“O sucesso está em criar tendências antes de serem pedidas”

Carla Santos acredita que a inovação nasce da curiosidade, a Inteligência Artificial deve potenciar o talento humano e liderar é ter a coragem de antecipar o que ainda ninguém vê.

0
193

Como identifica uma tendência antes de ser evidente?
Tudo começa na curiosidade. Sempre procurei experiências que fugissem ao tradicional e politicamente correto. Gosto de observar o que acontece no mundo, não só nos eventos, mas também na cultura, tecnologia, moda, entretenimento e comportamento. Os sinais estão nas pequenas mudanças: no que as pessoas começam a partilhar, o que as emociona e o que ainda estranham, mas não conseguem ignorar. É aí que nasce a diferença. Antecipar uma tendência é perceber aquilo que ainda não é óbvio, mas que em breve fará sentido para muitos.

Entre entretenimento, educação e impacto, onde está o equilíbrio?
O equilíbrio está em criar experiências que as pessoas queiram viver, mas das quais também retirem algo. O The Sweet Art Museum e o AI Innovation Garden são exemplos diferentes, mas partem da mesma lógica: aproximar o público de temas que podiam parecer distantes. O sucesso não está só em adaptar tendências futuras, mas, sobretudo, na coragem de as criar antes de serem pedidas.

Como vê a IA e que papel acredita que terá na liderança feminina?
Vejo a IA como um catalisador, não como um substituto. A máquina aprende com a nossa criatividade, sensibilidade, visão e capacidade de imaginar. Com o avanço tecnológico, empatia, escuta ativa e capacidade de criar laços emocionais — competências frequentemente associadas à liderança feminina — vão tornar-se ainda mais relevantes, porque a inovação só tem verdadeiro valor quando serve pessoas.

Qual é a maior lição da sua trajetória? E que experiência criaria sobre o futuro de Portugal?
A maior lição é que os melhores projetos nascem de uma confiança quase absoluta no que se está a criar. A minha maior dopamina criativa continua a ser pegar numa ideia que só existia na imaginação e transformá-la numa experiência real capaz de marcar pessoas emocionalmente. Se pudesse criar uma experiência, seria um parque temático de Inteligência Artificial pensado de forma humana, onde tecnologia, criatividade e emoção mostrassem um país capaz de aprender, criar e liderar.

Que conselho deixa às jovens mulheres que querem liderar projetos inovadores?
Não se deixem intimidar por nada nem por ninguém. Sejam fiéis à vossa visão, exercitem a criatividade e não tenham medo de se destacar. O caminho nunca é linear, mas recuar também pode ser uma forma de ganhar força. O “não” já está garantido. Tudo o que vier para além disso já é conquista.