“O interesse dos investidores internacionais no mercado português continua em alta”

Daniel Araújo criou a DA Consulting & Investiments enquanto empresa direcionada para a representação de investidores nacionais e estrangeiros. Daniel Araújo define 2020 como o terceiro melhor ano de sempre, no que respeita ao investimento imobiliário, mas 2021 não ficou atrás, no que respeita à dinâmica do mercado e ao interesse de investidores estrangeiros, cuja opinião sobre Portugal foi valorizada pela forma como o país lidou com a pandemia.

0
496

Na nossa última entrevista, afirmou que o ano passado tinha sido excelente para o investimento nacional. Com a reabertura de fronteiras, este investimento nacional continua?

O ano de 2020 foi o terceiro melhor ano de sempre do mercado português, só superado por 2018 e 2019. O mercado imobiliário manteve um volume de transações elevado, com cerca de 2,6 mil milhões de euros investidos em imobiliário comercial e outros 24 mil milhões de euros em compra de habitação. No ano de 2019, foram transacionados 3,240 mil milhões de euros em imobiliário comercial e 25,1 mil milhões de euros em imobiliário residencial. Já em 2018, foram transacionados 3,356 mil milhões de euros em imobiliário comercial e 24,1 mil milhões de euros em imobiliário residencial. O mercado imobiliário continua muito dinâmico e muitas das operações de aquisição e fusão que estavam em curso só se concluíram depois da reabertura das fronteiras.

Os investidores internacionais sempre viram Portugal como um país atrativo para investir, sobretudo em imóveis. O que os atrai, particularmente, no nosso país?

O interesse dos investidores internacionais no mercado português continua em alta. Os mercados internacionais reconheceram a boa resposta que o país teve, face à pandemia. No que diz respeito à indústria, o que mais atrai os investidores internacionais é o baixo custo dos nossos técnicos altamente qualificados. Existem alguns indícios cada vez mais evidentes, de uma forte preferência por imóveis em localizações premium, há uma clara e forte aposta no office e no retalho, existe um grande interesse em terrenos para logísticas e de habitação para rendimento. Existe uma tendência para serviços diferenciadores, tais como o co-living, as residências seniores de luxo e as residenciais para estudantes. A hotelaria é sempre um ativo interessante para os investidores internacionais, neste momento existem alguns portfolios hoteleiros que podem mudar de mãos…

A DA Consulting & Investiments desenvolve um trabalho de proximidade com os investidores. Com a chegada da pandemia e as dificuldades de muitas empresas, como se alterou o mercado, no que respeita à dinâmica do mesmo? Surgiram novos players?

Com o decorrer da pandemia, perspetivavam-se alterações na organização das empresas, com um crescente peso do teletrabalho, alterações nos canais de compra utilizados pelos consumidores e nas mudanças na procura turística. Para além dos impactos decorrentes da inevitável degradação das variáveis macroeconómicas, a evolução do mercado depende da concretização de um conjunto de pressupostos que estão ainda envoltos num elevado nível de incerteza. Muitos não deixarão de ter presente o que aconteceu no mercado imobiliário após 2011, em que uma perspetiva negativa afastou muitos investidores. Os dados já conhecidos sobre a evolução do mercado em 2021 permitem afirmar que o interesse no mercado português se mantém, o que indicia que os investidores internacionais mantêm uma visão positiva sobre o mercado no médio e longo prazo. Não obstante, a atual crise não deixará de produzir alterações estruturais na sociedade, reduzindo, aumentando e alterando necessidades e preferências, em diversos domínios. No entanto, o setor imobiliário continua muito dinâmico e continuam a realizar-se muitas operações de aquisição e fusão. No que diz respeito a novos players, temos estado a assistir à entrada de investidores que tendencialmente não investem em Portugal, nomeadamente investidores indianos. Os fundos de grande dimensão, que já operam em Portugal, pretendem reforçar os seus portfolios. Os investidores israelitas estão cada vez mais incisivos. Tem surgido um novo tipo de investidores ligados à indústria de transformação e da saúde que estão muito capitalizados, devido a esta pandemia.

Apesar de um dos grandes setores atrativo para o investimento ser o imobiliário, Portugal tem outros setores que poderão ser atrativos para empresas e indústrias internacionais. Quais destacaria?

Qualquer tipo de indústria que necessite de técnicos altamente qualificados…No que diz respeito ao setor industrial, Portugal tem vindo a crescer, o Norte tem-se destacado, sendo claramente a região mais industrializada do país e uma das mais industrializadas da Europa, liderada pelo setor têxtil, vestuário e calçado. O setor de mobiliário, produtos metálicos e a borracha estão cada vez mais a assumir o protagonismo. No plano internacional, o setor automóvel, nomeadamente de produção de peças automóvel, é claramente o que mais se tem instalado em Portugal. O setor aeronáutico tem cada vez mais vindo a ganhar espaço em Portugal, a energia está a começar a dar passos largos, a fim de ser uma das áreas de maior captação de investimento internacional. Os elevados investimentos internacionais têm vindo a diversificar o investimento em diferentes áreas geográficas: Viana do Castelo (Paredes de Coura e Lanheses); Porto (S. Tirso); Amarante (Aboadela); Coimbra (Cantanhede); Viseu (Tondela); Lisboa (Azambuja); Setúbal (Grândola, Tróia, Sines); Évora (Horta das Figueiras); Beja (Santa Bárbara de Padrões, Amareleja).

Na sua opinião, que medidas Portugal necessita de tomar para se tornar ainda mais atrativo aos investidores?

Celeridade de processos burocráticos, políticos e nas montagens das operações. No que diz respeito aos processos burocráticos e políticos, qualquer solicitação de esclarecimento, de documentos, pareceres ou mesmo audiências com as presidências dos municípios, estas por vezes fulcrais para possíveis investimentos, são sempre muito demorados. A montagem das operações tem vindo a melhorar ao longo dos anos e muitas vezes implica diversos players. Sobre este tema, tenho uma experiência que explica bem o que temos de melhorar. Há uns anos atrás, tive o privilégio de privar com um diretor de operações, japonês, que estava à frente de um dos maiores projetos realizados em Portugal, ligados ao setor naval. Tomei conhecimento de que, no Japão, um projeto tem três fases, sendo que 2/3 são gastos em projetos, planeamento e preparação e 1/3 era o tempo necessário para a execução desse mesmo projeto. Em Portugal, é exatamente ao contrário. Este problema cultural, temos de o mudar.

Em que medida pode a DA Consulting & Investiments ajudar a exponenciar esta abertura ao mercado investidor?

Tendo em carteira bons dossiers imobiliários, mostrando o potencial do investimento versus lucro/yield máximo possível, a fim de o investidor se sentir interessado em investir.

Quais os objetivos traçados para a DA Consulting & Investiments, a médio prazo?

O objetivo é manter os parâmetros de qualidade dos serviços prestados, para manter a confiança dos nossos investidores e captar novos de outras áreas de negócio. A DA Consulting & Investiments pretende ser a mais prestigiada empresa portuguesa imobiliária do setor corporate.