Maripoza Viagens: roteiros únicos, experiências ímpares

A Maripoza Viagens surgiu de uma necessidade de encontrar trabalho, há 10 anos, quando Maria de Aires Pimenta percebeu que iria perder o emprego onde se encontrava. Mulher decidida, fez nascer uma agência de viagens a partir de casa, especializada em roteiros personalizados e dedicada a dar a conhecer o que de melhor Portugal tem. Desde “A Arte do Chocolate e da Filigrana”, à rota dos Castelos Templários, passando pela Rota da Cerâmica, Maria de Aires Pimenta retira ideias de tudo o que vê e ouve, para construir rotas turísticas alternativas e inovadoras.

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Maria de Aires Pimenta, fundadora e diretora

Maria de Aires Pimenta nunca tinha equacionado a hipótese de ter uma empresa própria. Formada em Turismo, foi nessa área que sempre trabalhou, ao balcão: “Nunca tinha feito uma reunião com um cliente. A minha função era vender as soluções turísticas com que a empresa trabalhava e era isso que eu fazia. Quando um cliente chegava com uma rota completamente diferente ou solicitando um roteiro alternativo, eu devia tentar desviá-lo desse objetivo, para que escolhessem uma solução que vendíamos”.

Todavia, a sua vida viria a mudar totalmente em 2011, quando descobriu, em novembro, que a empresa onde trabalhava passava por dificuldades financeiras. Decidida, saiu da empresa e colocou em prática um projeto próprio: “Criei a Maripoza a partir de casa. Esta agência nasceu a 5 de dezembro de 2011. A forma de vender Turismo na Maripoza não podia ser mais diferente daquilo que conhecia, isto porque para mim tudo é Turismo. Tudo é possível de ser conhecido de outra forma. E tudo me serve para retirar ideias, desde uma viagem num transporte público, até conversas com amigas”.

Foi justamente de uma conversa entre amigas que surgiu a rota “A Arte do Chocolate e da Filigrana”: “Uma amiga minha comentou que adorava chocolate e queria saber onde se podia comer o melhor chocolate do país. Comecei a procurar o que existia em Portugal que estivesse relacionado com chocolate. Acabei por descobrir o Hotel do Chocolate, em Viana do Castelo, e a fábrica de chocolate Avianense, em Barcelos. Depois, pensei em como complementar esta rota e um dos pontos que unia estas duas regiões era a filigrana. Assim, contactei também uma oficina de filigrana e as pessoas terão também oportunidade de ver nascer uma peça deste material”. Este é um roteiro de três dias, mas existem alguns de apenas um dia, como a rota da Cerâmica, em S. Pedro do Corval. Maria de Aires Pimenta não gosta de roteiros demasiado simples. Por esse motivo, faz questão de juntar sempre tudo o que pode num roteiro, unificando-o com coerência temática. A gastronomia e a música portuguesa também são parte integrante destes percursos: “Lembramo-nos sempre se comemos bem ou mal durante uma determinada viagem, isso é um elemento marcante da nossa experiência, por isso faço questão que os roteiros que desenvolvo estejam alinhados, em qualidade, com o tema do mesmo. Por exemplo, tenho um roteiro que dá a conhecer o Património Mundial da UNESCO que existe em Portugal. Considerando a qualidade máxima desses monumentos, a estadia e a alimentação têm de acompanhar esta qualidade, por isso todos os hotéis designados para este percurso são de luxo. Além disso, as pessoas poderão ainda ouvir o fado e no fim as senhoras receberão uma recordação relacionada com esta arte musical”.

A Maripoza Viagens desenvolve ainda roteiros para famílias com crianças, bem como está a iniciar um conjunto de parcerias com hotéis pet-friendly, de forma a incluir o animal de estimação na viagem.

Alguns dos roteiros têm um preço elevado, mas a fundadora da Maripoza Viagens acredita que existe mercado para este produto e é perentória ao afirmar que não pretende fixar-se no mercado de baixo preço: “Eu tive a sorte de já ter viajado bastante e tenho uma noção exata do que os estrangeiros sabem e conhecem de Portugal. O país é conhecido pelas suas praias e pelo descanso que proporciona, mas tristemente só se fala de Porto, Lisboa e Algarve. Regiões como o Alentejo e outras zonas do Norte do país estão pouco desenvolvidas. Não existe qualquer motivo para tal, além da falta de vontade em desenvolver programas próprios para estas regiões. Portugal é um excelente país para o Turismo, em toda a sua extensão, mas desenvolver programas como estes que a Maripoza tem exige muito tempo. Podemos passar meses dedicados à organização de um roteiro – aconteceu com o do Património Mundial da UNESCO. Não é tão simples como apenas marcar um avião e um hotel. É por isso que estas rotas têm um preço mais elevado que o habitual, mas acredito que se destinam essencialmente a um cliente estrangeiro, cuja capacidade financeira permite este investimento”.

Atualmente, os mercados brasileiro, mexicano e asiático são aqueles com quem Maria de Aires Pimenta mais trabalha.

“O Turismo para todos ainda não é uma realidade”

Este pressuposto fica patente nas palavras da fundadora da Maripoza Viagens sobre o Turismo Inclusivo, algo que Maria de Aires Pimenta gostaria de desenvolver: “Falta ainda fazer muita coisa, sobretudo relacionada com as infraestruturas e a preparação dos espaços para receber todas as pessoas que necessitem de apoio especial – seja através da construção de acessos para cadeiras de rodas, seja através da existência do Braille, por exemplo, em museus e fábricas, que permita uma verdadeira inclusão de todos quantos queiram fazer turismo”. A Maripoza Viagens ainda não aposta neste tipo de Turismo através da criação de rotas, mas fá-lo personalizadamente. Caso um cliente necessite, será elaborado um plano à sua medida, respeitando as limitações existentes e assegurando que os espaços a visitar têm as condições infraestruturais e de segurança requeridas.

2021 não é ano de recuperação mas traz novidades

Quase uma década após a criação da Maripoza Viagens, a sua fundadora assume que esta foi “uma viagem de muitos choros e muitos risos” e, sobretudo, de muita aprendizagem: “Aprendi a dizer ’não’ e também a manter-me fiel às minhas ideias. Sou uma pessoa muito otimista e criativa e foi assim que a empresa ultrapassou este período pandémico, onde não faturei durante 14 meses. No entanto, desenvolvi novas ideias e criei novas rotas e algumas delas serão lançadas no final do ano. Serão coisas completamente diferentes, alternativas, que nunca vi ninguém fazer antes. O meu objetivo último é fazer diferente, inovar, mas mantendo-me fiel ao meu princípio 100 por cento português, à nossa música, à nossa cultura, à nossa gastronomia. Quero mostrar Portugal ao mundo, mas um Portugal inteiro, com tudo o que tem para descobrir”.

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