“Liderar exige um equilíbrio emocional muito grande”

Diana Martins fundou a Vidagua em 2023, tornando realidade um sonho que a acompanhava. O esforço para conquistar o mercado tem-se revelado útil, mas esta empreendedora assume que na área do tratamento de água é necessário desenvolver grandemente a confiança do cliente, dado o passado deste setor.

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Sempre esteve no seu horizonte profissional a possibilidade de empreender? Por que razão escolheu esta área para o fazer?

Empreender sempre esteve no meu pensamento. Sempre quis ser independente e transformar este setor de atividade. A escolha pela área de tratamento de água e produtos para o lar veio da paixão que tenho pelo cuidado com o cliente. Além disso, essa é uma área com enorme potencial de crescimento e necessidade constante de inovação.

A VIDAGUA nasceu em outubro de 2023. Como foram os primeiros tempos após a criação da empresa? Como lidou com a exigência que a liderança implica?

Os primeiros tempos foram desafiadores. Era preciso estruturar a operação, conquistar os primeiros clientes, formar uma equipa de confiança e manter a motivação e o foco mesmo diante destas incertezas. A liderança exige um equilíbrio emocional muito grande, tomada de decisões rápidas e clareza de propósito. Lidar com tudo isso com uma limitação visual foi um desafio a mais – mas nunca uma barreira. Criei métodos próprios de organização, apoiei-me
na tecnologia e valorizei muito o trabalho em equipa. Aprendi que liderar não é saber tudo de todos os departamentos, mas saber ouvir, delegar e inspirar.

Quais foram as maiores dificuldades que encontrou no seu caminho? Ser mulher dificultou mais o processo, a seu ver?

Enfrentei várias dificuldades no caminho, desde as mais práticas, como acesso a recursos, burocracias, até os desafios emocionais, como o medo do fracasso e a pressão por resultados rápidos. Mas, sem dúvida, um dos
obstáculos mais persistentes foi o preconceito – tanto por ser uma pessoa com alterações na visão como por ser mulher. Infelizmente, ainda vivemos numa sociedade em que a liderança feminina, especialmente em áreas mais técnicas ou comerciais, é frequentemente questionada. Percebi que, muitas vezes, precisava provar a minha competência duas vezes: primeiro como mulher, depois como empresária com uma limitação visual.

Como é que o mercado recebeu este projeto?

O mercado recebeu a VIDAGUA com bastante curiosidade, mas também com alguma desconfiança – e isso era perfeitamente compreensível. Nesta área do tratamento de água, durante muito tempo, muitos consumidores
foram alvo de promessas exageradas, práticas comerciais pouco éticas e produtos de qualidade duvidosa, o que deixou uma imagem negativa. Por isso, antes mesmo de vender qualquer produto, o nosso foco foi credibilizar o mercado em que estamos inseridos.

Ao fim de dois anos de atividade, quais os pontos-chave que destaca como os mais importantes para conseguir continuar o seu percurso enquanto empresária?

Em primeiro lugar, a resiliência. Em segundo lugar, a ética no trabalho: desde o primeiro dia, tive como prioridade atuar com seriedade e transparência, tanto com os clientes como com os parceiros e funcionários. Outro ponto-chave foi o relacionamento com o cliente – na VIDAGUA, o foco nunca foi apenas vender, mas criar uma experiência, construir uma relação. E, claro, destaco a inovação e a vontade constante de melhorar. Por fim, conto com uma equipa incrível, que acredita na visão da empresa e caminha ao meu lado. Isso tem sido essencial. Não poderia
terminar esta entrevista sem agradecer de forma muito especial ao meu marido, Alberto Ferreira, que é muito mais do que o meu parceiro de vida – é o meu braço direito nesta caminhada.