Recentemente, dada a pandemia, foi necessário optar pela formação à distância e, entretanto, esta foi uma área na qual apostaram, em complemento à formação presencial. Quais as vantagens e as desvantagens da formação presencial e da formação à distância? Como pode o complemento entre ambas enriquecer a aprendizagem?
A Les Roches já oferecia alguns programas online ao nível da pós-graduação, como o nosso Master Executive, mas as circunstâncias desafiantes obrigaram a criar programas com base no remote learning, que se veio a mostrar revolucionário nesta área. Por um lado, temos os programas Master Executive e o MBA Executive, que são dirigidos a profissionais da indústria que, por alguma razão, não podem fazer um interregno laboral e que
querem fazer um update à sua formação. Estes programas oferecem sempre uma parte presencial nos campus, que vai de duas a seis semanas. As vantagens foram claras durante o período pandémico, ao permitir de forma flexível e eficaz a continuidade da aprendizagem. Em relação às desvantagens, vejo apenas uma: a falta de
proximidade.
Quão importante é a digitalização da formação, no sentido do acesso alargado à mesma por parte de qualquer aluno, em qualquer parte do mundo?
Aproveitar a inovação e os avanços digitais oferece à formação oportunidades únicas na evolução do setor da hotelaria. O turismo foi um dos primeiros setores a digitalizar os processos de negócios à escala global, oferecendo reservas online de voos e hotéis, tornando-se um pioneiro digital. À medida que a tecnologia da informação e comunicação se tornou um fenómeno global, o turismo foi um dos primeiros a adotar de forma consistente as novas tecnologias e plataformas. Ao serem das primeiras instituições de ensino superior a introduzirem programas nesta área, as escolas deram um passo em frente na formação dos alunos, preparando-os para um mundo que não vive sem tecnologia e com a qual terão de evoluir e fazer evoluir o setor.
Que ligações existem entre a Les Roches, a Glion e as respetivas entidades empresariais ligadas ao turismo e hotelaria, para que seja possível tomar conhecimento das necessidades que existem, relativamente aos recursos humanos, e providenciar uma resposta adequada?
Ambas as instituições de ensino têm uma forte proximidade com a indústria desde há alguns anos e esta relação tem vindo a solidificar-se, não só porque a indústria reconhece a excelência da formação, vindo anualmente recrutar inúmeros estudantes das instituições de ensino, como pelas parcerias e protocolos que se vêm estabelecendo com as marcas mais significativas do setor: Marriot, IHG, Louis Vuitton, Accor, Qatar Airways ou RitzCarlton. De referir também que, recentemente, a parceria com a Organização Mundial do Turismo foi
ainda mais longe, alavancando a colaboração em áreas fundamentais como o empreendedorismo, a formação de jovens e a transformação digital.
Como veem a Les Roches e a Glion o mercado nacional, no que respeita ao talento existente?
Tendo em conta o apoio e a dedicação de várias instituições de ensino a nível nacional e de instituições como o Turismo de Portugal, as nossas instituições olham com bons olhos a evolução na formação prestada aos jovens portugueses e muitos, depois de terminarem a formação no nosso país, optam por dar continuidade à sua formação nas nossas instituições de ensino. Por esta razão, a Les Roches e a Glion têm recebido muitos alunos
para licenciaturas e masters.
Quais os desafios que identifica para este novo ano escolar?
Sobretudo a adaptação a um mundo que definitivamente mudou. Regressamos a uma “nova” normalidade, mas com maiores desafios e um dos maiores é o de captar e desenvolver talento. O mundo continua a mudar todos os dias, seja pelas alterações geopolíticas, pelos desafios económicos e tecnológicos e pela importância da
sustentabilidade. Temas abordados nos nossos programas e que preparam os futuros profissionais para lidar com as mudanças, crises e também com o crescimento efetivo do setor do turismo.










