Liderar com rigor e sensibilidade no mercado imobiliário

Ana Marquito, General Manager da Iberia Equities, combina a formação em Economia com uma carreira marcada por experiências em organizações exigentes como Mota-Engil e CUF. Na Iberia Equities, alia rigor germânico a sensibilidade portuguesa, promovendo uma liderança próxima, transparente orientada para resultados.

0
298

De que forma a sua formação em Economia na Nova SBE influenciou a sua visão estratégica e a forma como gere operações ao longo da carreira?
Uma boa escola abre portas, alarga horizontes e prepara-nos para compreender os desafios com método e clareza. Mas, para mim, foi sempre claro que esse seria apenas o início. O que realmente molda a forma como pensamos estratégia, operações e gestão é a experiência profissional: os contextos exigentes, as decisões difíceis, as equipas que lideramos e os projetos que nos obrigam a crescer. A Nova SBE deu-me ferramentas; foi a prática diária que lhes deu profundidade.

Que aprendizagens retirou das suas funções na Mota-Engil e na CUF, e como as aplica hoje no setor imobiliário?
Na Mota-Engil tive oportunidade de trabalhar em contextos internacionais, o que me permitiu compreender diferentes culturas empresariais, operar em ambientes complexos e desenvolver uma visão global. Mas foi na CUF onde mais cresci profissionalmente, atuando nas áreas financeira, controlo de gestão e gestão hospitalar. Esta diversidade consolidou competências estratégicas e operacionais, ensinando-me a tomar decisões informadas e a liderar equipas multidisciplinares com rigor e impacto, competências que aplico hoje no setor imobiliário.

Como descreve o seu estilo de gestão e de que forma ele contribui para manter a cultura de excelência e colaboração na Iberia Equities?
O meu estilo de gestão assenta em três pilares: proximidade, transparência e orientação para resultados. Acredito numa liderança que define objetivos claros, mas que cria espaço para que cada pessoa contribua com criatividade, autonomia e sentido de responsabilidade. Na Iberia Equities encontrei um estilo de liderança com o qual me identifico, tornando natural preservar a cultura de excelência.

Enquanto líder portuguesa numa estrutura fundada em Hamburgo, como consegue a Iberia Equities conciliar o rigor germânico com a agilidade e intuição típicas do mercado português?
A minha forma de trabalhar sempre teve uma base germânica: rigor, disciplina e planeamento estruturado, aliados a uma componente de sensibilidade na liderança e nos relacionamentos. Culturalmente, identifico-me também com agilidade, intuição e capacidade de improviso. Acredito que a forma como lideramos, nos relacionamos e construímos equipas é algo que se vai moldando ao longo da vida.

Com projetos em Portugal e Brasil, e uma estratégia que privilegia valor sustentável e visão de longo prazo, quais são os principais desafios e oportunidades que a Iberia Equities antevê nos próximos anos, e que papel pretende assumir nessa evolução?
Vivemos num mundo VUCA — marcado por volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade — e o setor imobiliário não é exceção. Os desafios incluem impostos elevados, incerteza fiscal e legal, burocracia e bancos pouco preparados para apoiar a promoção imobiliária. Estes fatores exigem planeamento rigoroso, capacidade de adaptação e visão de longo prazo. Mas há oportunidades: o mercado português permite desenvolver projetos sustentáveis, inovadores e de qualidade, que criam valor real para comunidades e investidores. O meu papel é assegurar crescimento disciplinado, com processos robustos e equipas motivadas, mantendo a excelência e o impacto positivo.