No dia 20 de outubro assinalou-se o Dia Mundial de Combate ao Bullying. Numa altura em que as redes sociais são um mundo propenso a esta prática, e tendo o ano letivo iniciado recentemente, que mensagem importa passar?
O bullying é um fenómeno social que, com as redes sociais, ultrapassa os portões da escola e invade a vida pessoal das crianças e dos adolescentes a qualquer hora do dia. A mensagem fundamental é que nenhuma forma de violência é uma brincadeira. Enviar mensagens cruéis, criar perfis falsos, publicar fotografias e vídeos sem o consentimento da pessoa, publicar vídeos onde se está a excluir ou maltratar alguém, pode ter, de facto um impacto emocional muito profundo e muito duradouro.
Quais os sinais a que se deve estar atento, nas crianças e nos adolescentes que são alvo de bullying? O comportamento altera-se?
Primeiro, importa dizer que um sinal isolado que se identifique na criança ou no adolescente pode não significar que alguma coisa esteja errada. Mas quando vários sinais se repetem ou se intensificam, é importante perceber o que está a acontecer. Existe uma alteração no comportamento, quer da vítima, quer do bully (o agressor), em várias dimensões. Do ponto de vista físico, podemos observar queixas sem uma causa médica aparente, como dores de
cabeça e de barriga, alterações no sono, alterações no apetite, lesões… O que também é muito comum, em termos relacionais, é as crianças e os adolescentes começarem a afastar-se e isolar-se de amigos e familiares. As faltas às aulas, ou a recusa em ir à escola, bem como a descida do rendimento escolar e o permanecer sozinhos nos intervalos também são sinais muito comuns. Devemos também estar atentos às alterações psicológicas/emocionais como as mudanças bruscas de humor, sintomatologia depressiva, baixa autoestima e ideação suicida. Quanto a quem tem o comportamento agressivo, é comum a adoção de comportamentos de oposição e antissociais, a baixa tolerância à frustração, a dificuldade de gestão de impulsos e a adoção de comportamentos de risco.
O Bullying distingue-se de outra formas de violência por estas três características:
–INTENCIONALIDADE:
O bullying é um comportamento intencional, com o propósito claro de provocar mal-estar no outro;–REPETIÇÃO:
Não é um comportamento pontual, é repetitivo e regular;–DESEQUILÍBRIO DE PODER:
Seja ele físico (uma criança maior ou mais forte que a outra); ou psicológico (conhecer uma informação constrangedora do outro).
Como lidar com quem pratica bullying?
Assim como em qualquer forma de violência, a intervenção deve começar antes do problema ocorrer, numa lógica preventiva. E enquanto psicóloga clínica, acredito que uma das medidas mais importantes para combater o bullying passa por trabalhar a inteligência emocional das nossas crianças e jovens. Sobre trabalhar com o agressor: não devemos rotular a criança como má, problemática,… Temos que ajudá-la a identificar e reconhecer que o comportamento que ela está a adotar, sim, é um problema. Às vezes, estas crianças só precisam de ser percebidas. É muito importante quebrarmos este ciclo e o apoio psicológico pode ser fundamental, porque ajuda a criança / adolescente a desenvolver a empatia, a inteligência emocional e competências de comunicação assertiva.
E relativamente à vítima, como podemos ajudá-la?
Mostrando-lhes que não estão sozinhas e que podem e devem pedir ajuda. Esse é o passo mais importante para quebrar este ciclo de agressividade e ajudar estas crianças/adolescentes a recuperarem a sua tranquilidade. À semelhança do que fazemos com a criança que adota comportamentos agressivos: mostrar empatia, valorizar o que ela está a sentir e validar o seu sofrimento. Não faça comentários como “isso passa”, “tens de lhe responder” ou então “bate de volta”. Importa quebrar a violência. E mais importante é ajudar a criança a não se sentir culpada por ser alvo deste tipo de comportamento. Obviamente que também tem de haver uma aposta da parte da escola ou de onde quer que ocorra o bullying em haver espaços de denúncia que sejam de fácil acesso e com a garantia de confidencialidade.










