“Aprendi a conciliar exigência com humanidade”

Paula Soares lidera a Justlog há quase três décadas. Num mundo ainda dominado pelo género masculino, consolidou a sua liderança através da objetividade e da proximidade. Ouvir as equipas é fundamental, uma vez que são as pessoas que fazem as empresas. O testemunho de uma líder que firmou o seu trajeto e que quer agora servir de exemplo para quem vem posicionar-se enquanto líder.

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A Justlog já conta com quase três décadas de atividade. Ao longo do tempo em que assume as funções de CEO/CFO, como descreveria a experiência?

Tem sido uma jornada desafiante e enriquecedora, que combina visão estratégica com rigor de gestão. O grande objetivo tem sido alinhar crescimento sustentável com solidez financeira, garantindo que a Justlog continua a ser um parceiro de confiança para clientes e fornecedores.
Ao longo de 27 anos, consolidámos processos, certificações e competências que nos permitem atuar com agilidade e segurança num mercado altamente competitivo, em linha com o nosso lema: “Just in time. Just where you need”.

Quais as principais características da sua liderança? Estas ajudaram-na a integrar-se neste setor, ainda mais dominado pelo género masculino?

A minha liderança é marcada por objetividade, resiliência e proximidade. Decido com base em dados, mas valorizo sempre as perspetivas das equipas. Este equilíbrio cria um ambiente coeso, em que todos compreendem o seu
papel e contribuem para os objetivos da empresa. Num setor ainda dominado por homens, a consistência e clareza estratégica tornaram a minha integração natural e respeitada.
Mais do que quebrar barreiras de género, acredito que o meu estilo trouxe uma perspetiva diferenciadora: firmeza, visão e atenção ao capital humano, fortalecendo a performance da Justlog.

No vosso site, afirma que “O nosso maior bem é o capital humano, e pessoas felizes trabalham de forma distinta”. As pessoas são, de facto, o maior bem da Justlog? Como cuidam dele?

Sem dúvida, as pessoas são o maior bem da Justlog. São elas que dão corpo, alma e futuro à empresa. Cuidar da equipa é criar um ambiente de confiança e reconhecimento, oferecendo equilíbrio entre vida profissional e pessoal, oportunidades de crescimento e um forte sentido de pertença. Pessoas motivadas trabalham com mais empenho, criatividade e entreajuda.

A liderança feminina é diferente da masculina, a seu ver, ou as lideranças não se definem pelo género? Que impacto acredita que a sua liderança tem nas suas pessoas e nos destinos da empresa?

Mais do que feminina ou masculina, acredito em estilos de liderança. O meu é próximo, exigente e transparente. Procuro que cada colaborador se sinta valorizado, mas com objetivos claros a cumprir. Este equilíbrio reflete-se na coesão das equipas, na confiança dos clientes e no crescimento sustentado da Justlog.

Como avalia o posicionamento da Justlog no mercado? Como é que a liderança influencia este posicionamento?

Posicionamo-nos como operador logístico de referência, oferecendo soluções integradas de transporte marítimo, aéreo e terrestre, armazenagem, serviços aduaneiros e soluções personalizadas. A diversidade do portefólio permite-nos responder de forma eficiente, segura e dentro dos prazos.

Olhando para trás, que considerações tece à sua evolução enquanto profissional e líder?

Olho para trás com gratidão. Cada desafio fortaleceu a minha resiliência e mostrou-me que é possível transformar dificuldades em oportunidades. Aprendi a conciliar exigência com humanidade e a perceber que os melhores resultados nascem de equipas motivadas. Hoje sinto-me preparada para continuar a liderar a Justlog e inspirar outras mulheres a vencer em setores tradicionalmente masculinos.