“É urgente simplificar a legislação fiscal”

Rui Jacinto e Sandrine Pereira são os diretores da Números Que Falam. Esta empresa surgiu no mercado em 2016 para desempenhar atividades nas áreas da Contabilidade e Gestão. Especializados no setor do turismo, em especial no Alojamento Local, e com uma grande carteira de clientes estrangeiros, Rui Jacinto e Sandrine Pereira alertam para a necessidade de revisão da legislação fiscal portuguesa.

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Considerando a forma como os contabilistas já são percecionados pelas empresas e empresários, como caracterizam o vosso posicionamento junto dos vossos clientes?

A criação da empresa teve como grande objetivo elevar a importância da contabilidade nas micro, pequenas e médias empresas como ferramenta essencial no apoio à gestão e à tomada de decisão. Uma parte significativa dos pequenos empresários não está, ainda, mentalizado para a importância que uma contabilidade focada na gestão e na parceria estratégica pode ter na tomada de boas decisões para maior rentabilidade. A nossa abordagem é de trabalhar
com clientes que acreditem na importância de informação contabilística e financeira atualizada e fiável. Exige um compromisso grande de ambas as partes para que seja possível efetivamente criar valor. No meio de tanto prejuízo causado pela pandemia de Covid-19, uma das coisas boas que despoletou foi o reconhecimento dos contabilistas, que foram os garantes da tranquilidade possível de grande parte dos empresários nas fases mais difíceis.

Que serviços disponibilizam, dentro das áreas da Contabilidade e Gestão?

Em primeiro lugar, não podemos descurar as responsabilidades fiscais e legais que cada vez
são mais pois continuamos com um sistema fiscal demasiado burocrático e que não é ajustado à dimensão da grande maioria das empresas portuguesas. Complementarmente, prestamos aos nossos clientes um serviço de apoio à gestão que inclui reports, forecast e planeamento da atividade.

Porque optaram pela especialização em alojamento local?

A exploração de habitações como alojamento local cresceu exponencialmente nos últimos
anos e a própria legislação fiscal não estava preparada para um “boom” tão grande. Existem
diversas obrigações fiscais a este nível, desde a afetação do imóvel à atividade, passando pelo regime de enquadramento de IVA e pelas obrigações tributárias que as faturas dos
principais players de comissão no mercado geram. Nesse sentido, há uma sensibilização
cada vez maior para a necessidade de ter o apoio de uma empresa especializada que garante a conformidade fiscal da atividade.

Trabalham também com muitos clientes estrangeiros. O que seria possível fazer para simplificar o processo de chegada e fixação em Portugal, bem como o próprio processo de investimento?

Temos uma base cada vez mais relevante de clientes estrangeiros: investidores em empresas,
empresários em nome individual, trabalhadores por conta de outrem e reformados. O processo para fixação em Portugal não é complexo mas implica a necessidade de intervir com diversas entidades que não estão uniformizadas entre si. Será possível pensar numa opção de centralizar o processo e de serem geradas todos os documentos necessários num menor número de etapas. A nível empresarial, tudo se complica devido à complexidade da legislação. É muito difícil para os contabilistas e fiscalistas explicarem a clientes estrangeiros a quantidade exagerada de obrigações existentes. A legislação fiscal portuguesa, ao nível empresarial, necessita rapidamente de uma revisão profunda que permita a simplificação e desburocratização.

Como antecipa este ano de 2022, tendo em consideração as várias nuances económicas e sociais existentes e como isso pode afetar o desenvolvimento da economia nacional?

Desde a mudança abrupta, em março de 2020, das nossas vidas, causada pela pandemia, que “instabilidade” e “incerteza” têm sido as expressões mais relevantes na vida económica e
social. Em 2022, somos surpreendidos com um problema nacional originado pelo chumbo do OE 2022 e consequente dissolução parlamentar e depois a guerra na Europa entre Ucrânia-Rússia que está a originar um impacto económico enorme. É essencial que a UE e o Governo
adotem medidas rápidas que permitam assegurar às empresas alguma estabilidade a médio prazo, sendo bastante importante a aplicação correta do dinheiro vindo do PRR. Deve ser direcionado para os apoios a micro, pequenas e médias empresas para que seja possível manter os postos de trabalho, o investimento e continuar a dinamizar a economia.

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