Como caracteriza a Geopalm? Como se posiciona no mercado?
Somos uma empresa de Geoengenharia, que se preocupa com a medição rigorosa e a caracterização dos fenómenos mensuráveis e localizáveis. Gostamos de dizer que reproduzimos virtualmente a realidade. Fazemo-lo
através de modelos conceptuais, como levantamentos topográficos, levantamentos arquitetónicos, modelação 3D, Laser Scanning 3D, produção de cartografia homologada pela Direção-Geral do Território, Sistemas de Informação Geográfica, produção de cadastro geométrico e predial, desenvolvimento e dinamização de balcões únicos do prédio (BUPI), cadastro de infraestruturas de serviços como saneamento, abastecimento de água, gás, eletricidade, entre outros.
Para além destas atividades, executamos a digitalização de estruturas e elementos físicos, o que fazemos através de várias técnicas, com recurso a ferramentas tradicionais da topografia, desde estações totais, antenas GPS, até sistemas de varrimento laser scanning terrestre, SLAM (Simultaneous Localization and Mapping), Laser Mobile Mapping ou Drones.
Todas estas tecnologias e atividades servem de apoio ao desenvolvimento de projetos na Indústria 4.0, nomeadamente a AEC (Arquitetura, Engenharia e Construção).
Como é possível levara cabo estes levantamentos e cadastros?
Temos acompanhado e investido na evolução da nossa tecnologia, o que se reflete na qualidade dos nossos serviços. Este investimento tem sido feito de um modo sustentável, através da aquisição de novos equipamentos/softwares e da constante formação da equipa. Tudo isto resulta da evolução da nossa visão e estratégia, apoiada na experiência acumulada. Isso permite-nos apurar qual a tecnologia de ponta que está
disponível no momento e como pode acrescentar valor aos nossos projetos. A maior prova disso foi que, logo a seguir à fundação da empresa fez-se um investimento considerável num laser scanner, que é um equipamento que efetua levantamento LIDAR e que, através de estacionamentos em diferentes posições, nos permite fazer a
digitalização de tudo o que seja visível.
Isso significa que, em cada posição, tudo o que for visível a 360 graus no eixo horizontal, e 180 graus no eixo vertical, é possível ser registado pelo equipamento, com um alcance de cerca de 200 metros. Quando este
levantamento estiver concluído, teremos uma pointcloud, que é não mais que um modelo 3D composto por milhões de pontos. A partir daí, conseguimos fazer tudo, desde plantas arquitetónicas a plantas de equipamentos, plantas topográficas, modelos 3D, cartografia…
Temos ainda a possibilidade de conjugar e integrar este tipo de tecnologias com Drone, o qual faz não só o levantamento aerofotogramétrico, como também a digitalização através de um sensor LIDAR (light detection and
ranging), criando igualmente uma pointcloud. Também dispomos de um outro sensor LIDAR, baseado na tecnologia SLAM, que consiste num sensor móvel operado por um técnico. Esta técnica de digitalização LIDAR
permite a recolha em movimento, ao longo de um trajeto, através da estrutura a ser levantada. Em tempo real, o dispositivo consegue tirar não só fotografias, mas também informação vetorial e geométrica, através do sensor laser.
Além disto, temos disponível a tecnologia Laser Mobile Mapping. Esta tecnologia alia a técnica de SLAM com o conhecimento do posicionamento em tempo real, com recurso a dispositivos GNSS (Global navigation satellite system). Esta tecnologia caracteriza-se por ter o dispositivo instalado num veículo terrestre (rodoviário ou ferroviário), podendo cobrir maiores áreas de trabalho, e assim, obter maior volume de informação.
