Tecnologia e compromisso com o ambiente ao serviço de uma sociedade mais sustentável

A EcoAmbiente é, desde 1995, uma empresa multisserviços na área do ambiente. Presta uma ampla gama de serviços em todo o território nacional, contribuindo ativamente para a implementação de uma economia circular sustentável, na promoção de comportamentos responsáveis e no incentivo diário junto das populações de práticas ambientais com impacto direto na sociedade. Helder Baptista, o CEO, assume o papel importante da tecnologia no desenvolvimento da empresa e do seu papel na sociedade, bem como as ações decisivas da mão de obra qualificada.

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A EcoAmbiente é uma empresa com três décadas de atividade no setor da economia verde e da preservação do meio ambiente. Em três décadas, o que mudou nesta área, em traços gerais?

Nos últimos 30 anos verificamos uma evolução ancestral do conceito de “lixo” para o conceito atual de “resíduos” e estamos a entrar numa era do conceito contemporâneo da reutilização dos recursos.
Foram 30 anos em que se notou uma profunda e estrutural alteração no setor dos resíduos, que começou com o encerramento definitivo das lixeiras a céu aberto, em 2002, com a criação de aterros sanitários controlados e sistemas de reciclagem; com a definição de metas ambiciosas para a redução do envio de resíduos para aterros e aumento da reciclagem, com o PERSU 2020, que foca a prioridade na prevenção, preparação para reutilização, reciclagem, outras formas de valorização (como a energética) e, em último recurso, a deposição em aterro; até aos dias de hoje, em que se promove a eficiência na utilização de recursos, promovendo a sua reutilização e evitando a produção de mais residuos.
No presente o foco da política internacional e nacional passa por promover uma economia circular, onde os resíduos são classificados como potenciais recursos, promovendo a sua reutilização e a sua valorização, evitando desta forma a produção de desperdício, para minimizar a produção de resíduos.
Foram anos desafiantes no que respeita ao desenvolvimento de uma estratégia e enquadramento regulatório na área dos resíduos, em toda a sua cadeia de valor, desde os meios de deposição de resíduos, as hierarquias de resíduos, os sistemas de recolha, até ao seu destino final.

Quais os aspetos em que a EcoAmbiente efetivamente se tornou mais sustentável e eficiente?

Em 2023, a EcoAmbiente foi o primeiro operador privado a investir numa viatura pesada de grande tonelagem, 100% elétrica, para a recolha de resíduos. Fomos pioneiros em usar as tecnologias de mobilidade consideradas mais
sustentáveis num setor com desafios técnicos muito relevantes. Estamos na vanguarda para atingirmos, a médio prazo, a neutralidade carbónica na recolha de resíduos, também pelo contínuo investimento em viaturas mais eficientes e em motoristas mais capacitados. Temos avaliado várias opções para a implementação de processos de
recolha de resíduos, serviços de limpeza urbana e de manutenção de espaços verdes, com o objetivo de desenvolvermos prestações de serviços mais sustentáveis e com impacto mais reduzido no ambiente.

Em pleno Verão, torna-se fundamental falar do espaço florestal, que continua a representar um grande risco de incêndio. O Governo já veio informar que nem todo o território florestal está limpo por falta de recursos humanos. A EcoAmbiente desenvolve este tipo de serviço. Quão importante é este recurso e a sua conservação para o ambiente e para a atenuação das alterações climáticas?

Se for realizado um levantamento dos custos que o país suporta com o combate a incêndios, iremos concluir que continuamos a gastar um montante mais elevado no combate a incêndios que o valor que se investe na proteção
das zonas rurais e florestais, com planeamento, atuação preventiva e valorização do extenso ativo florestal que Portugal tem.
Observando o que algumas empresas privadas têm feito no que diz respeito à prevenção de incêndios florestais, nomeadamente as empresas que gerem as redes elétricas de alta e média tensão, verificamos que têm tido êxito
elevado, pela ausência de incêndios de grande dimensão e pela capacidade de reconversão de zonas sem qualquer utilidade em áreas florestais produtivas.
Olhar para as zonas florestais e rurais numa perspetiva de valorização do território é o primeiro passo na prevenção de incêndios, e assim evitar danos irreparáveis nos nossos ecossistemas e na biodiversidade.
Além disso, a floresta, nas suas diversas formas, é o principal mecanismo natural que ajuda a reduzir os gases de efeito de estufa e a mitigar as mudanças climáticas. Por isso, para a EcoAmbiente, a requalificação das áreas florestais é um tema sensível, que faz parte da nossa agenda diária de trabalho.
Muitos dos clientes institucionais que recorrem aos nossos serviços, como por exemplo os operadores da rede elétrica nacional, contam com equipas especializadas e tecnologia de ponta que resultam em trabalhos eficientes que contribuem em larga escala para a conservação do espaço florestal e para a segurança de todos.


A recolha dos resíduos é uma atividade importantíssima para manter os aglomerados populacionais em condições de higiene seguras. No entanto, após essa recolha, há cuidados e preocupações com a reciclagem destes resíduos que se devem ter em conta. Qual é o papel da EcoAmbiente, a partir do momento em que efetua a recolha dos resíduos?

