Quando a Arte inspira a vida

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Antes dos seus atuais projetos, a Lígia foi proprietária de uma empresa no setor da limpeza industrial. Como nasceu esse projeto, e porquê?

A empresa Sirius Lda nasce de uma viragem na vida do fundador da empresa, meu pai, que decide abandonar a França, onde foi emigrante durante 17 anos. Depois de ter ocupado um cargo de chefia dentro de uma empresa de limpezas industriais francesa, estabeleceu-se dentro da mesma atividade no concelho de Esposende, em 1985. Mais tarde, esta empresa foi passada para os filhos. Eu tinha funções de gerência e contabilidade até ao ano de 2015, onde pus termo a tais cargos nessa empresa.

Que características são cruciais para que uma liderança possa ser positiva e funcionar, na medida do crescimento e sucesso de uma empresa ou de uma marca?

É fundamental haver uma boa organização e comunicação entre as partes de direção e de produção. Além da comunicação, é necessário que os custos sejam bem calculados para que a margem não seja esmagada por encargos sociais. Esta é a base fundamental de uma empresa, pois é no trabalho, na qualidade, na pontualidade que se faz crescer uma empresa. A sua marca será uma consequência e dará frutos à sua visibilidade. O
sucesso irá ser a resposta do backoffice que estiver por detrás de toda a logística empresarial.

Como conjuga a vida profissional com a familiar/social e mesmo pessoal? Qual a importância de um bom equilíbrio entre estas vertentes para a sua realização pessoal?

A vida pessoal fica um pouco penalizada, pois há forçosamente muitas horas de trabalho à volta de uma empresa. No meu caso, tenho muito tempo livre para me dedicar ao trabalho, visto que a nível pessoal terei que reconstruir essa estrutura na minha vida. É necessário, sim, um bom equilíbrio, entre as duas vertentes pois sem ânimo, sem alegria de viver, a vida empresarial torna-se um marasmo, uma rotina que não acrescenta valor
nem à empresa nem à nossa realização pessoal. Temos que trabalhar com alegria e entusiasmo.

Grand Atelier

Em que período da sua vida decidiu mudar de área? E porquê a vertente artística?

Mudei de área quando a saturação profissional e emocional já era impossível de gerir, de tal forma que resultou num Linfoma de Hodgkin, em 2015, o que me levou a fazer uma paragem. Nessa pausa, voltei-me para a pintura em móveis decorativos, dando um novo look ao mobiliário Vintage. Dessa “brincadeira” resultou um pequeno atelier, onde ia dando asas à criatividade. Apesar de a pintura em móveis, hoje, já não ser tão procurada, o atelier continua, com pinturas em telas, grafite ou móveis, pois tudo se enquadra numa decoração ao gosto
do cliente.

O livro da “Princesa Arc-en-Ciel” surge de que forma, e porquê?

Esta semente, com três pequenos volumes, surge no confinamento, em França. Como se fosse uma urgência de deixar uma mensagem de esperança de que “tudo isto vai passar” , fui dando asas a outra vertente minha, desconhecida até então – criar uma princesa que iria destruir o Coronavírus (a infelicidade), tendo como arma o amor universal (construir a felicidade). Uma luta entre o bem e o mal. Onde o Amor venceria. O livro foi escrito em tempo real, onde cada ação que se ia desenvolvendo ao longo do confinamento foi adaptada de forma imaginária. Nessa fase, além da escrita, fui igualmente ilustrando a história com trabalhos gráficos já existentes e outros criados de raiz, necessários para o enredo em si.

O que podemos esperar do Atelier no futuro?

Do Atelier espero poder continuar a lançar para o mundo pérolas bonitas para que o meu tesouro escondido se revela e se renove a cada dia que passa. E para que vá ao encontro do sentimento do outro. O mundo precisa com urgência de amor, pois ainda vivemos uma tensão bem presente entre nós.