O Teletrabalho e os Nómadas Digitais

0
1990

O teletrabalho entrou em força nas nossas vidas com o surgimento da pandemia de Covid-19, mas passados três anos do início da mesma e com o regresso à “normalidade” pós-Covid-19, parece que esta forma de trabalhar veio para ficar.

De acordo com os dados estatísticos divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, 20,6% da população empregada em Portugal esteve em regime de teletrabalho no segundo trimestre deste ano, isto é, mais de um milhão de trabalhadores. Nesta fatia populacional incluem-se o regime de 100% de trabalho remoto e o regime de trabalho remoto híbrido semanal, que conjuga alguns dias da semana em teletrabalho com os restantes em
trabalho presencial no escritório.

Tendo a Covid-19 sido o primeiro motivo para adoção deste novo regime de trabalho, agora outros fatores se levantam, como por exemplo o aumento dos combustíveis, a descentralização, a redução de custos das empresas e a conciliação da vida pessoal e profissional dos trabalhadores.

Esta mudança de paradigma na forma como trabalhamos, gerimos o nosso trabalho e lideramos as nossas equipas, apenas está no início e muito ainda existe por fazer e cabe aos governos e às empresas acompanharem esta evolução e adaptarem-se a esta nova realidade e a tudo o que ela acarreta. Tal como o Diretor Executivo da
Eurofound, Ivailo Kalfin, disse “A mudança para o trabalho remoto continuará nos próximos anos devido a mais mudanças tecnológicas e sociais. Os desenvolvimentos devem ser acompanhados de perto pelos decisores políticos e parceiros sociais, uma vez que o teletrabalho representa uma proporção crescente dos acordos de trabalho na Europa e pode influenciar fortemente questões como a organização do tempo de trabalho, a
igualdade de género e o bem-estar em geral”.

Esta nova era de trabalho, também constitui uma grande oportunidade para o nosso país em termos de captação de investimento estrangeiro, tendo aumentado o interesse dos chamados Nómadas Digitais, que escolhem o nosso país para se instalarem e trabalharem remotamente. De acordo com o relatório Savills Executive Nomad Index, Lisboa está em primeiro lugar do ranking das melhores regiões para um nómada executivo trabalhar, Miami e Dubai encontram-se em segundo e terceiro lugar, e em quarto lugar novamente uma região portuguesa a aparecer, desta feita o Algarve.

O clima, a segurança, custo de vida, hospitalidade e as infraestruturas são os fatores que levam estes profissionais a escolher o nosso país. Mas também, aliado a tudo isso, temos regimes fiscais apelativos, como o caso dos Residentes Não Habituais, cujos rendimentos de trabalho dependente ou independente provenientes de uma profissão de alto valor acrescentado, podem ser tributados a uma taxa fixa de 20% em vez das taxas progressivas deste imposto que vão até 48%. Este regime prevê igualmente a isenção de tributação de alguns
rendimentos obtidos no estrangeiro, o que se torna bastante aliciante. Outro regime fiscal atrativo é o Programa Regressar, que incita os portugueses que vivem no estrangeiro a regressar a Portugal, tendo um benefício fiscal que compreende uma exclusão de tributação de 50% dos rendimentos de trabalho dependente e independente por um período de cinco anos.

Vários países têm igualmente trabalhado em vistos que facilitem a entrada aos nómadas digitais extra UE, tendo sido a Estónia o primeiro desses países a implementar o visto especificamente para os nómadas digitais, que abrange trabalhadores dependentes e freelancers com contratos.

Seguindo as pisadas da Estónia outros países da União Europeia, como Alemanha, Espanha e Portugal também oferecem vistos para profissionais independentes e freelancers. Portugal criou o visto de residência temporário que permite que o seu titular possa ficar no país por um ano, com possibilidade de renovação por períodos
sucessivos de dois anos.

Em termos de teletrabalho, acredito que o mesmo veio para ficar e que cada vez mais será uma realidade nas nossas empresas, para além de abrir uma enorme oportunidade em continuarmos a explorar estas novas formas de trabalhar, de forma a atrair negócio para Portugal, impulsionando o desenvolvimento da nossa economia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here