Liderar é dar o exemplo

Entre crises, mudanças e novas formas de liderar, Sandra Daza descobriu que a verdadeira liderança não se impõe: constrói-se com confiança, humanidade e a coragem de fazer sempre melhor.

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Desempenhou diversos cargos até assumir a direção executiva do Grupo Gesvalt. Houve algum momento, decisão ou até fracasso que tenha mudado a sua forma de encarar a liderança e que hoje considere essencial?
Claramente, sim, e não foi apenas um. O primeiro foi a crise financeira de 2008, que afetou profundamente o setor imobiliário. De um momento para o outro as nossas receitas foram fortemente afetadas, o mercado contraiu-se drasticamente e grandes clientes desapareceram. Testemunhar a coragem e a rapidez do nosso CEO na tomada de decisões naquele momento foi fundamental e constituiu uma grande aprendizagem sobre como assegurar a viabilidade financeira da empresa pensando sempre nas pessoas.

Qual foi a crença limitadora mais importante que teve de desconstruir sobre si própria para chegar até onde chegou?
Na minha geração, o estilo de liderança dominante era particularmente rígido e algo agressivo. A minha personalidade e a minha idade na altura fizeram com que me fosse especialmente difícil adaptar-me a esse estilo, que eu julgava ser o único.

A minha experiência profissional no estrangeiro, o contacto com outros modelos e o trabalho sob outros estilos de liderança permitiram-me ganhar confiança na minha visão e no meu estilo de liderança, que, naturalmente, foram evoluindo ao longo do tempo, à medida que passei a confiar mais em mim própria, na minha intuição e no meu conhecimento do negócio.

Num mundo empresarial cada vez mais orientado para os dados, a tecnologia e a inteligência artificial, que competências humanas considera insubstituíveis e quais gostaria que fossem mais valorizadas nas futuras gerações de líderes?
Penso que estamos perante uma era apaixonante, com a entrada da IA e da tecnologia em geral nas nossas vidas. No entanto, a dimensão humana, a ética e os valores são mais importantes do que nunca, e a sua aplicação é imprescindível.

Algumas das capacidades e qualidades que serão mais valorizadas incluem as competências interpessoais, a empatia, o pensamento crítico e a gestão humana de problemas complexos. Penso que a nossa capacidade de negociação e de compreensão das emoções favorecerá especialmente as mulheres líderes do futuro.

Quando olhar para o seu percurso daqui a 20 anos, como gostaria de ser recordada e porquê?
Gostaria de ser recordada como uma profissional que trabalhou arduamente, que se esforçou por fazer sempre as coisas bem e que, apesar de nem sempre o conseguir, nunca deixou de tentar.

Acredito firmemente no valor de procurar a excelência em tudo o que fazemos, e é essa a cultura que gostaria de deixar como legado na minha empresa, no meu setor e junto das pessoas que me são próximas.

Qual é o principal conselho que gostaria de deixar às próximas gerações de líderes?
É possível ser um grande líder quando se dá o exemplo.