“Temos a oferta mais inovadora e competitiva do mercado”

Fundada em 1997 por professores universitários, investigadores e especialistas em negócios, a MIND desenvolve e comercializa soluções tecnológicas integradas para as indústrias do calçado, automóvel, têxtil, vestuário e mobiliário. O objetivo é oferecer melhores soluções aos mercados-alvo, antecipando as necessidades dos clientes. João Bernardo, CEO da MIND, sublinha a importância desta empresa para o setor.

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João Bernardo, CEO

Quais são as principais mais-valias da utilização dos softwares que a MIND apresenta?

A MIND é uma software house e, como tal, o seu negócio fulcral é o desenvolvimento de software na perspetiva da conceção, do desenvolvimento e do lançamento comercial de produtos próprios. A oferta que foi consolidando está na sua génese. Os fundadores da MIND eram professores do Instituto Superior Técnico, em áreas de Engenharia Informática, e investigadores no INESC – Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores. No âmbito dessa atividade, fomos desenvolvendo projetos de investigação e chegou uma altura em que achámos que alguns dos resultados desses projetos teriam mercado. O que fizemos foi alavancarmo-nos naquilo que eram as nossas áreas tecnológicas fortes e, com esse conhecimento de base e realizações que já vinham sendo feitas até então, criámos a oferta mais inovadora e mais competitiva possível. Dessa forma, acabámos por selecionar os nossos mercados-alvo. Atualmente, na área de gestão da informação, o nosso mercado é nacional. Do lado da indústria começamos, há muito tempo, um esforço de internacionalização que, felizmente, deu frutos. Temos um volume de vendas anuais, a nível internacional, que já tem alguma expressão no volume total de vendas da MIND. Estamos a falar em qualquer coisa na casa dos 20%.

A MIND sempre foi uma empresa muito à frente no seu tempo. Quando começaram, tudo aquilo que faziam estava na vanguarda daquilo que se podia apresentar em termos de software?

Eu diria que, do ponto de vista tecnológico, fomos sempre muito fortes. Aquilo em que a MIND teve de amadurecer ao longo do tempo foi na capacidade de gestão. Os fundadores passaram, de uma forma abrupta, do mundo da engenharia, da investigação e da atividade docente, para o mundo dos negócios. Hoje em dia, conseguimos crescer como crescemos sem estarmos associados a nenhum grupo empresarial. Somos uma empresa independente exatamente porque colocamos acima de tudo esse fator de inovação. Só assim conseguimos competir nalgumas áreas de negócio em que estamos envolvidos. Isso só se consegue garantindo que há vantagens competitivas marcadas em termos da qualidade dos produtos. É aí que podemos ser diferenciadores.

Todos os vossos produtos se adaptam à realidade de cada empresa?

Obviamente que, em muitas vendas, a nossa oferta é uma mistura de produto standard e serviços de customização e de integração que são necessários para construir a solução que o cliente requer.

Portugal já tem as suas empresas suficientemente ligadas à tecnologia?

Se falarmos da indústria do calçado, por um lado, e da indústria de confeção de vestuário, por outro, vemos que temos algumas empresas que estão apetrechadas com aquilo que de melhor existe do ponto de vista tecnológico para os seus processos organizacionais e produtivos. Estamos a competir com mais umas quatro empresas a nível mundial que têm uma oferta que, do ponto de vista da inovação tecnológica e da sua abrangência, se pode comparar à oferta da MIND. Os clientes que usufruem das nossas soluções ficam claramente ao nível tecnológico do que melhor há por esse mundo fora. Temos, por exemplo, experiência de contacto e de fornecimento de soluções para empresas de mobiliário e de calçado desportivo nos Estados Unidos. À escala da MIND, temos conseguido entrar nalguns clientes que, até ao nível internacional, são clientes de topo. Temos, portanto, conseguido abordar novos mercados e entrar no topo da pirâmide em termos de exigência. Isto é a prova viva da qualidade dos nossos produtos em termos de fiabilidade e de grau de inovação.

Qual é a importância das parcerias para a vossa atividade?

Há parcerias mais tecnológicas e parcerias mais comerciais. Dentro das parcerias tecnológicas, eu diria que são importantes pela necessidade de estarmos sempre muito ligados e próximos do tecido de inovação e de investigação. Do ponto de vista do negócio propriamente dito, temos parcerias que são feitas para complementar a nossa oferta. Além disso, há empresas que usamos como parceiras comerciais. São empresas que estão bem posicionadas nos mercados que queremos atingir e têm um conhecimento profundo dos setores industriais em que a nossa oferta se aplica.

Na sua opinião, a retoma está a acontecer?

Felizmente, o processo da pandemia não nos afetou o negócio. O ano de 2020 foi dos melhores anos da empresa. Em parte, foi circunstancial. Nós fornecemos soluções de corte automático e, de repente, em pleno processo pandémico, surgiram uma série de empresas que começaram a cortar materiais para fazer produtos de segurança médica. Houve financiamentos para aquisição desses equipamentos e isso beneficiou-nos. Também é verdade que percebemos que estas indústrias em que estamos envolvidos estão, cada vez mais, a ter de travar desafios que têm a ver com uma maior autonomização da produção. As empresas que querem sobreviver a esta guerra, cada vez mais, só têm uma saída que é apetrecharem-se tecnologicamente para o conseguir. Por outro lado, vai acontecer um processo de filtragem e de seleção natural. Vão pelo caminho, provavelmente, fechar empresas que não se inovaram a tempo. Em contrapartida, vão nascer novas empresas que têm uma perspetiva de inovação certa e que vão contribuir para o fortalecimento do setor. Continuamos a acreditar que, no futuro, a esmagadora maioria do nosso volume de negócios vai ser conseguida em Portugal.

O que é que está planeado para o futuro da MIND?

Há várias possibilidades de crescimento e de consolidação. Do ponto de vista tecnológico do desenvolvimento dos nossos produtos não temos de ter uma aproximação ao mercado nacional diferente da aproximação ao mercado internacional. As exigências e os desafios são os mesmos. O que temos de conseguir é mantermo-nos ao nível a que estamos em relação à nossa competitividade. Além disso, temos de ser inteligentes na forma como selecionamos as nossas apostas. Todos os anos vamos evoluir.