O que distingue “Os Cachoeirinhos” de outros jardins de infância?
J.C.: O que realmente distingue “Os Cachoeirinhos” é o respeito genuíno pelas crianças. Não fazemos escolarização precoce; cada coisa acontece ao seu tempo, de acordo com o interesse das crianças, porque é assim que a aprendizagem se consolida de forma natural.
C.W.: Valorizamos muito o brincar — é através dele que as crianças aprendem, exploram e se desenvolvem emocional e socialmente. Criamos um ambiente seguro e acolhedor, onde cada criança é reconhecida e celebrada na sua individualidade.
Por que razão se assumem como “uma comunidade educativa”?
C.W.: Assumimo-nos como “uma comunidade educativa” porque acreditamos que a educação é um trabalho conjunto. Não se trata apenas dos educadores e das crianças, mas de todos — pais, famílias e equipa — a contribuir e a participar no crescimento das crianças. O conceito de “ser necessário uma aldeia para criar uma criança” aplica-se genuinamente à nossa forma de trabalhar.
J.C.: Por isso, os pais podem entrar no colégio sempre que quiserem, e na nossa fase de adaptação eles também podem estar presentes.
“Não fazemos escolarização precoce; cada coisa acontece ao seu tempo, de acordo com o interesse das crianças, porque é assim que a aprendizagem se consolida de forma natural”.
Qual a importância de uma educação onde a criança é ouvida, acolhida e o seu desenvolvimento se faz de acordo com o seu próprio ritmo e interesses?
J.C.: Para nós, é fundamental que a criança seja ouvida e acolhida, porque só assim se sente segura e confiante para explorar o mundo à sua volta.
C.W.: Cada criança é única, e o desenvolvimento não acontece da mesma forma para todas. Respeitar o ritmo individual e dar espaço para que explore os seus interesses permite que cresçam emocional, social e cognitivamente de forma saudável.
“Os Cachoeirinhos” está sob a vossa direção desde 2019. Quais as grandes mudanças que efetuaram, com vista à melhoria e desenvolvimento do espaço?
J.C.: Antes, “Os Cachoeirinhos” seguia um modelo mais tradicional, que não estava totalmente alinhado com a sociedade atual. Adotámos, por isso, as OCEPE de 2016, que a maioria dos colégios ainda não segue.
C.W.: Para nos ajudar neste processo, contratámos a Maria Tomaz, consultora em educação, e começámos a implementar mudanças pedagógicas e organizacionais, que abrangeram toda a comunidade – pais, educadoras, pessoal operacional… Outro ponto importante foi a mudança na alimentação. Eliminámos completamente os produtos processados e reduzimos o açúcar — sendo que, na creche, nem existe. Tudo o que é preparado aqui é feito de forma caseira. As papas, por exemplo, são confecionadas pelas nossas cozinheiras. Queríamos que a alimentação refletisse também os nossos valores: naturalidade, cuidado e respeito pelas necessidades das crianças.










