Que potencial identifica o Grupo HRV na transformação de sobrantes de limpezas florestais, podas e espécies infestantes em produtos com valor económico e energético?
A biomassa não deve ser vista só como fonte de energia, mas como um recurso com várias formas de valorização. Para a HRV, os sobrantes de limpezas florestais, podas e espécies infestantes são uma oportunidade de transformar resíduos em produtos com valor económico e ambiental.
O potencial está em passar de uma lógica de “resíduo” para uma lógica de recurso, utilizando estes materiais para diferentes aplicações, desde energia e calor a fertilizantes orgânicos e carvão vegetal. Esta abordagem permite maximizar o valor da biomassa e promover uma gestão mais eficiente dos recursos.
Até que ponto a criação de uma cadeia de valorização económica da biomassa poderá funcionar como incentivo à limpeza e gestão do território, aproximando a sustentabilidade ambiental de uma lógica de mercado?
A criação de uma cadeia de valorização da biomassa pode funcionar como incentivo à gestão do território, criando condições para que a limpeza e manutenção deixem de ser encaradas apenas como um custo. A existência de normas técnicas e meios adequados de recolha aumenta a eficiência, organiza a cadeia e reduz custos, tornando a valorização da biomassa economicamente sustentável.
“A criação de uma cadeia de valorização da biomassa pode funcionar como incentivo à gestão do território, criando condições para que a limpeza e manutenção deixem de ser encaradas apenas como um custo”
Como nasceu o projeto do reator pirolítico, destinado à produção de carvão vegetal a partir de biomassa, e quais foram os principais desafios tecnológicos? De que forma a experiência da HRV foi determinante para os superar?
A HRV possui no seu portefólio um reator pirolítico que permite transformar biomassa em carvão vegetal, nomeadamente para utilização em churrascos. O projeto nasceu da oportunidade de valorizar a biomassa e transformá-la num produto com valor acrescentado.
O principal desafio foi desenvolver um equipamento cada vez mais eficiente. para isso, a nossa equipa técnica trabalha em conjunto com entidades do meio científico e de investigação, conjugando a experiência da HRV com conhecimento especializado.
Que aplicações poderão surgir a partir do reator pirolítico e que nova oportunidade de negócio poderá abrir, tanto para o Grupo HRV como para empresas que trabalham com biomassa e resíduos florestais?
Atualmente, o reator pirolítico está a ser adaptado com diferentes tipos de biomassa, para além da de origem florestal, como bagaço de azeitona, casca de pinhão e casca de amêndoa. Esta adaptação permitirá alargar o campo de aplicação da tecnologia e criar novas oportunidades de negócio, tanto para a HRV como para empresas que produzem estes subprodutos, permitindo-lhes valorizá-los e transformá-los em produtos com valor acrescentado.

Para os próximos anos, que evolução antecipa para o setor da biomassa em Portugal e quais considera serem as principais oportunidades que irão marcar o seu desenvolvimento?
Antecipamos um crescimento da valorização da biomassa em Portugal, sobretudo através da substituição de produtos importados e de soluções com maior impacto ambiental.
Uma das oportunidades passa pela produção nacional de carvão vegetal para churrasco, através de processos mais eficientes e ecológicos. outra está na substituição do carvão mineral em unidades industriais com elevado consumo energético, nomeadamente no setor da siderurgia, através de soluções baseadas em biomassa.
Que ambição tem o Grupo HRV para o futuro e que lugar pretende ocupar na criação de soluções tecnológicas capazes de responder aos novos desafios da valorização de recursos e da transição energética?
A HRV pretende continuar a desenvolver soluções tecnológicas para a valorização da biomassa e a transição energética, através de reatores pirolíticos e equipamentos para pellets e fertilizantes orgânicos, afirmando-se como parceiro de engenharia e instalação para processos mais eficientes e sustentáveis.











