Uma Arquitetura feita de diálogo, proximidade e emoção

O MM Studio nasceu em 2021, após uma experiência profissional anterior na Noruega e na Dinamarca por parte da sua fundadora, Mafalda Monteiro. A profissional considera a Arquitetura uma área de vertente emocional, assumindo ser essa uma das razões pelas quais gosta de trabalhar de forma próxima com os seus clientes. Resiliente e obstinada, criou um atelier em nome próprio para garantir a liberdade do seu tempo, de forma a usufruir da criatividade para projetos com propósito.

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Aquando do nascimento deste estúdio, as influências desta experiência internacional fizeram-se sentir? Em que medida?

Claro que sim. A experiência tanto na Noruega como na Dinamarca foi crucial no meu crescimento e formação, não só humana, mas também profissional. Mudar-me para um país novo, com um clima completamente diferente e longe de todos foi duro. Tive que aprender na resiliência, ganhando estrutura sozinha e mantendo o meu foco: levar os objetivos até ao fim, mesmo que tropece pelo caminho.

Porque sentiu necessidade de criar um estúdio próprio?

Porque sou obstinada. Muito. Quando comecei no atelier onde trabalhei durante dois anos, entrei com um objetivo: sair dois anos depois e aproximar-me cada vez mais daquilo que queria: independência a nível de tempo, liberdade na produção e crescimento pessoal e profissional. A decisão foi tomada exatamente dois anos depois quando regressei de uma viagem a São Tomé e Príncipe, apesar de estar muito bem no atelier onde trabalhava, aprendi
muito e cresci muito também. Sou muito grata por isso e será sempre uma referência para mim.

Quais as características segundo as quais define o seu trabalho? Foi possível, efetivamente, alargar o seu âmbito criativo a partir do momento em que criou um espaço seu?

O meu trabalho assenta numa base de transparência com o cliente, transportando esse elemento para o papel. Isso é importante porque a Arquitetura é uma disciplina bastante emotiva e quando mergulhamos no projeto, surgem
naturalmente divergências de várias naturezas. Por isso, é importante saber definir uma linguagem na Arquitetura, tanto através dos materiais, como da iluminação, como da poesia que se lê em cada espaço e que se reflete sempre numa experiência sensorial.

Que projetos demonstram exatamente as características mencionadas anteriormente que gostaria de partilhar?

Acho que o projeto da Quinta da Fé, na Vidigueira. O cliente tornou-se numa pessoa próxima, e curiosamente foi o primeiro cliente que tive quando comecei a trabalhar sozinha. Comecei por desenhar a casa dele em Lisboa em plena pandemia, sendo que dois anos depois voltou a contactar-me para um projeto muito especial de well-being e retiros, na Vidigueira. Tive total liberdade de criação, de escolha de materiais, de iluminação, etc. Acredito que esta liberdade de criação seja o reflexo da confiança depositada pelo cliente e da transparência constante na nossa comunicação.

Os serviços complementares de construção e de consultoria imobiliária são importantes para este trabalho arquitetural? Em que medida?

Sim, de certa forma. Acredito que um futuro promissor numa área passe sempre pelo contacto com outras áreas, principalmente se estiverem relacionadas. Por isso, é fundamental complementar a Arquitetura com a construção civil, dando ao cliente a hipótese de seguir do papel para a realidade connosco também. Quanto à consultoria imobiliária, damos esse suporte ao cliente no início do processo, caso seja preciso, sendo que aí já estamos a criar uma relação próxima entre todos.