Que obstáculos enfrentou ao longo da sua jornada empreendedora e como esses desafios moldaram a líder que é hoje?
A Prescription Pilates nasceu da constatação de que, em Portugal, o Pilates era ensinado quase exclusivamente numa perspetiva clínica. Vi uma oportunidade de introduzir uma abordagem mais dinâmica, inspiradora e orientada para a comunidade, que fosse rigorosa, mas também mais acessível, energizante e focada no estilo de vida. Lançar este conceito num novo país foi um desafio. Como fundadora de primeira viagem e expatriada francesa, tive de construir tudo de raiz, sem um plano definido, enquanto me adaptava a um novo sistema, liderava equipas e geria o crescimento. Fazer tudo isto enquanto me tornava mãe de dois filhos levou-me a desenvolver clareza, estrutura e foco no que realmente cria valor a longo prazo. Com o tempo, isto reforçou a minha convicção de que a liderança não se trata de ter todas as respostas, mas sim de estar disposta a desafiar o status quo, aprender continuamente e assumir responsabilidades.
Apenas um terço das mulheres acredita ser possível alcançar o sucesso sozinhas. Em que medida a sua história contradiz esta perceção e que fatores considera cruciais para cons truir um negócio como o da Prescription?
A minha história mostra que é possível, mas também realça que “sozinha” não significa isolamento. Empreender exige autonomia, mas também a capacidade de construir as relações certas com clientes, equipas, mentores e parceiros. O sucesso a longo prazo não se resume apenas ao crescimento, mas à criação de um modelo resiliente, equilibrado e alinhado com a vida real. Para mim, os principais fatores para construir a Prescription Pilates foram ter uma visão clara, manter-me profundamente ligada à qualidade do serviço e manter-me fiel ao conceito, mesmo sob a pressão do crescimento. A consistência, a atenção aos detalhes e o pensamento a longo prazo foram essenciais. O sucesso não se trata de velocidade, mas sim de alinhamento entre o propósito, a execução e os valores.
“O sucesso a longo prazo não se resume ao crescimento, mas sim à criação de um modelo resiliente, equilibrado e alinhado com a vida real”.
Que medidas concretas devem ser implementadas em Portugal para fomentar o empreendedorismo feminino?
A nível institucional, o acesso ao financiamento e à formação deve ser mais inclusivo e ajustado às diferentes fases do empreendedorismo. Programas de mentoria entre empreendedoras experientes e fundadoras emergentes podem ter um impacto relevante. É também essencial promover modelos femininos visíveis e apoiar o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, através de políticas como a educação de infância e estruturas flexíveis, enquanto facilitadores económicos.
Que mensagem quer deixar às mulheres que ambicionam criar o seu próprio projeto?
Não precisa de se sentir pronta para começar, precisa de começar para se sentir pronta. A confiança não é um pré-requisito; constrói-se com a experiência. Esperar pelo momento perfeito ou pela certeza absoluta significa, muitas vezes, esperar indefinidamente. Rodeie-se de pessoas que a apoiem e desafiem, mantenha-se curiosa e lembre-se que a sua perspetiva tem valor. O mundo não precisa de mais perfeição; precisa de mais mulheres dispostas a tentar.









