“O novo Estatuto reforça a autonomia dos fisioterapeutas”

Nuno Barreto é fisioterapeuta e o fundador da NBfisio, espaços de Fisioterapia que trabalham de uma forma multidisciplinar com outros profissionais de saúde para oferecer um tratamento completo a quem os visita. Com a alteração do Estatuto da sua Ordem profissional, os fisioterapeutas são agora mais autónomos e importa perceber que vantagens isso traz a estes profissionais.

0
745

Os fisioterapeutas viram o seu estatuto alterado, através da sua Ordem, o que os torna profissionais mais autónomos. Que considerações tece a este novo Estatuto? Mudou para melhor?

Os fisioterapeutas, enquanto profissionais autónomos, têm na sua ordem profissional o fim de regular o acesso e o exercício da profissão, que privilegia a defesa dos interesses dos utentes, fazendo respeitar o direito dos cidadãos à saúde. O novo estatuto beneficia e dignifica a profissão que, através da utilização de instrumentos científicos e técnicos adequados, desenvolvendo uma prática integrada, informada e conduzida pela evidência científica, dá ao fisioterapeuta a possibilidade e instrumentos para se afirmar como profissão de saúde plena.

Que impacto isso tem no tratamento das pessoas e na forma como o fisioterapeuta pode, agora, fazer o seu próprio diagnóstico?

A autonomia da profissão e o exercício técnico profissional resultam de um reconhecimento de competências e de um vasto corpo de saberes, próprios da Fisioterapia, que preserva a autonomia da profissão e que solicita apoio multidisciplinar, quando necessário. As normas deontológicas aplicáveis à profissão contribuem para a autonomia e responsabilidade profissional e ética dos fisioterapeutas. Na sua conduta profissional, o fisioterapeuta atua com independência e isenção por forma a dignificar a profissão, desenvolve uma prática informada, capacitando o
utente para decidir. O diagnóstico e a intervenção em Fisioterapia são os pontos-chave para a sua autonomia, que é uma mais-valia para a comunidade, desburocratizando e favorecendo a prestação de cuidados de Fisioterapia.

Como é que estas novas alterações do Estatuto contribuem para uma maior dignificação e respeito pelos fisioterapeutas e pelo seu trabalho de especialidade?

A Fisioterapia é uma disciplina científica e autónoma. O estatuto profissional da Fisioterapia foi introduzido em 1966, sendo atualmente referenciada no grupo dos “profissionais intelectuais e científicos”. O regulamento que definiu o “ato de Fisioterapia” veicula legalmente todos os fisioterapeutas registados na ordem, enquadrando competências, autonomia e responsabilidade, que independentemente do contexto, apenas pode ser realizado por fisioterapeutas. No artigo 4 do regulamento nº490/2023, ponto 5, podemos ler: “O fisioterapeuta goza de plena autonomia profissional e é responsável por todo o processo de Fisioterapia, desde a avaliação inicial até à conclusão do mesmo”. Por sua vez, o artigo 7 é claro e diz respeito à “Liberdade de exercício” referindo explicitamente que “o fisioterapeuta goza de plena liberdade e autonomia para praticar os atos próprios da profissão, nos termos da lei”. Com a regulamentação final das unidades de Fisioterapia, os fisioterapeutas veem reconhecida e reforçada legalmente a sua capacidade e autonomia plena para dirigir os próprios espaços e unidades de saúde, como já acontecia com outros profissionais de saúde.

Que compromisso tem a NBfisio para com os seus clientes, no que respeita aos tratamentos e à forma como os mesmos são aplicados? Há, também, um incentivo à prevenção, pela vossa parte?

Na NBfisio temos um compromisso de exigência nos cuidados de saúde prestados a todos os utentes, numa equipa de 30 fisioterapeutas distribuídos por Almada, Estoril, Olhão e Alcantarilha. Procuramos, através das melhores práticas, recapacitar integralmente e de forma informada e partilhada desde 2009. Trabalhamos de forma multidisciplinar e complementar com osteopatas, psicólogos, nutricionistas, acupuntores, ortopedistas, neurocirurgiões, fisiatras, entre outros profissionais de saúde, por forma a potenciar a reabilitação plena sempre que possível.
Com uma população cada vez mais idosa e com profissões cada vez mais sedentárias, o universo de situações com que temos de lidar diariamente vai de patologias da coluna vertebral a tendinopatias do ombro, cotovelo e
mão. Através de planos de tratamento adequados, temos taxas de sucesso e satisfação de mais de 90%.