Que papel quer o Labsummit 2026 assumir: antecipar tendências, influenciar políticas públicas ou acelerar negócios concretos?
O labsummit 2026 quer assumir-se como uma plataforma de impacto — não apenas de debate. Num momento de forte disrupção tecnológica, o evento posiciona-se em três frentes: antecipar tendências, influenciar o ecossistema e gerar resultados concretos. Por um lado, traz para o centro da discussão temas como IA, Compliance, pessoas e Health-Care; por outro, promove o diálogo entre indústria, laboratórios, fornecedores de laboratórios, academia e reguladores, ajudando a moldar o futuro do setor.
Mas acima de tudo, o Labsummit quer ir além do discurso: criar oportunidades reais de negócio, acelerar parcerias e facilitar a adoção de novas soluções no terreno.
O que distingue verdadeiramente o Labsummit 2026 no panorama europeu de inovação e conhecimento?
O que distingue o labsummit 2026 é o facto de ser construído a partir do próprio tecido empresarial do setor nacional. Ao contrário de muitos fóruns tecnológicos que replicam formatos globais, o labsummit nasce de um consórcio profundamente ligado ao terreno, integrando indústria, laboratórios, certificação e engenharia. Isso traduz-se num programa menos teórico e mais aplicável, focado em desafios reais e soluções concretas.
O Labsummit destaca-se ainda pela ligação direta à operação, não se limitando a abordar tendências, mas focando-se sobretudo na forma como estas podem ser implementadas no dia a dia dos laboratórios. Ao mesmo tempo, reúne no mesmo espaço decisores, técnicos, reguladores e fornecedores, promovendo uma interação prática e não apenas concetual. Embora tenha um posicionamento europeu e internacional, mantém uma forte relevância local, colocando Portugal como ponto de encontro internacional, mas com soluções adaptadas à realidade das organizações.
O Labsummit diferencia-se por ser acionável — menos “talking about innovation” e mais “making it happen”.
“Ao contrário de muitos fóruns tecnológicos que replicam formatos globais, o labsummit nasce de um consórcio profundamente ligado ao terreno, integrando indústria, laboratórios, certificação e engenharia”
Como equilibram a presença de empresas e investidores com espaço real para startups emergentes, investigação académica e projetos independentes?
A forma como o labsummit 2026 é desenhado garante esse equilíbrio desde a base — não é algo deixado ao acaso. O evento combina a presença de grandes empresas e investidores com mecanismos concretos para dar visibilidade e espaço a novos players:
01. Formatos dedicados: Sessões, demonstrações e áreas de exposição são pensadas para dar palco a grandes empresas, mas também a start-ups e pequenos players, com dimensões e locais diferenciados;
02. Mistura de perfis no networking: O evento promove o cruzamento direto entre decisores, investidores, investigadores e empreendedores, criando oportunidades reais de colaboração e scale-up.
Mais do que coexistirem, o objetivo é que estes diferentes atores interajam de forma produtiva — onde a experiência das grandes empresas encontra a agilidade das startups.

Há uma crescente crítica à “economia do palco”, onde se fala muito de inovação mas se mede pouco impacto. Que resultados concretos pretendem gerar a partir desta edição?
Essa crítica é legítima — e é precisamente aí que o labsummit 2026 quer marcar a diferença. O objetivo passa por gerar impacto em várias dimensões, desde a criação de parcerias e projetos que se traduzam em colaborações efetivas entre empresas, centros de I&D, laboratórios e startups, com continuidade para além dos três dias do evento. Aliás, após a primeira edição, foram estabelecidos cerca de 250 protocolos e acordos de colaboração deste tipo.
Ao mesmo tempo, o labummit procura impulsionar negócio e investimento, facilitando o contacto direto entre soluções tecnológicas e decisores, acelerando processos de adoção e criando novas oportunidades comerciais. Reflexo disso é o crescimento de 8% registado no volume de negócios do setor laboratorial nos últimos dois anos.
A valorização do talento e da capacitação é também uma prioridade, através da aproximação entre empresas de talento qualificado, promovendo a transferência de conhecimento. Paralelamente, existe uma forte aposta na implementação real, dando destaque a casos práticos e a tecnologias aplicáveis, com foco na forma como os participantes podem sair do evento preparados para executar soluções concretas.
Para alcançar estes resultados, o labsummit aposta em formatos mais orientados à ação — como demonstrações, sessões práticas e networking estruturado — que incentivam decisões no momento e follow-up posterior.

Portugal tem ganho notoriedade como destino tecnológico, mas continua a enfrentar desafios na retenção de talento qualificado. O Labsummit 2026 pode contribuir para inverter essa tendência?
O Labsummit 2026 pode ser parte ativa na aproximação de talento especializado de empresas e projetos inovadores, num contexto onde surgem oportunidades que não estão visíveis no mercado tradicional. Paralelamente, ao destacar casos de sucesso, a capacidade instalada e a inovação desenvolvida em Portugal, contribui para valorizar o ecossistema nacional e contrariar a perceção de que é necessário sair do país para progredir.
Por outro lado, o labsummit permite também a integração internacional sem que isso implique uma “fuga” de talento, já que proporciona o acesso a redes, conhecimento e projetos globais, mantendo uma base local. Além disso, o evento ajuda a criar um ambiente mais dinâmico e colaborativo, onde academia, indústria e tecnologia trabalham de forma mais próxima.
Que temas “difíceis” ou controversos pretendem trazer para debate nesta edição?
Nesta edição são debatidas algumas das questões mais exigentes que o setor enfrenta, nomeadamente o uso da Inteligência Artificial em contexto laboratorial e clínico, refletindo até que ponto podemos confiar em automatizados, e onde termina a eficiência e começa o risco. A questão dos dados, privacidade e soberania também estará em destaque, procurando perceber quem controla os dados laboratoriais e de que forma se pode garantir segurança sem travar a inovação. Outro dos temas será a pressão regulatória face à velocidade da inovação, analisando como equilibrar um compliance rigoroso com a necessidade de evoluir rapidamente.
Mais do que levantar questões, o objetivo é criar um espaço onde diferentes perspetivas — indústria, academia, reguladores — possam confrontar-se de forma aberta e construtiva.

Se alguém olhar para o Labsummit 2026 como uma edição marcante, qual seria o impacto ou legado que gostariam que fosse reconhecido?
Gostaríamos que o Labsummit 2026 fosse reconhecido como uma edição que deixou marca para além do evento, ao gerar um movimento real no setor.
O objetivo é que as parcerias criadas durante o encontro continuem ativas nos anos seguintes, traduzindo-se em projetos concretos, inovação implementada e crescimento das organizações envolvidas. Pretendemos também que as tecnologias e abordagens debatidas passem efetivamente para o terreno, ajudando a modernizar laboratórios e a acelerar a transformação digital. Outro impacto que gostaríamos de ver reconhecido é a capacidadedo evento em atrair e reter talento, levando profissionais a permanecer ou regressar a Portugal, fortalecendo o ecossistema nacional. Ao mesmo tempo, esperamos que o evento tenha ajudado a criar uma comunidade mais conectada, onde a colaboração entre indústria, academia e instituições deixe de ser pontual e passe a ser contínua.
O verdadeiro legado será simples de medir: ideias que não ficaram no palco, mas ganharam continuidade, escala e impacto no mundo real.










