Nenhuma crise será mais forte que a força de todos

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Temos forças dentro de nós inesgotáveis que nem imaginávamos ter, mas temos, e tal como não conhecíamos estas, há outras tantas que não conhecemos também. 

Num ápice mudámos tudo, fechámos o país, praticamente, reorganizamo-nos melhor ou pior e ficámos em casa, com todos os desafios de estarmos fechados e sozinhos, e distantes daqueles que amamos também. E mesmo com todos os conflitos emergentes por não termos todos percebido a importância de o fazermos, construímos informação, apelámos de várias formas e feitios ao isolamento e como o podíamos fazer da melhor forma possível, e com mais ou menos êxito estamos a conseguir a proteção desejada.

Com todas a crenças que cada um tem associadas à doença, à saúde, ao que é importante e urgente, ao presente e ao futuro, o que é certo é que as ruas ficaram praticamente vazias, as comunidades hospitalares vestiram-se a rigor na sua missão, as redes sociais encheram-se de mensagens de força, de esperança mesmo com medo, criaram-se plataformas de ajuda, construirmos um pequeno país online, onde conseguimos treinar, dançar, comprar, aprender e um sem fim de coisas impensáveis até então. E cada um, à medida das suas capacidades e competências, mostrou o seu “presente” nesta missão de todos, envolvidos de amor e união. Reformulámos turnos, vidas, escolas, rotinas e, mais ou menos bem, estamos cá.

Bem sei que já perdemos muitas vidas e que muitas mais vamos continuar a perder, e estas precisamos mesmo de as chorar e de lhes fazer o luto devido e merecido. Marcam-nos as despedidas sem despedida, a falta de abraços para chorar e um velório para dignificar a vida de todos aqueles que partiram neste vírus que nos colocou várias partidas.

Bem sei que muitos de nós estão mais tristes, preocupados, com medo, sem trabalho, sem tantas coisas mais, mas que não sabendo quanto tempo tudo isto vai durar, não podemos de todo desanimar.

Estamos cá, fortes, unidos à boa maneira portuguesa, pequenos só mesmo em tamanho geográfico, mas enormes em coração, em solidariedade, espírito de missão, união e ação. Sim, bem sei que há muitas coisas que não correram bem e que continuarão a não correr, mas é assim em tudo na vida e não só agora.

Há muitas outras a aprender e a refletir para não o voltarmos a fazer, mas os números dizem-nos que estamos no bom caminho para continuarmos focados nas alternativas e nos recursos. Muita coisa está a mudar, muitas perdemos, vamos ficar com menos dinheiro, mais vulneráveis, com menos tantas coisas, mas temos vida, mãos para trabalhar, cabeças para criar e recriar, braços para abraçar outros desafios e outras jornadas, para nos reerguemos com coragem e a bravura que nos moveu além mares e nos fez descobrir aquilo que outros não descobriram. Não somos melhores nem piores, somos portugueses e isso basta-nos.

Acredito por muito difícil que esteja a ser tudo isto para todos nós, a vários níveis, há dentro de cada de nós sementes de força, de garra, de união, criatividade e de reconstrução. Estamos em crise, mas nenhuma crise será mais forte que a força de todos para a ultrapassarmos e nos reconstruirmos a partir dela também. Nada se reconstrói fora se não nos reconstruirmos individualmente. Não precisamos das críticas. Precisamos de cabeças serenas para pensar, perceber o que temos de fazer, com inteligência adaptativa e de continuarmos a sonhar, a rir e a recomeçar todos os dias, da melhor forma possível, saboreando dentro dos possíveis tudo aquilo que de bom, dentro da crise, estamos a viver e a aprender. Força Portugal! Que nunca por vencidos nos sintamos.

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