Líderes no mobiliário hoteleiro apostam no imobiliário

O EPOCA Group é constituído pela EPOCA Mobiliário, a Alfaiate D'interiores, o CEME e a Chave Única, uma empresa dedicada à promoção imobiliária. A EPOCA Mobiliário orgulha-se de produzir mobiliário para palácios e hotéis. Peças únicas, exclusivas, desenhadas de acordo com o projeto de design e decoração de espaços tão icónicos como o hotel Ritz Paris. Empresa familiar, a tradição do trabalho da madeira começou em 1947, com o bisavô de Luís e Diogo Rocha, filhos de José Rocha, o criador da marca EPOCA. Produtores desde sempre, a EPOCA continua a assegurar qualidade, luxo, durabilidade e exclusividade aos seus produtos, que estão presentes em vários destinos das maiores cadeias hoteleiras mundiais. O grupo prevê chegar em 2021 a um volume de negócios de 25 milhões de euros.

0
2821
Luís Rocha, José Rocha e Diogo Rocha, Administração

O trabalho de marcenaria faz parte da família Rocha desde 1947, altura em que o bisavô de Luís e Diogo Rocha iniciou a sua empresa: “Na altura, ele produzia cadeiras. Mais tarde, o nosso avô criou uma fábrica maior”.

Foi já com José Rocha, o pai de Luís e Diogo, nos anos 90, que nasceu a EPOCA, direcionada para o setor da hotelaria e palácios. O fundador desta marca explica o que o levou a apostar neste segmento de mercado: “Inicialmente, a EPOCA era uma marca de mobiliário para a área residencial. Todavia, há cerca de 15 anos, apostámos no setor hoteleiro, porque percebemos que existia um nicho de mercado onde nos poderíamos encaixar e nós sempre gostámos de projetos que nos desafiassem”. Com 95 por cento do negócio da EPOCA dedicado à hotelaria de luxo e também ao mobiliário para palácios, a empresa teve de readaptar a sua fábrica, quando decidiu começar a trabalhar para projetos, em detrimento da produção em série: “Cada projeto é único. Nós posicionámo-nos no segmento de hotelaria quatro e cinco estrelas e trabalhamos com as maiores cadeias hoteleiras de luxo do mundo”, refere José Rocha.

Luís Rocha acrescenta: “O nosso propósito é apostar em projetos de valor acrescentado, que sejam exigentes, na qualidade dos materiais e da sua produção. Queremos estar envolvidos em algo que acrescente valor ao próprio edifício. Procuramos ir sempre além do que já fizemos, para nos superarmos”. Os projetos hoteleiros são cada vez mais exigentes. José Rocha lembra que Portugal tem tido um crescimento muito grande, no que respeita ao investimento por parte das grandes cadeias da hotelaria mundial: “O caminho que o país deve seguir é o de se posicionar como um país interessante para o investimento dos hotéis de luxo. É com este segmento que o país deve contar para conseguir fazer do Turismo um setor ainda mais forte na Economia nacional”.

A EPOCA, por seu lado, já realizou projetos em hotéis nacionais, mas o seu core business ainda se centra em projetos internacionais: “Neste momento, temos colaboradores na Costa do Marfim, Paris, Angola, E.U.A., Mónaco e Bahamas”, enumera Diogo Rocha. Luís Rocha complementa: “Nós trabalhamos em projetos que podem ter orçamentos entre 100 mil e 10 milhões de euros. Alguns destes projetos podem demorar anos a concluir. E é importante entender que cada projeto é diferente. Mesmo dentro da mesma cadeia hoteleira, cada unidade hoteleira é distinta e tem a sua alma e personalidade própria”.

Quando se inicia um novo projeto, o mesmo é atribuído a um gestor, que acompanha e medeia a comunicação entre o cliente e a empresa, bem como com outros fornecedores que façam parte do mesmo. “Os projetos variam, consoante o respetivo planeamento, sempre com o objetivo de corresponder ao que foi idealizado pelo decorador/designer e o cliente”, explica Luís Rocha.

A EPOCA desenvolve protótipos das peças a fabricar, que são posteriormente aprovadas pelo cliente e de seguida produzidas, na empresa. Na fábrica, dispomos de cerca de 120 colaboradores. Muitas das peças, dada a sua exclusividade e trabalho, são executadas à mão, de acordo com Luís Rocha. O controlo de qualidade e a logística associada ao transporte e montagem das peças é também da responsabilidade da EPOCA: “Todas as peças saem daqui, de forma a assegurarmos o controlo de qualidade daquilo que entregamos ao cliente. Além disso, assumimos a responsabilidade da sua manutenção”. Diogo Rocha relembra que, para peças que se destinem a hotelaria, é muito importante a forma como se cuida e mantém o material, dada a sua elevada utilização: “Nós temos de conseguir dar assistência, em caso de ser necessário renovar uma peça, ou substituir, em resultado de uma quebra, por exemplo. Todavia, as nossas peças são feitas para uma durabilidade longa e, quando bem tratadas, suportam longos anos de utilização. No que respeita a peças para o exterior, garantimos assistência anualmente e damos garantia de 10 anos”.

Com a pandemia, muitos hotéis, que se viram obrigados a fechar portas, aproveitaram o momento para renovações mais profundas ou pequenas reparações necessárias. Para a EPOCA, foi um ano positivo, com um crescimento de mais de 20 por cento: “Temos vindo a crescer de forma consistente e 2020 foi mais um bom ano”. Dos projetos mais icónicos já realizados, a família é unânime em destacar o hotel Ritz Paris, o Four Seasons Palm Beach, o Hôtel Richer de Belleval, o Hôtel Barrière Le Carl Gustaf e a nível nacional o Monumental Palace, o Torel Palace, no Porto, e o Royal Savoy, na Madeira.

