Ligar o Real ao Digital

“Ligamos o real ao digital” é o lema da FYI. Nos últimos 10 anos, a empresa tem-se dedicado ao desenvolvimento de soluções de automatização de processos. Pedro Torres Assunção, fundador e sócio da FYI, sublinha a importância da transformação digital e a necessidade de um novo mindset para resultados mais eficazes.

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Pedro Torres Assunção, founder and managing partner

Que vantagens podem obter as empresas que usufruem da transformação digital?

O nosso propósito inicial é sempre quebrar as barreiras que possam ainda existir entre o mundo real e o digital, com o objetivo de que essa ligação tenha o menor impacto no utilizador e maior foco no uso da tecnologia. Isto resulta na primeira componente técnica de resolução de um problema: a mudança de uma mentalidade. De forma genérica, as empresas capazes de se tornarem mais ágeis no uso de tecnologia estarão mais preparadas para tomar melhores decisões e mais rápidas.

Transformação digital não é chavão nem tem que ser complexa. Certo que existem exemplos como a agricultura, que usa o IOT (Internet of Things) para ligar os tratores uns aos outros, com capacidade de análise em tempo real de um enorme número da dados (Big Data) relacionando todas estas componentes com algoritmos de aprendizagem (Machine Learning) que no final do dia permitirão que as máquinas tomem a melhor decisão sobre como e quando efetuar uma colheita (Inteligência Artificial).

Antecipar, por exemplo, a chegada de um Encarregado de Educação a uma escola, permitindo que esta esteja preparada para a saída do aluno, poderá não mudar o Mundo, mas permitirá diminuir o tempo de permanência do Encarregado de Educação na escola, consequentemente reduzir o fluxo em horas de ponta à volta da escola que se traduzirá também em menos trânsito. Podemos ainda falar da maior sensação de segurança e organização. Estamos a falar de uma solução tecnologicamente simples de implementar, só depende da vontade das pessoas, da mudança de mentalidade.

Mais do que grandes mudanças, a transformação digital passa pela automatização, ou seja, perceber que processos são possíveis de ser automatizados e analisados em tempo real. Isso terá, obviamente, benefícios.

Nesse sentido, podemos dizer que a questão da mentalidade é decisiva nos tempos que correm?

A FYI é uma empresa maioritariamente focada no desenvolvimento de produto digital, que é algo muito diferente de projetos digitais. O que separa os dois conceitos é precisamente a mentalidade. Não é possível fazer uma transformação de projeto em projeto. É necessário haver uma estratégia e visão a longo prazo.

Num processo de transformação é impossível acertar sempre e à primeira. Tem que ser um processo evolutivo. Uma mudança baseada em projetos cria falsas expectativas e aumenta o ceticismo.

Como é que a FYI ajuda as empresas a enfrentar todos os desafios trazidos pela transformação digital e, consequentemente, a crescer no mundo dos negócios?

Criamos relações baseadas na apresentação constante de melhorias nos processos e não em objetivos fixos. Apostamos em modelos de MVP (Minimum Viable Product) que nos permitam errar, mas errar rápido. Isto só é possível fazer com clientes cuja mentalidade tenha tolerância para o erro. Não existe uma receita que sirva todas as empresas, mas existem boas práticas que permitem uma entrega faseada, mas constante, de valor.

Se estivermos a falar de uma loja que pretende vender online, não chega desenvolver um site. Isto não garante uma transformação apenas uma presença. Se este negócio já vende fisicamente, no entanto ainda não tem capacidade para perceber a taxa de conversão por visita, ainda está pouco “digitalizada” para beneficiar de uma presença no digital.

Que tipo de trabalho está a FYI a desenvolver neste momento?

Para além de projetos pontuais, temos mantido uma relação evolutiva com clientes como, por exemplo, a NOS, GALP, Município do Porto, Município de Cascais e Santa Casa da Misericórdia do Porto. Mais recentemente temos vindo a trabalhar em parceria com a Polygon no desenvolvimento de produtos com foco na validação de identidade remota. 

Nesta parceria já entregamos, por exemplo, uma forma de permitir que os novos clientes das Águas do Porto efetuem um contrato em poucos minutos e sem se terem que deslocar a uma loja. Implementamos tecnologias de comparação de rosto, validação de autenticidade do documento de identificação e prova de vida. Tudo combinado garante-nos a identidade do utilizador permitindo a contratação diretamente no site da empresa.

Aproveitamos o know-how adquirido nesta área para desenvolver o “Faceclocking” que melhora o processo de registo de trabalho, permitindo logo à partida utilizar um elemento não partilhável como elemento identificado no registo de ponto. É um produto, que por si, otimiza e automatiza um processo permitindo um avanço numa transformação digital.

Outra oportunidade que encontramos de aproveitamento da tecnologia foi na educação. Procuramos perceber de que forma podíamos transformar rotinas do pré-escolar e primeiro ciclo, onde a dependência dos alunos aumenta a responsabilidade tanto de encarregados de educação como dos funcionários das escolas. Nesse sentido, desenvolvemos uma plataforma que serve como ponte entre as escolas e os Pais, o “Zelo” do qual destaco duas funcionalidades.

Propomos a colocação deequipamentos de check in em que os pais simplesmente se colocam em frente a um tablet, são identificados, é-lhes pedido que digam quem estão a deixar ou ir buscar. É muito mais ágil o processo e regista não só a entrada ou saída da criança, mas também as pessoas envolvidas. Esta medida possibilita-nos facilitar a gestão de autorizações dadas pelos de encarregados de educação, como alerta-los sempre que a criança entra ou sai acompanhado por algum dos autorizados.

Esta medida por si, traz maior controlo e maior sensação de segurança. Mas abre mais uma oportunidade. Ao existir um canal de comunicação de entradas e saídas na escola, passamos a ter a hipótese de pedir aos encarregados de educação que de uma forma simples avisem que estão a caminho da escola. Esta medida pode diminuir em mais de 70% o tempo que um encarregado de educação demora a deixar ou ir buscar o seu filho e consequentemente uma melhoria do trânsito em volta das escolas.

O mundo digital é sinónimo de um mundo melhor?

O facto de sermos capazes de utilizarmos a tecnologia em prol de situações do quotidiano cria esta sensação de bola de neve de benefícios. Uma pequena medida, leva a outra e no fim existe uma solução capaz de agregar valor. Um tablet dentro de uma escola pode melhorar a segurança, a organização, diminuir tempo administrativo e ainda resolver problemas de trânsito. Isto não é fantástico?

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