“Não ensinamos regras, moldamos atitudes”

Nascida na exigência da indústria extrativa, a Academia Portuguesa de Formação Industrial (APFI) prepara profissionais para um futuro onde a tecnologia evolui, mas a capacidade humana de decidir, liderar e cuidar continua a fazer a diferença.

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A APFI nasceu ligada ao setor mineiro, de alta exigência técnica e segurança. Como transforma conhecimento técnico numa cul tura de excelência e prevenção?
Nasceu para levar os elevados padrões de segurança da indústria extrativa às restantes. Para nós, segurança não é preencher papelada, é sobre pessoas e as escolhas que fazem quando ninguém vê. Não mudamos mentalidades a ler manuais numa sala. Aplicamos a Segurança Baseada no Comportamento: vamos ao terreno, observamos rotinas e conversamos com as equipas. Em vez de punir, focamos no reforço positivo e na consciencialização. Quando o operador percebe o impacto das suas ações em si e no colega, a prevenção vira cuidado mútuo. Não ensinamos regras, moldamos atitudes.

Perante a digitalização, automação e escassez de mão de obra, quais as competências críticas para os profissionais na próxima década?
Onde uns veem fragilidade, vemos oportunidade. Por mais avançados que sejam os sistemas, dependem de pessoas. Controlamos máquinas em minas a partir da superfície, mas a tecnologia nunca substituirá a perceção do risco e o fator humano. A competência crítica é a autodisciplina comportamental e a liderança partilhada em segurança. Precisamos de quem saiba ler dados, mas com inteligência emocional para manter a atitude certa sob pressão. Na era da IA, o diferenciador será a capacidade de ser um observador ativo, sabendo intervir perante o risco de um colega. O sucesso continuará a depender das nossas escolhas.

A criatividade raramente se associa à formação industrial. Como inova a APFI para tornar a aprendizagem prática e alinhada com as empresas?
Rejeitamos a ideia de que a formação tem de ser entediante, assente em slides de legislação que não mudam comportamentos. Inovamos pela Andragogia prática e análise comportamental em tempo real. Os programas nascem no terreno: identificamos as situações críticas e riscos reais da empresa. Na sala, os formandos analisam os seus próprios hábitos através de simulações práticas. Aprendem a dar e receber feedback de segurança com naturalidade. Erramos juntos num ambiente controlado para que cada um saia motivado a mudar e a policiar, com orgulho, a sua conduta no dia a dia.

Que filosofia simboliza o ADN da APFI e o que gostaria que o mercado dissesse sobre a academia daqui a uns anos?
O nosso ADN tem o rigor da indústria extrativa. Nascemos na exigência das minas e pedreiras, onde os desvios se pagam caro. Transformar condutas em ambientes extremos tornou-nos referência. Aí definimos a nossa missão: pegar na segurança comportamental lapidada no subsolo e levá-la a qualquer indústria. Se criamos hábitos que salvam vidas numa mina, blindamos a cultura de qualquer empresa.

No futuro, queremos que o mercado diga: “A APFI revolucionou a nossa forma de trabalhar. Trouxeram a escola de segurança das minas para as nossas fábricas e ensinaram as equipas a cuidar umas das outras. Não vendem cursos, transformam a conduta das pessoas e salvam vidas”.