Valor Digital #016

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Em Portugal, a inovação é uma palavra presente em grande parte das empresas. Nos mais variados setores, os empresários e empreendedores compreenderam a importância de conhecer as novidades, no que respeita a tecnologias, materiais e mesmo formas de trabalhar, que simplifiquem, melhorem e tornem mais rápido o seu trabalho.

O objetivo final é sempre conseguir alcançar as expectativas que o cliente criou, pelo que estar na vanguarda das soluções existentes no setor é fundamental.

O Instituto Nacional de Estatística demonstra que, entre 2020 e 2022, 44,7% das empresas eram inovadoras, e 51,9% delas introduziu inovações que trouxeram benefícios para o ambiente.

Os alvos da inovação foram o produto e os seus processos, sendo que a maioria das empresas inovou particularmente no segundo aspeto.

De entre as empresas com mais de 250 clientes, a taxa de inovação é de 79,1%.

As empresas dedicadas à construção são um exemplo desta inovação. Desde os materiais, às técnicas construtivas, passando pelos processos que aplicam no seu dia a dia laboral, para gerir equipas, equipamentos e timmings, tudo pode ser melhorado, otimizado, e é isso que estas empresas procuram fazer, porque tempo é dinheiro, quando se tem de concluir um projeto para poder vender o edifício.

O material é um das áreas que mais preocupam as empresas. Vários aspetos importam: o prazo de entrega do material – o just in time é importantíssimo para garantir a segurança dos materiais e a continuidade fluida da obra; a qualidade – cada vez mais, é crucial que os materiais sejam capazes de durar e de fazer a sua função sem falhas; o custo – os materiais têm vindo a encarecer e é muito importante ter uma noção exata do planeamento de obra, para garantir que o material é o necessário e que sobrarão apenas pequenas quantidades, adquiridas para suportar os imprevistos do projeto.

Um dos grandes desafios é, pois, o que fazer ao desperdício de obra? Será, de facto, desperdício? É possível utilizá-los numa outra obra? As empresas começam já a criar estratégias e aplicações para garantir que esta situação pode ser assegurada, mas tudo indica que Portugal ainda está muito longe desta realidade.

Segundo a PORDATA , a taxa de utilização circular dos materiais, em Portugal, em 2023, era de 2,8%. Portugal era o 24º entre os 27 países da União Europeia relativamente ao aproveitamento que é feito dos materiais.

Taxa de utilização circular dos materiais (%)

Os desafios da inovação vão além do que é “novidade”. Inovar pode ser, simplesmente, simplificar ou criar procedimentos internos que facilitem o dia a dia de trabalho ou dominar uma técnica um pouco mais amiga do ambiente do que a anteriormente utilizada. Pequenos passos para uma evolução contínua.

A construção é uma atividade onde a inovação é fundamental, não só fazer avançar o setor, como também para responder a diferentes necessidades dos clientes e da própria sociedade – veja-se, atualmente, o desafio de construir imóveis de habitação mais rapidamente. É um setor onde a dinâmica conta e por onde se mede a saúde da economia nacional. A inclusão de tecnologias como a IA, a Internet of Things (IoT) e a melhoria e atualização da ferramenta BIM têm permitido que a construção tenha melhorado, a nível de rapidez, de qualidade e de segurança. A inovação é, portanto, o caminho para um setor mais amigo do ambiente, com preocupações com a sustentabilidade, enquanto – simultaneamente – se renova e atualiza rumo ao futuro.