“Queremos ser os melhores”

Hugo Azevedo criou o Grupo Qualittá há 15 anos, e continua a diversificar o seu negócio constantemente. Atualmente com cerca de 380 funcionários, a empresa especialista em limpezas industriais nunca parou de trabalhar, mesmo em época de confinamento, algo que deixa o CEO muito orgulhoso.

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Hugo Azevedo, CEO

A personalidade de Hugo Azevedo é, segundo o próprio, aquilo que o leva a estar continuamente à procura de novos objetivos e oportunidades. Descreve-se como insatisfeito e inquieto e procura sempre mais e melhor para a sua empresa e os seus colaboradores.

Durante a entrevista, o CEO do Grupo Qualittá falou deste e de outros projetos que desenvolve, da importância da limpeza enquanto área de atividade e de como antecipa os próximos tempos, no que respeita à evolução económica.

O que o levou a criar o Grupo Qualittá?

Começou quase por brincadeira. Eu trabalhava por conta de outrem, na área do Turismo, e decidi avançar com um outro projeto. Comecei por conjugar os dois trabalhos – cumpria o horário diurno na agência de viagens em que trabalhava e à noite fazia limpeza de vidros. Comecei a ter uma empregada a trabalhar comigo, depois duas, três, e foi aumentando, até que nos tornámos uma empresa. Há cerca de três anos, alargámos as nossas áreas de atuação.

Durante os primeiros 10 anos de existência do Grupo Qualittá ainda foi possível conjugar funções em duas áreas diferentes – o Turismo e as Limpezas – atualmente dedico-me a 100% a esta atividade.

E em 2009 e 2011, surgiu a Qualittá Lavandarias e Higiene….

Sim, a Qualittá Higiene foi criada para dar resposta àquelas empresas que, embora não necessitem de uma equipa de limpeza industrial, têm sempre necessidade de consumíveis – papel higiénico, gel para mãos, toalhas… Foi mais uma área de atuação em que resolvemos entrar. Sobre a Lavandarias, é mais um serviço que damos ao nosso cliente corporativo no sentido de não sair do seu trabalho ou escritório. A sua roupa da empresa e pessoal vai ter à sua empresa sem se incomodar. Temos muitos clientes que estão a trabalhar e recebem a roupa pessoal dentro do horário de trabalho. “Quando entram na sua viatura já tem o seu cesto colocado na mala”. Tentamos ser diferenciadores.

Como é que o Grupo Qualittá fez frente à situação de confinamento e paragem total das atividades?

Os primeiros 15 dias foram muito difíceis, pois os empresários não sabiam como seria o dia seguinte… Mas tive uma grande ajuda, de todo o quadro de pessoal, incluindo o nosso departamento jurídico, liderado por Eduardo Castro Marques, e o nosso departamento financeiro e de contabilidade, liderado pela Andreia Ramos. Todos foram inexcedíveis. Conseguimos fazer um levantamento das necessidades imediatas, perceber o que teria de ser feito para pagarmos todos as nossas obrigações fiscais e os salários dos cerca 380 colaboradores, que dependem da empresa e ainda encontrar soluções que nos fizessem continuar a trabalhar. Felizmente, ganhámos um concurso para limpeza dos espaços onde pernoitavam os médicos que estavam a trabalhar na linha da frente do combate à Covid-19 e começámos a fazer as desinfeções.

Quando isso aconteceu, houve necessidade de formar os colaboradores para esta nova realidade?

Sim, e tivemos ajuda de uma empresa de Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho, para executarmos uma preparação diferenciada no que respeita às desinfeções de espaços. Aliás, para que os meus colaboradores possam sempre estar confiantes e se sintam valorizados pelo trabalho que desempenham, eu faço questão de executar sempre a primeira tarefa, quando é algo novo. Foi o caso. A primeira desinfeção no terreno foi feita por mim. Tenho a melhor equipa nesta atividade. Sinto-me orgulhoso.

Parte da equipa Qualittá

Parece-lhe que, neste momento, a área da limpeza já é mais valorizada?

Acredito que nos dão mais valor do que davam, mas os clientes têm tendência para se lembrar de nós apenas quando necessitam. Por isso, esta não é uma área muito fácil de trabalhar. Nós, empresários, temos de saber dar às pessoas o valor que elas merecem. Eu sou muito exigente com os meus colaboradores, mas gosto de trabalhar com pessoas otimistas e de ter um bom ambiente de trabalho. Aqui, temos um lema – “Não queremos ser os maiores, mas os melhores”, e, para isso, é necessária formação constante e uma aposta forte na qualidade do serviço. Por querer que sejamos os melhores, também desejo que os meus colaboradores ganhem mais do que os outros. Esse era um objetivo a concretizar até ao final deste ano, que talvez só seja concretizável no início de 2021, devido à pandemia.

Foi precisamente a pandemia que o levou ao desenvolvimento de um projeto pioneiro em Portugal – a PortCov. Em que consiste?

Sou sócio deste projeto, com muito orgulho. A PortCov é a primeira empresa a fabricar pórticos de higienização, certificados por duas entidades. Detenho 33% da quota, num investimento feito em plena pandemia e que já chegou ao Brasil, à Suíça, a Angola e recentemente assinámos um contrato com mais 12 países, através do nosso representante internacional. É mais uma prova de que não podemos parar. Os portugueses têm uma forte capacidade técnica e não têm medo de trabalhar para concretizar uma ideia.

Que avaliação faz da retoma económica anunciada?

Não me parece que esta já esteja a acontecer. Nós estamos a trabalhar com todos os recursos, atualmente, mas trabalhamos com setores tão distintos como as clínicas de saúde, o setor automóvel e o turismo e restauração. Este último ainda não recuperou da forma que se pensou que recuperasse. No entanto, temos empresas que nos pedem muito mais frequentemente para fazer desinfeções do espaço, tendo em conta o bem-estar dos colaboradores. Os empresários estão atentos a estas necessidades. No entanto, presumo que só em março do próximo ano retomaremos efetivamente os valores positivos da economia, e falamos sempre em valores de 2016. Ate lá, antes de melhorar vai piorar e a economia vai ter uma retoma em U e não em V, como todos pretendíamos. Ainda assim, acredito que se todos estivermos unidos – eu, o meu cliente, o meu fornecedor, os meus colaboradores, a Banca e o Estado – não há que ter vergonha de ir para níveis de faturação de 2016. Nós vamos superar este momento. Acredito que o futuro vai ser risonho e, claro, somos Portugueses: “isso faz toda a diferença”.

www.qualitta.pt

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