“O mercado do interior do país é desafiante”

Sandra Lopes é a diretora da CASAPARASI, uma agência de mediação imobiliária que fundou há seis anos, em conjunto com Francisco Gaspar, com quem forma uma equipa desde 2013. Nesta entrevista, o mercado do interior do país e as suas características únicas estão em destaque.

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Sandra Lopes, diretora

A CASAPARASI nasceu em 2015, mas a equipa Sandra Lopes e Francisco Gaspar já existe desde 2013. O que vos levou a avançar para um negócio próprio?

A equipa propriamente só nasce em 2013, mas eu entrei na área imobiliária em 2008 e o Francisco Gaspar já estava desde 2005. Decidimos apostar nas pessoas e criar a própria marca, levados pelo acreditar que quem faz as “empresas” são as pessoas e não as marcas…

Como caracteriza o mercado imobiliário do distrito de Portalegre?

É um mercado de interior de país, diferente, como considero o mercado na totalidade atualmente. O distrito de Portalegre é um pouco esquecido pelos portugueses e cada município tenta fazer-se notar usando as mais variadas estratégias…Parece-me que têm resultado, mais nuns que noutros, por exemplo o município onde a sede da CASAPARASI se encontra, Ponte de Sor, tem apostado no mercado da cortiça, aeronáutica e turismo e tem tido sucesso, o que tem levado pessoas de vários pontos do país, sobretudo de Lisboa e além-fronteiras, a procurar esta zona por ter custos de mercado mais baixos e encontram aqui uma qualidade de vida que desconheciam. É um mercado desafiante.

O interior do país viu aumentar a população interessada em residir nessas regiões, sobretudo desde que a pandemia forçou as pessoas a ficarem em casa. A CASAPARASI sentiu esta tendência?

Sim, um pouco. A fuga de pessoas dos grandes centros, apressada pela Covid-19, trouxe ao interior pessoas “desesperadas” por uma casa pequena com quintal, para segunda ou primeira habitação, a um preço baixo, habitável ou a necessitar de poucas obras.

A procura de terrenos e de imóveis com espaços exteriores privados aumentou um pouco por todo o território nacional. Isso revelou-se benéfico para o negócio desta região?

Sim, sem dúvida. Se já existia, aumentou. O sonho de algumas pessoas de ter uma casa no Alentejo, onde acreditam ter a paz que anseiam, foi impulsionado pela pandemia…a maior parte desses compradores têm capital próprio. Quando ouvem que o distrito de Portalegre é dos mais baixos no preço por metro quadrado, apressam-se a contactar, muitas vezes sem noção das localizações das casas que veem na Internet.

A tecnologia ajudou a manter algumas relações e negócios neste setor. Que análise faz desse período? Adotou soluções novas que, de agora em diante, se tornarão parte da rotina laboral?

Em minha opinião, sim. Eu que tenho uma relação “complicada” com as tecnologias, tenho de admitir que foi um colete kevlar. Foi e é um período mais desafiante, mas também houve oportunidade para aprumar todas as ferramentas, para trabalharem bem. A CASAPARASI deu o uso devido a algumas ferramentas que estavam pouco aproveitadas e, nas soluções novas, utilizou-se mais o whatsapp para a visita guiada. Sem a tecnologia teria sido muito complicado resolver situações junto de instituições, como Finanças e Conservatórias.

Com o fim das moratórias e as dificuldades associadas à perda de trabalho e rendimentos, como antecipa que o mercado imobiliário seja influenciado, nos próximos meses?

Considero-me uma pessoa otimista, mas no caso das moratórias e da possível perda de trabalho devido à pandemia, ou ao aproveitamento dela, antecipo uma fase menos boa e talvez o agravar da situação de muitas pessoas. Vai ser preciso muita força mental e apoio financeiro bem direcionado. Bem sei que se pensa “as pessoas não vão ter como pagar as casas e vão entregar ao banco ou vender”, mas sinceramente não vejo esse ponto como positivo para a imobiliária, porque se uns têm que vender por menos ordenados, outros podem não poder comprar por menos ordenados. O setor imobiliário, na forma como o conhecemos, irá sentir-se, não sei se de forma positiva. Também as tecnologias ocupam cada vez mais um lugar no setor. Cada vez há mais plataformas digitais que permitem a alguém poder vender a sua casa sem grandes custos. Pode ser um erro porque, por exemplo, na zona onde me encontro, existem muitos casos de heranças “perdidas” ou prédios não registados e esse tipo de plataforma não serve a esse cliente. Estou expectante e a trabalhar.

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