Nos dias 19 e 20 de junho, teve lugar a quinta edição do Exercício Nacional de Cibersegurança (ExNCS’24), organizado pelo Centro Nacional de Cibersegurança, inserido na sétima edição do CyberEurope, um dos maiores exercícios de cibersegurança na Europa, iniciativa bienal da ENISA, que testou a resiliência do setor energético europeu, a vários níveis: técnico, operacional e estratégico e visou contribuir para a existência de uma voz comum de toda a Europa, na resposta a um cenário idêntico em todos os países.
O ExNCS’24 e o CyberEurope’24 foram dedicados ao Setor da Energia, com um cenário centrado em ameaças de cibersegurança dirigidas à infraestrutura energética da UE, decorrentes de atritos causados pela tensão geopolítica entre a União Europeia e uma nação estrangeira fictícia. Com a propaganda a influenciar a opinião pública e as preocupações sobre grupos APT (Advanced Persistent Threat) que exploram vulnerabilidades, o setor da energia tornou-se o alvo principal. Para evitar que um ataque em grande escala paralisasse a economia europeia e desestabilizasse o equilíbrio político, as partes interessadas tiveram de coordenar rapidamente as suas ações e respostas.
A ação de dois dias simulou uma série de incidentes de cibersegurança em grande escala. Trabalhando em
conjunto, os intervenientes aprimoraram as suas competências de coordenação e gestão de crises para enfrentar os desafios colocados pelos cenários avançados, garantindo a continuidade dos negócios face a uma crise. O CyberEurope reuniu 30 Agências Nacionais de Cibersegurança, várias agências europeias, organismos e redes da UE e mais de 1 000 peritos que lidam com diversas áreas, desde a resposta a incidentes até à tomada de decisões. Foi um dos maiores exercícios de cibersegurança organizados na Europa, que incluiu 29 países, 28 100 injects e mais de mil jogadores.
Em Portugal, o ExNCS’24 reuniu em Coimbra, entidades do setor energético, operadores de comunicações
eletrónicas, reguladores, outras entidades e órgãos de comunicação social, que lidaram com incidentes simulados, com forte plausibilidade, nomeadamente, ataques de ransomware com efeito disruptivo nas cadeias de fornecimento de energia elétrica de gás e ataques físicos com possíveis consequências na componente digital de divulgação de dados privados de organizações. Foram colocadas à prova as capacidades individuais das organizações, mas também as capacidades de articulação, quer com autoridades, quer com outras entidades a nível europeu.
O cenário de crise energética definido pelo ExNCS’24 e pelo CyberEurope’24 testou os procedimentos que
devem ser seguidos pelos participantes, nomeadamente do ponto de vista técnico, da comunicação interna
e externa, sendo avaliados alguns dos instrumentos criados pela atual Diretiva NIS, e outros que surgem no
âmbito da NIS 2, como por exemplo a EU CyCLONe – Rede de gestão de crises ao nível da União Europeia.
O relatório “Network and Information Security (NIS) Investments in the EU” emitido pela ENISA, concluiu que
32% dos operadores do setor da energia não têm um único processo crítico de Tecnologia Operacional (OT)
monitorizado por um Centro de Operações de Segurança (SOC). A Tecnologia Operacional e a Tecnologia da Informação são cobertas por um único SOC para 52% dos operadores de serviços essenciais do setor energético.
Após o CyberEurope’24, vai ser realizada uma análise dos processos e resultados para obtenção de conhecimentos sobre as fragilidades identificadas. As conclusões vão ser incluídas no relatório pós-ação, que visa fornecer orientações e sugestões para melhorias adicionais, tanto para o exercício em si, como também para reforçar a resiliência do sector energético da UE.










