“O melhor consultor financeiro que uma empresa tem é o seu contabilista”

João Cunha é contabilista e gere a Capitalges desde 2008. Ao longo destes 14 anos de mercado, e ainda mais de experiência profissional individual, João Cunha reconhece que as empresas precisam, hoje mais do que nunca, de acompanhamento e ajuda de um consultor financeiro, para que a tomada de decisão seja acertada. Relembra ainda o impacto que se espera que o PRR tenha na economia nacional e a importância de as empresas estarem bem preparadas para o utilizar.

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Um contabilista deve ser, hoje, um bom consultor financeiro dos seus clientes? Qual a importância dessa função para o desenrolar da vida financeira das empresas?

Um contabilista não deve apenas ser hoje, mas sempre o devia ter sido. Dentro de uma empresa o papel do contabilista sempre foi fundamental. Naturalmente que nos dias de hoje existe uma maior necessidade da sua intervenção. Quando falamos sobre o papel de consultor financeiro estamos a entrar numa área que o contabilista deve ser interventivo e consultado juntamente com a gestão da empresa. Tomar decisões ser ter em conta a
componente financeira pode comprometer o futuro da empresa. Caso o contabilista não dê esse suporte às empresas, serão consultores externos a fazê-lo e com encargos acrescidos para as empresas. O melhor consultor financeiro que a empresa pode ter é o seu contabilista, mas tem que na sua agenda colocar espaço para se focar nesse ponto e não pode andar sempre a cumprir obrigações fiscais e legais.

Queremos ter
um papel interventivo na
gestão das empresas nossas
clientes e estamos sempre
disponíveis para a
consultoria necessária”.


Como se posiciona a Capitalges no que respeita à consultoria financeira, relativamente às empresas suas clientes? É uma área em crescimento na empresa?

A Capitalges sempre procurou não ser apenas uma empresa de contabilidade, mas sim uma empresa de apoio à gestão e por isso, para além de proceder ao tratamento das questões contabilísticas, fiscais e de recursos humanos, procura estar no apoio à gestão das empresas através de relatórios de acompanhamento e dando a consultoria financeira e também fiscal que as empresas necessitam. Caso o foco Capitalges estivesse restringido aos aspetos
legais, o cumprimento de obrigações e a manter a regularidade contabilística e fiscal o nosso propósito estaria desvirtuado. Queremos ter um papel interventivo na gestão das empresas nossas clientes e estamos sempre disponíveis para a consultoria necessária.

Quais as principais dificuldades que os contabilistas encontram, na gestão do seu dia a dia, que dificulta esta análise e estruturação do processo de consultoria das empresas?

Os contabilistas encontram no enquadramento atual duas dificuldades que o impedem de
terem um papel mais interventivo no que diz respeito à consultoria nas empresas. Em primeiro lugar encontramos um conjunto de obrigações e prazos a mais. Precisamos de uma simplificação de obrigações e de prazos mais razoáveis. Em segundo lugar, existe a
necessidade de sensibilizar os empresários para a entrega mais atempada da documentação e uma maior coordenação entre as partes. Ao longo dos anos isto tem evoluído positivamente, mas ainda precisa de ser melhorado.

Os empresários já reconhecem, por si próprios, a importância desta atividade?

Não tenho dúvidas que sim, quem está no mercado com o propósito de gerar lucro nas suas empresas, ultrapassar as dificuldades e criar emprego e qualidade para os seus quadros de pessoal procura acompanhar a saúde financeira das suas empresas.

Durante a pandemia, as empresas portuguesas viram surgir vários apoios estatais, por um lado, para ajudar a gerir todas as suas obrigações tributárias e, por outro, incentivos à continuação da atividade e ajudas no âmbito da otimização fiscal. Como lhe parece que estas medidas foram dadas a conhecer aos empresários? Houve realmente um reconhecimento da sua importância e uma aposta no usufruto destes apoios?

A pandemia foi desgastante para os contabilistas, devido às medidas de apoio, nova legislação a sair constantemente e muitas dúvidas em como aplicá-la. As medidas que
foram criadas foram dadas a conhecer aos empresários, mas nem todos tiveram acesso a toda a informação da mesma forma. Existiu, sim, uma partilha de informação dos contabilistas para os empresários, entre os empresários e entre as associações dos vários setores para os empresários e contabilistas. As medidas foram importantes, mas insuficientes, e por vezes com falta de equidade, pois o mesmo tipo de negócio foi apoiado de maneira diferente, consoante os critérios disponíveis.

Quais os apoios que, atualmente, importa destacar, e que podem fazer a diferença na vida financeira das empresas nacionais?

Temos o novo quadro comunitário PT2030, a que importa estar atento. Existe ainda apoios na área fiscal que as empresas devem aproveitar, nomeadamente o RFAI, DLRR e SIFIDE. O papel da banca será fundamental porque, ao contrário da crise financeira que tivemos há uns anos, em que nessa altura não deu o suporte necessário, temos neste momento uma realidade bem diferente. Naturalmente que as empresas não se devem endividar de forma a comprometer a sua sobrevivência futura, é necessária alguma prudência.

Que desafios coloca esta conjuntura que atualmente vivemos aos mercados e à atividade económica?

O desafio maior é o aumento dos custos das matérias-primas, o aumento do custo energético e consequentemente o aumento do custo de vida das famílias. Os empresários terão que conjugar os aumentos dos custos e perda de rentabilidade com a preocupação de aumentar os salários dos seus trabalhadores para que os mesmo possam ter uma estabilidade
financeira e familiar.

Como lhe parece que o PRR possa, de facto, impactar a economia nacional?

O PRR pode de facto impactar a economia nacional. As empresas e empresários terão que estar atentos e consultarem especialistas para lhes dar apoio. O contabilista poderá
naturalmente intervir, mas existem empresas especializadas em projetos e na elaboração de candidaturas. As áreas de atuação são várias, entre elas a descarbonização, a eficiências dos
edifícios, infraestruturas e equipamentos sociais e também o e-commerce.

1 COMENTÁRIO

  1. Bom dia
    Eu como contabilista concordo e subscrevo totalmente a opinião deste colega. O contabilista precisa de ser visto como um parceiro tanto pelas Instituições como pelos empresários clientes. Tudo seria muito melhor para todos.
    Abraço

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