Sempre ambicionou alcançar uma função de liderança no seu percurso profissional? Como se caracteriza enquanto líder?
Desde muito nova que me recordo de tomar a iniciativa e ter a capacidade de liderar as pessoas à minha volta, por isso acho que o percurso profissional também se tornou parte de um processo natural no seguimento dessas
situações. De entre as características com que me identifico, destaco a assertividade, capacidade analítica e pragmática das situações com as quais me deparo no dia a dia.
Na área das recursos humanos, a empatia e o humanismo são cruciais para a gestão das vidas profissionais dos clientes. Internamente, estas são também duas palavras que aplica à sua liderança? Que impacto têm junto da equipa?
As empresas têm que ser geridas num equilíbrio entre vários fatores, nomeadamente a sua sustentabilidade e as políticas de Recursos Humanos, que devem ser sempre humanas e empáticas. A Evolve é uma das empresas
pioneiras, a nível nacional, a aderir ao projeto “4 days week”, que internamente evoluiu para uma política de Work-life-Balance, onde na prática um trabalhador poderá usufruir de dois dias por mês, para se dedicar a projetos de cariz familiar e/ou de formação em desenvolvimento pessoal, de enriquecimento curricular ou cultural.
Que desafios vivenciou, ao longo da sua carreira, que destaque enquanto mais difíceis, mas que também mais a fizeram aprender e crescer enquanto profissional?
Um dos meus maiores desafios foi assumir um papel de liderança ainda muito jovem. Como uma jovem mulher empreendedora, num negócio de Recursos Humanos, historicamente associado a um outro tipo de gestão, foi necessário conquistar, dia após dia, a confiança de pessoas mais experientes, muitas vezes em contextos onde a autoridade é tradicionalmente associada à idade e ao género masculino.
“A capacidade não está ligada ao género e cada vez
mais as empresas precisam dos melhores recursos
em todas as suas posições”.
Acredita que as mulheres ainda são vistas de forma diferente no mercado laboral, quando analisamos posições hierárquicas superiores?
Eu acredito que ainda existe alguma descrença em relação às capacidades de gestão e liderança das mulheres como um todo, mas é algo que tem vindo a mudar. Se olharmos para o panorama nacional, existem cada vez mais mulheres em posições de liderança.
O que acredita que falta fazer para que mulheres e homens possam beneficiar de condições semelhantes de acesso a oportunidades de trabalho e de promoção profissional?
Acredito que é um processo evolutivo que já está a decorrer e certamente não será travado! A descrença e o ceticismo vencem-se com o trabalho e os resultados. A capacidade não está ligada ao género e cada vez mais as empresas precisam dos melhores recursos em todas as suas posições.
Qual o impacto que, a seu ver, as mulheres têm no mercado de trabalho, sobretudo quando falamos de funções de liderança?
Como referi, o impacto deve ser influenciado pela capacidade, independentemente do género, e a liderança faz-se acima de tudo pelo exemplo. Existem, sim, perspetivas e formas diferentes de liderar e as mulheres, pelas suas vivências, podem ter um aporte positivo na análise e tomada de decisões, pela sua sensibilidade, que beneficiam todas as organizações e nomeadamente, as relações laborais.










