A deteção precoce das perturbações do neurodesenvolvimento é fundamental porque permite intervir antes de os
sintomas se consolidarem e comprometerem competências essenciais, como a linguagem, a regulação emocional, a
atenção e as aprendizagens. Quanto mais cedo se compreende o perfil de desenvolvimento da criança, mais eficazes
são as estratégias de intervenção e maior é o seu impacto na autonomia futura. Os primeiros sinais podem surgir logo nos primeiros anos de vida. Dificuldades marcadas na comunicação, ausência de gestos, falta de atenção conjunta, hiperatividade persistente ou resistência extrema à mudança podem indiciar condições como PHDA ou PEA. A partir dos 18 meses já é possível observar indicadores relevantes que justificam uma avaliação especializada.
No caso da Perturbação do Espectro do Autismo, os sinais podem variar muito, mas alguns aspetos são comuns: dificuldades na interação social, padrões comunicacionais atípicos, comportamentos repetitivos, interesses muito restritos ou hipersensibilidades sensoriais. Apesar da heterogeneidade, todas as crianças beneficiam de apoio precoce e estruturado. Com intervenção adequada, envolvendo a família e a escola, é possível promover competências adaptativas que permitam à criança crescer como um adulto funcional, autónomo e integrado.
Recentemente, integrei na clínica um recurso inovador para avaliação e intervenção: o Neurofeedback Dinâmico. Trata-se de uma tecnologia que monitoriza em tempo real a atividade cerebral e ajuda o cérebro a autorregular-se, promovendo melhorias na atenção, no controlo emocional e na flexibilidade cognitiva. Este método é especialmente relevante em perturbações como PHDA, ansiedade, dificuldades de autorregulação e, em alguns casos, PEA. Não utiliza estímulos invasivos e adapta-se ao ritmo de cada criança, sendo seguro e adequado à prática clínica. Em complemento, utilizo também o Nesplora, um sistema validado internacionalmente para avaliação neuropsicológica em realidade virtual. Permite analisar funções executivas, impulsividade, memória e padrões atencionais em contexto semelhante ao real, aumentando a precisão do diagnóstico. A integração entre avaliação tradicional, realidade virtual e Neurofeedback melhora significativamente a capacidade de deteção precoce e o desenho de planos de intervenção individualizados.
Relativamente à realidade portuguesa, reconheço avanços importantes na inclusão, na formação de profissionais e na disseminação de práticas baseadas na evidência. No entanto, ainda há caminho a percorrer, sobretudo no acesso equitativo ao diagnóstico, na redução de listas de espera e na criação de respostas comunitárias consistentes que apoiem famílias e escolas. A inclusão exige investimento continuado, colaboração interdisciplinar e sensibilização social. A minha prática clínica, localizada em Vila Nova de Gaia, procura precisamente integrar avaliação especializada, intervenção precoce e tecnologias avançadas de suporte ao desenvolvimento, contribuindo para respostas mais ajustadas às necessidades das crianças e das suas famílias.









