O que a levou a apostar na criação da Eliot?
A Eliot nasceu da convicção de que a mobilidade do futuro tem de ser desenvolvida para estar ao serviço das pessoas. Identificámos um desafio complexo e surgiu a oportunidade de criar soluções tecnológicas com impacto real – nomeadamente na logística médica, na defesa e em missões críticas. Encurtar distâncias para salvar vidas é mais do que um objetivo: é a missão que orienta o nosso trabalho.
Como tem sido o seu percurso, na área da Engenharia e enquanto mulher, considerando que esta área – e o setor dos transportes e logística – ainda é maioritariamente masculino?
Até assumir a Eliot foi um percurso tranquilo em que não sentia qualquer impacto em ser mulher. Com a Eliot tem sido um percurso bastante mais exigente, também pela dimensão do desafio. Desde cedo percebi que, sendo
mulher numa área fortemente masculina, teria de mostrar mais. No entanto, é algo que me motiva ainda mais e sei que isto poderá abrir o caminho a outras mulheres.
“Ver esse trabalho reconhecido
publicamente como aconteceu com o
atribuição do PEL Startup 2025 pela
APLOG reforça o valor do que
estamos a construir”.
Como tem sido este percurso enquanto CEO da Eliot, até ao momento?
Ser CEO da Eliot tem sido intenso e inspirador. Liderar uma estrutura jovem como a Eliot exige visão e estratégia, capacidade de execução e proximidade com as equipas. Trabalhar com foco na logística médica é algo que nos dá
uma dimensão muito concreta do nosso propósito: encurtar distâncias para salvar vidas. Liderar este projeto é sentir que podemos ter impacto real na vidas das comunidades.
Ver esse trabalho reconhecido publicamente, como aconteceu recentemente com a atribuição do PEL Startup 2025 pela APLOG – Associação Portuguesa de Logística, reforça o valor do que estamos a construir.
Que características pessoais aplica no seu trabalho, enquanto líder, que a ajudam a definir-se, no que respeita a esse papel?
Acredito numa liderança com visão e um forte sentido estratégico assente no poder da empatia e da colaboração. Este tipo de liderança só funciona com a proximidade com a equipa, com o incentivo à criatividade e focando o
nosso dia a dia no impacto que a tecnologia que estamos a desenvolver tem na vida das pessoas. A experiência de trabalhar num ambiente ainda pouco diverso levou-me a valorizar, de forma muito consciente, o reconhecimento
de talento com base no mérito, promovendo o desenvolvimento de cada pessoa independentemente do seu género ou percurso.
Quais os principais desafios que encontrou ao longo deste seu caminho de liderança?
Um dos desafios mais marcantes, e é diário, é o de construir credibilidade num setor ainda dominado por modelos de liderança muito tradicionais – o setor aeronáutico, logística e transportes. Outro grande desafio foi criar uma estrutura como a Eliot num setor altamente regulado e tecnologicamente exigente. E finalmente, há o desafio de manter o foco e a motivação da equipa.
Acredita que a liderança feminina faz diferença, de alguma forma, no mercado de trabalho nacional?
Acredito que uma liderança baseada na empatia e na colaboração tem um impacto positivo. A liderança feminina pode fazer uma diferença real e positiva porque a diversidade de pensamento, a empatia, a gestão emocional e a capacidade de trabalhar em rede são algumas das qualidades que, muitas vezes, as mulheres trazem para o espaço de decisão.