Também temos tecnologia que nos permite digitalizar o subsolo, através de ondas eletromagnéticas, para o que, dispomos de Trolleys Georradar, mais conhecidos como Ground Penetrator Radar (GPR). De notar que esta
técnica permite uma inspeção não invasiva e não intrusiva, na medida em que não carece de intervencionar o subsolo. Para obter os resultados pretendidos, será necessário recorrera técnicos experientes, para registar e
interpretar radiografias transversais ou longitudinais ao longo de uma infraestrutura enterrada (por exemplo, águas pluviais, abastecimento de gás…). Esta tecnologia consegue detetar, não só a posição da infraestrutura, mas também aferir a geometria e materiais. Permite ainda perceber se a infraestrutura está ativa e o estado de conservação da mesma. Com uma quantidade adequada de radiografias do subsolo, é possível gerar um modelo 3D da infraestrutura enterrada. Também possuímos tecnologia para trabalhar com infraestruturas eletromagnéticas, designadamente telecomunicações e eletricidade, através do CAT Scan, que é um detetor de cablagem.
Toda esta informação apurada pelas atividades de Geoengenharia, e congregada entre si, permite apoiar a digitalização e o desenvolvimento de projetos em BIM (Building Information Modeling). Deste modo, não só a
própria geometria da estrutura fica modelada em 3D, como a informação alfanumérica de todos os elementos estruturais, técnicos ou ornamentais fica associada ao projeto.
Toda esta informação gerada pelas atividades de Geoengenharia, congregada entre si, pode apoiar a digitalização e o desenvolvimento de projetos em BIM, em que a própria estrutura fique digitalizada, com todos os detalhes, tanto estruturais como arquitetónicos. Tudo isto fica associado a uma base de dados, onde pode constar todo o tipo de informação. Assim, o modelo 3D passa a estar associado a uma base de dados. Para o FM (Facility Management), a informação organizada deste modo é muito importante. Com esta ferramenta é possível consultar toda a informação necessária para o plano de manutenção de algum elemento estrutural, equipamento, entre outros, sendo possível, designadamente, consultar as características dos elementos e, assim, prevenir qualquer risco.
Um dos grandes desafios em Portugal é a dificuldade de planeamento das obras. Até que ponto é que esta integração com a Geoengenharia já existe e lhe é atribuída importância?
Esta dificuldade acontece cada vez menos. Tem havido uma grande preocupação das entidades contratantes em delinear um bom planeamento para prevenir erros construtivos, derrapagens orçamentais, controlo de prazos, enquadramento urbanístico desadequado, entre outros.
Sabemos que o setor privado andará sempre à frente do público no que respeita à tendência de novas tecnologias, porque o público, por princípio, só adota técnicas e novas tecnologias quando estas se tornam casos de sucesso. Felizmente, há cada vez menos casos de falta de planeamento.
Por exemplo, no que respeita ao planeamento urbano, verificamos que este já existe e já é pensado num futuro a médio/longo prazo. Temos técnicos nas entidades contratantes que conseguem demonstrar aos decisores que,
quando se utiliza a Geoengenharia no apoio ao projeto, os resultados são melhores e os erros são mitigados.
Quais os projetos nacionais e internacionais em que participaram e que gostaria de salientar?
A nível internacional temos tido oportunidade de fazer trabalhos fantásticos. Já fizemos trabalhos como a digitalização dos edifícios do novo campus da universidade de Ulster, em Belfast. Fomos convidados para
digitalizar integralmente esses novos edifícios e esse foi um dos maiores projetos que fizemos. Também temos feito o acompanhamento de obras de Metro, com o acompanhamento da execução de túneis e, em simultâneo, a sua digitalização. Esta digitalização é efetuada de modo a permitir o controlo e a monitorização do projeto em tempo real. Também já operamos no mercado espanhol e francês. O mercado europeu é o nosso mercado de interesse, porque nos dá garantias de evolução. No Reino Unido também desenvolvemos vários projetos, como por exemplo, levantamentos arquitetónicos, topográficos e de monitorização de estruturas.
Um dos projetos de maior relevo que tivemos no Reino Unido consistiu em fazer o controlo dimensional de peças pré-fabricadas em betão com recurso a Laser Scanning 3D. Neste caso concreto, afigurou-se necessário
proceder ao controlo destas estruturas antes de estas serem instaladas nas estações de metro da nova linha Elisabeth. Em Portugal, existem cada vez mais projetos de maior dimensão, embora não com a frequência que
conseguimos ter internacionalmente. No nosso país, trabalhamos muito para empresas do setor privado, tal como do público.