Na área dos resíduos urbanos, a EcoAmbiente atua essencialmente nos serviços de recolha e transporte de resíduos para destino final. No setor privado, como por exemplo em algumas cadeias de hotéis e empresas industriais, a EcoAmbiente procede a operações de triagem dos resíduos recolhidos por forma a garantir a valorização da maior fração possível dos resíduos recolhidos junto dos clientes. Neste caso concreto, atuamos junto dos nossos clientes e parceiros de negócio, na procura da melhor solução para a valorização dos mesmos. Não podemos deixar de referir que a principal valorização dos resíduos não é feita após, mas sim por cada um de nós, nas nossas casas, nas nossas empresas, nos cafés, restaurantes e em todos os estabelecimentos abertos ao público.

Explicam que atuam de forma “inovadora” na área da gestão de resíduos. O que vos torna inovadores nesta área? Que mais-valias traz essa inovação à população e às cidades, no que respeita à qualidade de vida e à redução da pegada carbónica?

A EcoAmbiente colocou, nos últimos anos, a inovação na sua estratégia. Temos na nossa estrutura um diretor de transformação digital cujo objetivo é avaliar de forma permanente a incorporação de inovadores processos na
atividade da EcoAmbiente. Fazemos parte de um consórcio de 19 Entidades portuguesas que constituem a Agenda CircularTech, que tem como principal objetivo desenvolver soluções, produtos e serviços inovadores que abranjam
toda a cadeia de valor dos resíduos. Ao longo da cadeia de valor, a Agenda pretende recolher mais dados, criar conhecimento, incorporar a inteligência criada a partir desses dados em cada fase do processo, capacitar os cidadãos, desenvolver soluções que permitam a recuperação de materiais que hoje se perdem e criar normas para os processos de gestão de resíduos que garantam eficiência.

A relevância dos dados e da capacidade de extrair, construir e analisar conhecimento e de o aplicar de modo estruturado na tomada de decisões é cada vez mais a nossa realidade. A introdução de novos processos na atividade da EcoAmbiente, nomeadamente na área de limpeza urbana e recolha de resíduos tem permitido melhorar a qualidade de vida das populações. Damos como exemplo o desenvolvimento de aplicações que permitem às populações poderem agendar a recolha de resíduos como monstros ou monos.
Por outro lado, com uma monitorização em tempo real dos contentores de deposição de resíduos, permite desenvolver sistemas de recolha mais eficientes, evitando assim a realização de quilómetros sem produtividade e eficiência, com impacto direto na redução
das emissões de carbono.

A gestão inteligente das cidades é uma expressão utilizada em conjunto com expressões como “sustentabilidade” e “economia circular ou sustentável”. Em que é que se reflete, no dia a dia, esta “gestão inteligente”?

Este é um tema complexo, e que pode ter visões distintas, dependendo da experiência de quem fala sobre o mesmo. Na minha opinião, devemos olhar para a gestão inteligente das cidades, como um ecossistema onde devem coexistir componentes e/ou sistemas de hardware, redes de comunicação e sistemas de informação. Estes sistemas ciberfísicos permitem monitorizar em tempo real as principais atividades das cidades, como por exemplo, a recolha de resíduos, os sistemas de rega de espaços verdes,
a iluminação pública, o tráfego automóvel, e apoiar a tomada de decisões sobre as atividades a realizar, automatizando-as e/ou tornando os processos globalmente mais eficientes. Analisemos o exemplo de uma cidade onde se implementa recolha flexível de resíduos baseada em sistemas ciberfísicos. Isto quer dizer que estamos a incorporar sensores e sistema de medição nos diferentes meios físicos, como equipamentos de deposição ou viaturas, e humanos, necessários à realização da nossa atividade de recolha e transporte de resíduos. As redes implementadas garantem a comunicação atempada dos dados entre os diferentes sistemas; e os sistemas de informação propõem recolha dinâmica tendo por base os pressupostos de salubridade e higienização pretendidos. Com a evolução desta implementação, a utilização dos recursos vai-se tornando cada vez mais autónoma, inteligente e eficiente.


Como está a EcoAmbiente comprometida, também, com este objetivo?

A EcoAmbiente tem investido em várias vertentes de inovação, desde a de monitorização do parque de contentores e disponibilização de plataformas que permitam visualizar em tempo real o nível de enchimento dos contentores, disponibilização de plataformas que permitem aos clientes a visualização da execução dos serviços prestados em tempo real, bem como o desenvolvimento de aplicações web e mobile para que as populações possam agendar diretamente a recolha de resíduos
como monstros ou monos.

Quais os desafios que a EcoAmbiente antecipa para o futuro deste setor, e como se está a preparar para os enfrentar?

Os próximos anos vão ser ainda mais desafiantes. Estão a ser introduzidas novas fileiras, como os Biorresíduos, por exemplo, que já
estão em curso, e passar-se-á à massificação da recolha-a-porta para se implementar o sistema “Pay-As-You-Throw” (PAYT). Neste sistema de poluidor/pagador, serão os produtores de resíduos a pagar uma taxa com base na quantidade de resíduos indiferenciados que produzem, desenvolvendo uma política mais justa e responsável.