A investigação global sobre a resiliência das florestas ganhou um novo fôlego com os dados publicados pela Universidade McGill, comprovando que o álamo atua como uma barreira natural contra a progressão dos incêndios. O Dr. Fabiano de Abreu Agrela, membro da Royal Society of Biology no Reino Unido e cientista membro da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, analisa como estes mecanismos biológicos podem ser aplicados de forma estratégica no ordenamento do território em Portugal.
Os estudos coordenados pela investigadora Flavie Pelletier demonstraram que o álamo possui características moleculares e estruturais específicas que barram o avanço das chamas. O Dr. Fabiano de Abreu Agrela detalha os fatores biológicos que justificam este comportamento protetor:
- Elevada retenção de humidade nas folhas facto que dificulta a ignição da copa das árvores
- Ausência de resinas pegajosas e inflamáveis ao contrário do que se verifica nas coníferas
- Desenvolvimento de ramos a uma altura considerável do solo impedindo que o fogo rasteiro suba
O especialista clarifica que uma árvore isolada é vulnerável devido à sua casca fina, mas a verdadeira capacidade de resistência manifesta se quando a espécie é plantada em larga escala.
A Aplicação Prática no Cenário Português
Para o cientista, estes dados representam uma oportunidade crucial para reconfigurar a paisagem florestal portuguesa, frequentemente fustigada por fogos rurais severos. A introdução de mosaicos florestais com espécies decíduas surge como uma alternativa urgente face às extensas áreas de monoculturas altamente combustíveis.

“O álamo funciona como um escudo térmico vegetal”, afirma o Dr. Fabiano de Abreu Agrela. “Quando estabelecido em grandes blocos contínuos, ele reduz de forma drástica a intensidade do fogo porque priva as chamas do combustível resinoso. Em Portugal, a implementação destas linhas de defesa verde em redor de aldeias e infraestruturas críticas daria um tempo precioso aos operacionais de combate”.
Os modelos estatísticos do estudo internacional validam esta perspetiva de contenção. Em terrenos onde a cobertura de álamos ultrapassa metade do espaço, a progressão diária do incêndio sofreu uma redução acentuada, caindo de 1770 acres para cerca de 550 acres. O cientista reforça ainda que este efeito protetor se mantém estável independentemente da estação do ano, mostrando eficácia tanto na primavera com ramos despidos quanto no verão com a folhagem completa.
A valorização destas espécies constitui uma medida de segurança biológica indispensável. O ordenamento florestal em Portugal deve integrar estas evidências científicas para mitigar o risco de catástrofes em períodos de seca extrema e stresse térmico elevado.










