“Uma liderança baseada na empatia e na colaboração faz a diferença”

Inês Folhadela Furtado é CEO da Eliot e também responsável pela Business Unit de Advanced Air Mobility do CEiiA. Engenheira de formação, tem liderado projetos na área da mobilidade aérea, com foco em soluções que encurtam distâncias para salvar vidas – da logística médica à defesa. Numa trajetória marcada pela inovação, pela resiliência e pela afirmação do feminino num setor tradicionalmente masculino, Inês é hoje uma das vozes que está a trabalhar para redefinir a liderança tecnológica em Portugal.

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O que a levou a apostar na criação da Eliot?

A Eliot nasceu da convicção de que a mobilidade do futuro tem de ser desenvolvida para estar ao serviço das pessoas. Identificámos um desafio complexo e surgiu a oportunidade de criar soluções tecnológicas com impacto real – nomeadamente na logística médica, na defesa e em missões críticas. Encurtar distâncias para salvar vidas é mais do que um objetivo: é a missão que orienta o nosso trabalho.

Como tem sido o seu percurso, na área da Engenharia e enquanto mulher, considerando que esta área – e o setor dos transportes e logística – ainda é maioritariamente masculino?

Até assumir a Eliot foi um percurso tranquilo em que não sentia qualquer impacto em ser mulher. Com a Eliot tem sido um percurso bastante mais exigente, também pela dimensão do desafio. Desde cedo percebi que, sendo
mulher numa área fortemente masculina, teria de mostrar mais. No entanto, é algo que me motiva ainda mais e sei que isto poderá abrir o caminho a outras mulheres.

Como tem sido este percurso enquanto CEO da Eliot, até ao momento?

Ser CEO da Eliot tem sido intenso e inspirador. Liderar uma estrutura jovem como a Eliot exige visão e estratégia, capacidade de execução e proximidade com as equipas. Trabalhar com foco na logística médica é algo que nos dá
uma dimensão muito concreta do nosso propósito: encurtar distâncias para salvar vidas. Liderar este projeto é sentir que podemos ter impacto real na vidas das comunidades.
Ver esse trabalho reconhecido publicamente, como aconteceu recentemente com a atribuição do PEL Startup 2025 pela APLOG – Associação Portuguesa de Logística, reforça o valor do que estamos a construir.

Que características pessoais aplica no seu trabalho, enquanto líder, que a ajudam a definir-se, no que respeita a esse papel?

Acredito numa liderança com visão e um forte sentido estratégico assente no poder da empatia e da colaboração. Este tipo de liderança só funciona com a proximidade com a equipa, com o incentivo à criatividade e focando o
nosso dia a dia no impacto que a tecnologia que estamos a desenvolver tem na vida das pessoas. A experiência de trabalhar num ambiente ainda pouco diverso levou-me a valorizar, de forma muito consciente, o reconhecimento
de talento com base no mérito, promovendo o desenvolvimento de cada pessoa independentemente do seu género ou percurso.

Quais os principais desafios que encontrou ao longo deste seu caminho de liderança?

Um dos desafios mais marcantes, e é diário, é o de construir credibilidade num setor ainda dominado por modelos de liderança muito tradicionais – o setor aeronáutico, logística e transportes. Outro grande desafio foi criar uma estrutura como a Eliot num setor altamente regulado e tecnologicamente exigente. E finalmente, há o desafio de manter o foco e a motivação da equipa.

Acredita que a liderança feminina faz diferença, de alguma forma, no mercado de trabalho nacional?

Acredito que uma liderança baseada na empatia e na colaboração tem um impacto positivo. A liderança feminina pode fazer uma diferença real e positiva porque a diversidade de pensamento, a empatia, a gestão emocional e a capacidade de trabalhar em rede são algumas das qualidades que, muitas vezes, as mulheres trazem para o espaço de decisão.