a responsabilidade mensal e ficar com uma única prestação. Não só reduz a despesa, como torna mais fácil a gestão das responsabilidades financeiras.

Como avalia a evolução que a profissão de intermediário de crédito teve, socialmente? O que considera que falta fazer para obterem, enquanto profissionais, um maior reconhecimento do vosso trabalho?

Avalio positivamente. A profissão de intermediário de crédito surgiu para ajudar as pessoas a encontrarem a solução de crédito mais adequada para si e, por vezes, ao conseguir negociar a melhor oferta, este profissional proporciona um ganho adicional para o cliente. Isso é, cada vez mais, reconhecido por quem recorre à nossa
ajuda. Considero essencial para um reconhecimento mais generalizado desta profissão a existência de uma associação profissional que promova a valorização da atividade (um exemplo flagrante é o de, no caso de uma escritura de compra de imóvel com intervenção de intermediário de crédito e de agência imobiliária, ser mencionado na escritura o número da licença AMI da imobiliária, mas não o número de registo do intermediário de crédito no Banco de Portugal). Também poderia ser importante a criação de um código de ética deontológica para a profissão, pois sendo uma atividade regulada há pouco anos, existem ainda algumas más práticas por parte dos intervenientes.

Enquanto profissional da área financeira, como considera que se pode criar uma sociedade mais robusta e protegida desta incerteza das flutuações dos juros?

Um fator importante é o aumento da literacia financeira, permitindo às pessoas ter uma noção mais completa das condições dos créditos que contratam e de como os montantes das suas responsabilidades financeiras podem variar ao longo do tempo. No que respeita especificamente ao crédito habitação, os portugueses, ao contrário
da maioria dos europeus, não são adeptos de contratarem crédito habitação com taxa fixa, embora hoje já analisem melhor essa possibilidade. Os Bancos têm várias ofertas nesse sentido, que vão desde a taxa fixa a dois anos até 20 ou 30 anos, ou por toda a vigência do contrato.

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