Como a Aliartalentos evoluiu de consultoria em eficiência energética para uma empresa multifacetada em engenharia elétrica, sistemas fotovoltaicos e gestão de energia, e de que forma essa integração beneficia os clientes?
Desde o início sabia exatamente o que queria para a Aliartalentos: disponibilizar ao cliente um verdadeiro serviço de consultoria capaz de reduzir os custos energéticos das empresas. Para isso, tivemos de dominar duas áreas fundamentais. A primeira está ligada à comercialização de energia, conhecendo profundamente a legislação do setor e as ofertas disponíveis no mercado. A segunda está ligada à engenharia, criando um departamento altamente qualificado e certificado, capaz de garantir credibilidade e qualidade nos serviços prestados.
A junção destas duas vertentes permite-nos oferecer um acompanhamento global aos clientes, tanto na eletricidade como no gás natural. Conseguimos identificar onde é possível intervir e apresentar soluções ajustadas à realidade de cada empresa, explicando sempre as vantagens e desvantagens de cada opção. O nosso objetivo é que o cliente consiga dizer, de forma consciente: «Esta é a melhor solução para a minha empresa».
A Aliartalentos é uma Entidade Instaladora certificada, que lhe permite assumir a responsabilidade integral de projetos elétricos em baixa e média tensão, bem como prestar o serviço TRE. Na prática, o que significa esta certificação?
Significa que conhecemos a legislação em vigor e que estamos habilitados a projetar e executar instalações elétricas dos nossos clientes. O serviço TRE é uma das maiores responsabilidades que podemos assumir, porque somos nós que verificamos se as instalações dos clientes cumprem todos os requisitos legais e, se necessário, corrigimos anomalias. Muitos empresários ainda encaram este serviço como um custo e não como um investimento na prevenção. Costumo dar o exemplo dos seguros: só lhes damos valor quando precisamos deles.
O mesmo acontece aqui: há a tendência para valorizar mais o “eletricista” do que o engenheiro eletrotécnico. Mas acima de tudo, o mais importante é que os nossos clientes percebam exatamente o que estamos a fazer nas suas instalações e porquê.
A instalação de UPAC com painéis solares fotovoltaicos é uma das vossas áreas de atuação. Que perfil de cliente vos procura mais neste domínio e que retorno podem esperar?
O nosso foco principal são as PME, mas também recebemos pedidos de empresas mais pequenas e de particulares que sentem um peso elevado na fatura da eletricidade. Recentemente instalámos uma UPAC (Unidade de Produção para Autoconsumo) num restaurante perto do nosso escritório e, logo na primeira fatura, o cliente reduziu mais de metade do valor habitual.
O retorno depende muito da utilização dada à energia produzida. Antes de apresentarmos uma proposta, guiamo-nos por diversos critérios técnicos, horários de funcionamento e períodos de maior consumo, para perceber se faz sentido instalar baterias ou não. Também explicamos detalhadamente os equipamentos utilizados, porque os painéis fotovoltaicos não são todos iguais e isso influencia bastante a produção anual de energia.
A Aliartalentos não trabalha para apresentar o preço mais baixo, mas sim a melhor relação qualidade/preço. Preferimos soluções tecnologicamente mais evoluídas que garantem maior eficiência e rentabilidade a longo prazo.

Eficiência energética e energia solar complementam-se? Faz sentido instalar painéis sem otimizar antes os consumos?
Eficiência energética e produção solar não são a mesma coisa. Uma empresa que instala uma UPAC não fica automaticamente mais eficiente, apenas passa a consumir energia de uma fonte alternativa. Eficiência energética significa produzir o mesmo, mas com menor consumo. Por isso, o primeiro passo deveria ser sempre uma Auditoria Energética, para identificar medidas que reduzam os consumos de energia (eletricidade e gás). A sequência mais lógica é otimizar primeiro os consumos e só depois dimensionar a UPAC à nova realidade. Instalar painéis logo à partida não está errado, mas não é a abordagem mais eficiente.
Portugal tem um dos maiores índices de renováveis da Europa. Onde identifica os maiores atrasos e oportunidades?
O problema não está tanto nos setores, mas na dimensão das empresas. Muitos apoios continuam desenhados para grandes investimentos. No último PRR para a descarbonização, por exemplo, o investimento mínimo era de 400 mil euros. Isso deixa a maioria das PME fora da equação. Tínhamos dezenas empresas preparadas para avançar caso os projetos fossem aprovados, mas nenhuma conseguiu fazê-lo. Depois surgem críticas de que os apoios são sempre para os mesmos, isto é, as grandes empresas. Felizmente, a Aliartalentos disponibiliza soluções que permitem instalar UPAC sem investimento inicial, pagando apenas através da produção energética, com poupanças imediatas e facilmente comprováveis. Quanto às oportunidades, ainda existem muitas. Há empresários e particulares com excelentes condições para instalar painéis solares, mas que continuam céticos. Outros gostariam de avançar, mas as características das instalações ou a rentabilidade do negócio não o permitem.
Que ambições tem a Aliartalentos para os próximos anos?
Tenho consciência de que ainda somos uma pequena empresa, em dimensão, mas somos grandes na qualidade e no rigor com que trabalhamos. E a Aliartalentos não é apenas o Sérgio – é uma equipa altamente qualificada, focada em prestar um serviço de excelência. Queremos crescer de forma sustentada em Portugal, consolidando uma imagem de confiança e proximidade com os clientes, tanto no acompanhamento técnico como no pós-venda. Outra ambição passa pela internacionalização, área onde já estamos a estudar novas oportunidades. A quem ainda pondera investir em eficiência energética e autoconsumo solar, digo apenas: não hesitem. O retorno é rápido e vale o investimento. Mas deixo também um alerta: não analisem apenas o preço, porque isso pode transformar-se num erro do qual mais tarde se irão arrepender.