O mercado residencial internacional

A EPOCA Mobiliário concentra o seu core business nos projetos de hotelaria, onde se especializou há mais de uma década, no entanto também se dedica ao mercado residencial internacional. Para tal, a EPOCA aposta no trabalho de designers internacionais, de mercados como o alemão, inglês e francês, aos quais recorre para criar as suas coleções de mobiliário, que são comercializadas nestes países através de algumas lojas e centro de compras. Entre as coleções em destaque estão a Tornado, a Aros, a Prysma e a Z Collection.

A Alfaiate D’interiores

A Alfaiate D’interiores é uma empresa de mobiliário e decoração. Ao contrário da empresa-mãe, a Alfaiate D’interiores foi pensada para servir o público e já conta com duas lojas, uma em Lisboa e outra no Porto. Brevemente abrirá uma nova na Foz do Porto. Nestas lojas é possível encontrar soluções para mobilar e decorar qualquer espaço, sempre numa combinação entre aquilo que é confortável, prático e belo. Caso o cliente prefira optar por um móvel com design próprio e pensado por si, a Alfaiate D’interiores tem capacidade técnica e tecnológica para corresponder na totalidade à produção da peça.

A Chave Única – o projeto LUX ONE

Com a EPOCA Mobiliário consolidada e o crescimento da Alfaiate D’interiores assumido, a família Rocha decidiu apostar numa outra área e criou a Chave Única. “Já tínhamos tido uma experiência na área do imobiliário, quando adquirimos um espaço de 30 mil metros quadrados, que pertencia a uma antiga empresa que fabricava portas, e transformamos esse espaço em armazéns e arrendamos e hoje é um centro empresarial, o CEME. O sucesso imediato e contínuo fez-nos apostar novamente nesta área”.

O projeto LUX ONE aposta numa oferta de habitação de qualidade, com materiais e acabamentos de gama superior, a preços muito competitivos. De acordo com o engenheiro responsável pelo projeto, Nuno Sousa, os quatro edifícios comportam, no total, 117 frações, num investimento total que ronda os 32 milhões de euros. O primeiro edifício estará concluído no início de 2022, enquanto o segundo edifício está já em fase de projeto de execução: “Pretendemos iniciar este segundo edifício antes ou imediatamente depois do término do primeiro edifício LUX ONE. Em 2023, iremos avançar para a construção das moradias”.

Para se diferenciar da restante oferta, o projeto LUX ONE aposta em materiais da máxima qualidade e uma construção que respeite o ambiente. Nuno Sousa explica que o projeto, cujo espaço de construção contempla 20 mil metros quadrados, incluirá jardins, espaços de passeio e lazer para as famílias e uma clara aposta em materiais nobres para os edifícios. “Os edifícios terão a fachada revestida a granito, pavimentos interiores com acabamento em madeira, isolamento térmico de 8 cm nas paredes e 10cm na cobertura. Além disso, as varandas contarão com um metro e meio de profundidade e alguns apartamentos da cobertura vão ter piscina privada”.

As tipologias dos apartamentos variam, sendo que, por exemplo, um T2 com cerca de 130 m2 tem um valor de venda médio de 170 mil euros: “As moradias são T3, para famílias com outro tipo de exigências”, explica o engenheiro responsável pelo projeto. “É certamente um projeto diferenciador. É uma nova forma de viver a cidade dentro da cidade”.

Luís Rocha relembra que os apartamentos do primeiro edifício, cujo fim da construção está para breve, estão todos vendidos: “Começamos a vender no início da pandemia e, em cerca de sete meses, conseguimos vender todos os apartamentos a famílias nacionais, da região, maioritariamente entre os 25 e os 40 anos”.

A EPOCA Mobiliário é uma empresa consolidada, por isso a aposta da família Rocha passa por desenvolver a empresa Chave Única, nas palavras de Luís Rocha: “O nosso objetivo é crescer e desenvolver a parte da promoção imobiliária, sem dúvida. Temos este projeto para fazer, e depois queremos apostar nas regiões mais premium, como em Matosinhos e no Porto, de forma a levar este conceito para outras regiões, mas sempre mantendo o equilíbrio entre a qualidade, a diferenciação e os preços acessíveis”. Para que isso aconteça, a equipa vai aumentar ainda mais este ano, com a entrada de mais um engenheiro e um arquiteto.

Relativamente à atividade da Alfaiate D’interiores, Luís Rocha explica que a tendência também será o crescimento, nomeadamente com a abertura, para muito breve, de uma nova loja na Foz do Porto, que se junta a uma que já existe nesta cidade e outra em Lisboa. “A EPOCA Mobiliário, naturalmente, vai crescer. Os nossos clientes normalmente não têm só um projeto e, por isso, um projeto traz outro. Há inclusivamente a possibilidade de abrir novos mercados, nomeadamente o dos Estados Unidos da América, para onde iremos agora, num projeto liderado pelo grupo Four Seasons”, conclui Luís Rocha.

José Rocha ainda tem um sonho por cumprir: “Gostava de ter, eu próprio, um hotel, mas algo pequeno, com cerca de 15 quartos. Quiçá talvez na região do Douro. É um sonho por concretizar, à espera de acontecer”, termina.

“Quando paramos de sonhar, paramos de viver”

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here