Sustentabilidade: o papel das empresas na mudança indelével pelo meio ambiente

Se a corrida pelo petróleo fez já parte da história mundial, hoje a luta encaminha-se para outra direção, cujo nome poder-se-á definir por sustentabilidade. Palavra que deriva do latim sustentare, que significa apoiar, conservar e cuidar, compondo o glossário mundial, agregador de géneros e idades distintas, bem como das organizações dos mais diversos setores e áreas de atividade.

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Viver motivado pela cruzada verde parece, logo, fazer parte de um propósito global, mesmo que se possa questionar sob de que forma cada um vivencia realmente o conceito e os seus reais impactos. Serão as preocupações e as motivações pela bandeira da sustentabilidade iguais para todos? Estaremos todos igualmente centrados no amanhã e nos seus desafios, bem como a refletir sobre a possibilidade de assistirmos à finitude dos recursos naturais como água, energia, entre tantos outros? Somos hoje mais sustentáveis do que ontem, mas será que esta sustentabilidade é assegurada por todos na tríade pessoal, social e profissional?

Nesse sentido, é com orgulho que afirmo que, num prisma multidisciplinar, as ações da Vicaima detêm sempre um cunho inovador e responsável, há quase 60 anos. Este compromisso visa, assim, propagar a viabilidade económica, social e, claro, sustentável, numa base diária. Daí que, do início até ao fim da nossa cadeia de valor, as nossas soluções possuam um controlo de qualidade, segurança e de I&D devidamente certificados. Destaco o papel pioneiro da Vicaima a nível nacional quando, em 2005, obteve a certificação FSC® (Forest Stewardship Council®), algo que reconhece a minimização de impactos ambientais, económicos e sociais. Desde então, contamos com mais de quatro milhões de produtos com a etiqueta FSC®, que garantem a nossa idoneidade e responsabilidade ambientais.

Debater esta temática é uma urgência. No entanto, nos dias de hoje, torna-se ainda mais relevante praticar e entender o conceito de “sustentabilidade” no seu âmago. Esta não deve ser uma preocupação apenas das empresas. É, aliás, inegável que a sociedade em geral, principalmente as camadas mais jovens, já a entendeu e está mais sensível aos temas ambientais e à responsabilidade que cada um tem de preservar o planeta. Trata-se de uma geração que adota estilos de vida mais saudáveis, que se preocupa com a poluição, faz reciclagem, compostagem, cultiva os próprios produtos hortícolas, desloca-se em transportes públicos, adota a mobilidade elétrica, procura viver em casas mais sustentáveis e integrar, claro está, organizações com propósitos alinhados com as suas crenças, cuja cor é verde.

É neste seguimento que as empresas — de todos os setores, arrisco-me a dizer — se viram obrigadas a adotar essa nova postura. Os produtos e ações sustentáveis na área empresarial ganham destaque e interesse dos consumidores, uma vez que os indivíduos estão cada vez mais conscientes do peso ecológico e social de suas escolhas.

Nesse propósito, a Vicaima implementou, recentemente, o projeto Declaração Ambiental de Produto (DAP), cuja finalidade é o fornecimento das informações quantitativas que um produto comporta ao longo do seu Ciclo de Vida (ACV). Tal projeto tem, assim, uma pegada indelével na certificação ambiental de Edifícios, tais como o LEED ou BREEAM.

Se analisarmos os objetivos da Agenda de Desenvolvimento Sustentável da ONU e olharmos, por exemplo, para a indústria de madeiras e derivados, percebemos que o setor segue no bom caminho. Um dos objetivos vai no sentido de proteger, restaurar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a degradação dos solos e travar a perda de biodiversidade.

Além da utilização de matérias-primas certificadas, como é o caso de madeira certificada FSC®, é prioridade para a Vicaima cumprir, de forma minuciosa, o Regulamento Europeu – EUTR, que minimiza os riscos da comercialização de madeira ilegal. De ressalvar, igualmente, o reconhecimento da Vicaima pelo Portal da Construção Sustentável, a entidade que promove a visibilidade das boas práticas de empresas que respeitem a qualidade construtiva, eficiência energética e reabilitação.

No entanto, para obter a robustez da sustentabilidade de que falo, não basta cumprir leis ou normas impostas. É necessário ir mais além. Para uma empresa que deseja agir de acordo com os parâmetros da sustentabilidade, é fundamental ser socialmente justa. Isso significa valorizar não apenas o seu público-alvo, mas também assegurar o desenvolvimento pessoal dos funcionários, e de todo o ecossistema ligado, direta ou indiretamente, com a organização, promovendo a capacidade de produção, de distribuição e de utilização das riquezas produzidas pelo homem, buscando uma sensata distribuição de renda.

Recentemente, foram divulgados dados de consumo acima da capacidade que o planeta tem de repor os seus recursos naturais. Nos primeiros 210 dias de 2019, consumimos 74% além da capacidade da Terra de se regenerar no período de um ano. Nunca tinha acontecido de forma tão rápida desde que o planeta entrou em défice ecológico, no início dos anos 70. Estará a missão de levantar a haste da sustentabilidade mais frágil do que nunca, muito embora não haja precedentes quanto à mobilização de esforços neste sentido?

Certo é que a sustentabilidade integra a maratona humana, cabendo às empresas querer chegar à meta de forma intacta, impulsionando a continuidade.

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