Uma determinação que abre caminhos

Determinada e movida pelo gosto pelo conhecimento, Andreia Borges construiu um percurso académico marcado pelo esforço pessoal, superação e defesa de uma liderança mais justa, diversa e sustentável.

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O seu percurso académico foi construído com enorme esforço pessoal, ao ponto de ter financiado o próprio doutoramento. O que é que essa conquista representa para si enquanto mulher e enquanto primeira pessoa da família a alcançar um nível tão elevado de estudos?
Hoje, com 31 anos, identifico um traço que define o meu percurso: determinação. O gosto pelo conhecimento moldou o caminho. A minha fórmula foi esta. Ser a primeira pessoa da família a doutorar-se representou uma vitória. Estudar foi, para mim, um ato que aporta um grande sentido de responsabilidade e compromisso.

Que desafios encontrou enquanto mulher em ambientes multiculturais e de que forma isso moldou a sua liderança e visão do mundo?
Reconheço que por vezes houve uma necessidade acrescida de provar a competência que tenho; contudo, foram também as experiências que vivi que contribuíram para moldar a minha visão de liderança. Procurei sempre pautar a minha atuação por princípios de justiça e equidade no tratamento com colegas.

A sua investigação cruza temas como liderança, sustentabilidade e responsabilidade social. Na prática, acredita que as mulheres trazem uma abordagem diferente à liderança nas organizações? Que características considera hoje mais urgentes no mundo empresarial e académico?
A investigação sugere que existem diferenças de estilo de liderança entre homens e mulheres. As mulheres tendem a apresentar estilos mais participativos, com maior atenção à colaboração e às dimensões relacionais da liderança.

Há também evidência de uma maior sensibilidade para questões como sustentabilidade e responsabilidade social. A presença de características tipicamente masculinas e femininas numa organização é necessária e fundamental; por isso, destaco a importância da diversidade de estilos de liderança e da complementaridade de competências. Mas para isso, as organizações têm de dar a oportunidade ao equilíbrio, nomeadamente em cargos de liderança.

Que mensagem gostaria de deixar às mulheres que sentem que os seus objetivos estão “longe demais” da realidade em que cresceram?
A mensagem que deixo é: sejam rebeldes, no bom sentido. Estudem. Algumas pessoas não vão acreditar nesse percurso, mas o que importa é que vocês acreditem. Não nascemos todos para seguir o percurso dos estudos superiores, mas se esse caminho fizer sentido, continuem.

Olhando para o seu percurso, houve algum momento em que pensou desistir? E o que gostaria que mais mulheres percebessem sobre a força necessária para ocupar espaços de decisão e reconhecimento?
Eu acredito nos encontros certos nos momentos certos; algumas pessoas cruzam o caminho, reconhecem e dão oportunidades. Foi também na minha perceção de autoeficácia que construí o caminho.