“Portugal é um país apetecível”

Marcos Arocha é o diretor da Miravillage, uma agência de mediação imobiliária situada em Vila Nova de Milfontes e que está há 14 anos no mercado. Com uma filosofia de trabalho que coloca sempre os clientes em primeiro lugar, Marcos Arocha assume que Portugal continua a ser um excelente país para investir e viver e alerta para a importância de recorrer a um profissional da mediação imobiliária sempre que existe um negócio por concretizar.

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Marcos Arocha, diretor

Que características gostaria de salientar, no que respeita à forma de se apresentar ao público?

Estamos desde 2006 no mercado da mediação imobiliário. Temos alguns princípios e valores dos quais não abdicamos, nomeadamente “os interesses dos nossos clientes estão sempre à frente dos nossos”. Faço questão que a cultura da empresa seja essa e quero que todos aqui estejam alinhados com estas características. Não sendo franchisados, tivemos de granjear toda a nossa reputação sozinhos. Atualmente, com as redes sociais, um mau comentário vale por 20 bons comentários, então temos de estar muito bem alinhados com a nossa filosofia, com os nossos princípios, e não abdicar disso, pois é fruto de um longo percurso.

Como é que a Miravillage se adaptou às novas exigências de comunicação e relacionamento, a que a pandemia obrigou?

Creio que isso foi um desafio para todas as empresas, de todos os setores, porque tivemos de, de uma forma abrupta, reaprender todo um processo de trabalho. Ainda hoje me custa aparecer um cliente e não o cumprimentar, mas tivemos efetivamente de nos adaptar e assim fizemos. Passámos a dar mais enfoque às redes sociais, redobrámos o cuidado que já tínhamos em relação às fotos que eram colocadas no site bem como demos atenção à forma como geríamos as redes sociais… Em relação ao teletrabalho, parece-me que foi efetivamente a solução encontrada para não se parar, simplesmente, de trabalhar, mas nesta versão – todos em casa em simultâneo, incluindo os miúdos – faz descer bastante a produtividade, porque as crianças requerem atenção.

Quais as adaptações, a nível profissional e social, que a pandemia tornou necessárias, poderão agora ser implementadas no dia a dia das empresas?

O teletrabalho e a digitalização de alguns processos foram muito importantes para nós. Isso obrigou-nos a fazer uma qualificação do cliente – relativamente àquilo que ele quer comprar – e depois classificá-lo no que respeita à possibilidade de financiamento. Essa melhor qualificação do cliente permitiu-nos poupar tempo com outros processos que não poderiam acontecer e focarmo-nos naqueles que, efetivamente, poderiam concretizar um negócio. No início, fazíamos uma visita virtual ao imóvel e só depois é que íamos presencialmente à casa.

Durante este período de pandemia, que avaliação faz do mercado? Foi possível concretizar os negócios que estavam em curso?

O agente imobiliário é muito adaptável e, neste caso, tivemos de ser práticos e tentar agilizar ao máximo os processos que estavam a decorrer. Tivemos de agilizar questões de envio de documentos e instrumentos legais que já existiam, que nos podiam ajudar a levar o negócio até ao fim, garantindo que toda a gente ficava bem e que não houvesse problemas para ninguém, sobretudo durante o período de fecho de fronteiras. Durante o confinamento, sentiu-se uma quebra na procura, por parte dos clientes, mas depois, devagar, voltaram a surgir os contactos e atualmente estamos com uma atividade semelhante à de 2019.

A procura de moradias com jardim ou apartamentos com varanda, em simultâneo com a procura de imóveis no interior do país foi algo que também sentiram, nos pedidos dos clientes?

Isso passou a ser uma necessidade. Nós já sentíamos isso, porque a nossa zona é muito propícia a essa necessidade de espaço exterior, mas com o confinamento, as pessoas aperceberam-se das lacunas das suas casas. O confinamento serviu para legitimar essa procura. De luxo, passou a ser uma necessidade.

Quais são os principais problemas que o setor imobiliário apresenta?

Um grande problema é a burocracia nos processos. Espero, aliás, que a pandemia permita uma maior digitalização e desburocratização dos processos. Tem de haver mais celeridade nestes processos. Não é compreensível que um investidor compre um terreno, coloque um processo de loteamento e posteriormente um processo de urbanização, para construção de um imóvel e todo o processo demore entre cinco a 10 anos. Isto não é admissível e faz-nos perder investidores.

Em Portugal ainda há muita gente que não gosta de envolver imobiliárias nas transações. Que dificuldades pode isso trazer para os proprietários?

Em 2006, quando abrimos, o agente imobiliário era percecionado ainda como alguém pouco transparente, hoje não. A mediação imobiliária fez um longo caminho. É importante desmistificar que, quando um proprietário envolve uma agência imobiliária num negócio, a agência só recebe algum valor caso a transação do imóvel se concretize, mesmo que tenha existido todo um trabalho burocrático anterior. Além disso, um proprietário tem sempre mais dificuldade em avaliar o mercado e o seu próprio imóvel, pois vê a casa de um ponto de vista emocional. Depois, o consultor imobiliário tem uma rede de contactos a quem pode propor o imóvel, bem como dispõe de canais de venda, online e offline, que utiliza para efetivar a transação do imóvel. O proprietário não dispõe de nenhuma destas ferramentas e, em certos casos, pode nem saber argumentar a seu próprio favor.

Como antecipa 2021?

Tenho alguma expectativa que as coisas melhorem, mas sempre com bastante calma. Acredito que se as pessoas puderem circular livremente e sem máscara, sem ter de ter em atenção a necessidade de distanciamento físico, isso será bom para todos os setores. Nós estamos a lidar com o desconhecido, pelo que não sabemos o que aí vem.

www.miravillage.net

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