WFM: a ferramenta que está a mudar o mercado de trabalho

A SISQUAL é uma empresa de tecnologia portuguesa, que se especializou num único produto – o Workforce Management (WFM) – e que apostou na internacionalização para continuar a crescer. Com mais de mil clientes, 250 dos quais no Brasil, esta empresa nacional foi pioneira em Portugal na apresentação do conceito de WFM e hoje pensa em expandir ainda mais a sua presença mundial. Conheça o software de gestão de colaboradores e aumento da produtividade.

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Como explica o crescimento e o sucesso da empresa?

A SISQUAL começou a trabalhar em Workforce Management num momento muito prematuro. Ainda só existia o conceito – o nome “Workforce Management” surgiria mais tarde, em 2008, nos Estados Unidos da América. Foi nos últimos 10 anos que a empresa teve uma evolução notória. Com o nosso software, que permite gerir a mão de obra e a produtividade, adequando uma à outra, fornecemos a maior parte dos hospitais em Portugal, bem como as restantes grandes empresas do país, sobretudo em áreas que implicam o contacto direto com o público, como a área hospitalar e o retalho. Para continuarmos a crescer, decidimos internacionalizarmo-nos. A outra opção seria alargar a nossa gama de produtos, mas não o quisemos fazer. Somos uma empresa de monoproduto, somos super especializados em Workforce Management e decidimos ir para novas geografias porque em Portugal o mercado ia esgotar-se. Estudámos alguns países, de acordo com alguns parâmetros que predefinimos e os nomes que surgiram prontamente foram Brasil, Espanha e Polónia e aí nos instalámos. Ter uma presença física em cada país é essencial para a confiança dos clientes, dado que é no nosso software de WFM que as equipas de trabalho são dimensionadas e que os salários são calculados, por isso a confiança nos nossos serviços e o facto de termos uma existência física é muito importante. Só no Brasil já temos, atualmente, cerca de 250 clientes do nosso software – 200 deles são hospitais – e em Espanha também estamos a ter muito sucesso.

Afirmou anteriormente que Portugal recebeu este software de forma acelerada e prematura. Como reagiram as empresas nacionais?

O grande problema, durante os primeiros 10 anos, era o conceito. As pessoas não entendiam o conceito e nem havia ainda nome para aquilo que fazíamos. Quando surgiu um nome para esse conceito, as pessoas puderam compreendê-lo melhor. O que é facto é que depois de adotarem o produto, já não voltam atrás, porque os ganhos de produtividade e de qualidade de vida são demasiado evidentes para serem ignorados. Por esse motivo, temos clientes que estão connosco há 15 anos.

Como define este conceito e de que forma a ferramenta atua no mercado?

Este software permite-nos estudar as transações existentes em qualquer atividade laboral e, assim, conseguir calcular o tipo de atividade que existirá nos próximos dias. Normalmente, o sistema é utilizado para fazer uma análise mensal e preparar as equipas e a atividade de forma a suprir as necessidades durante esse período temporal. Se utilizarmos como exemplo um supermercado, nós estudamos a sua atividade e prevemos qual o seu comportamento para o próximo mês. Esta atividade identificada é transformada em necessidade de competências, o que se traduz em necessidade de colaboradores. De seguida, essa necessidade é transformada em turnos, que depois são atribuídos aos funcionários disponíveis e com as competências necessárias para cada área. Por exemplo, pode haver alturas do dia em que a Padaria tenha maior atividade do que as Caixas de Pagamento. No entanto, noutro período temporal, precisarei de compensar isso e ter mais gente na reposição de produtos e nas Caixas do que na Padaria e essas competências têm de estar disponíveis.

Quais as vantagens que o WFM pode agregar ao dia a dia empresarial?

Pegando no exemplo do supermercado, e de uma forma prática, como é o próprio sistema que faz a organização da gestão de pessoal – está preparado para colmatar falhas como a ausência de um funcionário ou um aumento súbito de atividade no supermercado – este também consegue facilmente saber quais os abonos que os funcionários receberão no final do mês, relativamente a horas extras, turnos trabalhados, horas noturnas…São os nossos dados que seguem depois para empresas de pagamento de salário, que são as responsáveis pelo efetivo pagamento do salário aos colaboradores. Isto foi adotado, inicialmente, por empresas grandes, com milhares de funcionários, e onde havia serviço direto ao cliente. Hoje, já se usa muito em escritórios, devido ao trabalho remoto.

A Pandemia revolucionou a atividade laboral

  • flexibilização dos horários e dos locais de trabalho;
  • pessoas que têm um trabalho regular, mas necessitam de horários flexíveis;
  • licitação de turnos;
  • e-commerce;
  • internacionalização da força de trabalho

A atividade laboral sofreu muitas alterações, com a pandemia?

Está a haver uma revolução no trabalho. Por um lado, temos a questão da flexibilidade dos horários e dos locais de trabalho. A possibilidade de trabalhar a partir de casa é outro desafio para as empresas, que têm de continuar a coordenar os trabalhadores e a avaliar o desempenho profissional. Depois, existe ainda a realidade das pessoas que querem ter um trabalho regular, mas precisam de ter flexibilidade de horário, o que, até há pouco tempo, as deixava frequentemente excluídas do mercado de trabalho. Atualmente, existe um conceito de “leilão de turnos”, que permite a quem já trabalhou numa determinada área “licitar” um turno de trabalho, quando a empresa necessita de colaboradores para uma situação muito específica. Há ainda outra tendência, que é o e-commerce – está a haver uma remodelação completa da ideia de comprar. Desde o confinamento e da pandemia, há muitas pessoas que se acostumaram a comprar online e agora não vão voltar atrás. Isso faz com que muitas empresas de retalho se confrontem com a questão de ter ou não uma loja física…Existe ainda o desafio da força de trabalho internacional. Quem trabalha por tarefa, e com um prazo atribuído, como os programadores, podem estar em Portugal e trabalhar para qualquer empresa, de qualquer parte do mundo.

E foi necessário fazer algumas alterações ao produto?

Tivemos de acelerar algumas questões, como as ligadas à área da flexibilidade laboral. Por exemplo, as mães podem conseguir efetivamente trabalhar num emprego regular, mas a flexibilidade de horário dar-lhes-á maior qualidade de vida. Além disso, iremos inserir num dos 13 módulos do nosso produto uma parte referente à avaliação laboral de quem está a trabalhar em casa, atualmente.

Quais os planos futuros?

Os planos futuros passam por abrir, nos próximos anos, escritórios em França, Itália, Turquia e México. A Turquia está a crescer exponencialmente e os outros países têm a presença de muitas multinacionais, o que nos abrirá as portas para outros países, a longo prazo.

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