A saúde mental não pode nunca deixar de ser destaque, sobretudo porque, em Portugal, ainda não é um assunto central na cultura social e de trabalho.
As diversas exigências do dia a dia, seja no trabalho, em casa, e a nível pessoal, obrigam os indivíduos a estar quase sempre “um passo à frente” do momento que estão a vivenciar, o que leva a nunca desfrutar do presente, simultaneamente sentindo-se sempre sobrecarregados e ansiosos.
A realidade dos pais é, também, muito esta. Sobretudo em época de férias, quando as crianças passam mais tempo em casa e as condições financeiras podem não ser as melhores para permitir, por exemplo, o usufruto do apoio de um ATL ou do apoio familiar.
A preocupação constante com o bem-estar da criança ou do jovem, a incapacidade de lhe prestar muito apoio ou estar disponível para brincadeiras leva a que muitos pais e mães se sintam maus progenitores. Sentem que não conseguem dar conta de tudo o que lhes é pedido: os prazos apertados que têm de respeitar no trabalho, a capacidade financeira para conseguir dar o melhor possível aos filhos e assegurar ainda que têm tempo para si próprios, para os momentos em família e algum envolvimento social, com amigos e família.
A falta de tempo e a acumulação de tarefas leva, por vezes, a que os pais questionem a sua capacidade de ser bom pai ou mãe. Esta dúvida corrói e, não raras vezes, pode levar a um desequilíbrio nas relações dentro da família, como mais gritos, mais explosões emocionais, uma maior irritabilidade e um aumento da sensação de frustração.
Todos os desafios diariamente enfrentados pelos pais são mentalmente desgastantes e levam a um stress constante que pode necessitar de ajuda psicológica para ser resolvido.
A Ordem dos Psicólogos disponibilizou, aquando da pandemia, um pequeno questionário para avaliar o nível de stress parental em que as famílias viviam. Se selecionar entre 4 a 15 destas afirmações, é aconselhado procurar um psicólogo:
-Sinto-me muito cansado/a, tudo é um esforço para mim.
-Sinto que cuidar do meu filho/a consome mais energia do que aquela que tenho. 3
-Sinto-me ansioso/a, nervoso/a, preocupado/a ou irritável.
-Sinto-me sem esperança, acho que vai tudo correr mal.
-Sinto que não sou um bom pai/mãe.
-Sinto-me triste, nada me anima.
-Sinto-me sozinho/a e/ou não tenho a quem pedir ajuda ou apoio se precisar.
-Sinto-me distante da minha filha/o.
-Não consigo usufruir e tirar prazer dos momentos que passo com o meu filho/a.
-Preocupo-me com a minha capacidade financeira para dar uma boa vida à minha filha/o.
-Tenho dificuldade em equilibrar as minhas responsabilidades profissionais e parentais.
-Sinto que não tenho tempo para mim e que ser mãe/pai tomou conta de toda a minha vida.
-Não sei lidar com os comportamentos do meu filho/a.
-Sinto que estou a falhar como pai/mãe.
-Não aguento mais ser mãe/pai. Tenho vontade de fugir.
Em face de qualquer destas situações e sentimentos, a ajuda torna-se fulcral. Se pediria ajuda para uma outra qualquer situação médica, por que não fazê-lo quando a sua mente necessita?
Não se esqueça: a saúde mental é crucial para uma vivência plena da vida. Não adie uma ida ao psicólogo. Peça ajuda!
E se conhece alguém que possa estar a atravessar um mau momento de saúde mental, encaminhe para um psicólogo!
Reforçar a saúde mental é fundamental para uma população saudável e uma economia próspera!














