O que a levou a empreender, considerando a carreira que já possuía na área dos Recursos Humanos?
Após ser mãe e depois de 10 anos a trabalhar em várias organizações de Saúde, desde Apoio ao Cliente à Gestão de Talentos em contexto organizacional, percebi que o meu maior impacto estava a ser limitado por estruturas e burocracias internas. O que me impulsionou foi o desejo de ser a que arranja soluções, e não apenas a gestora de tarefas. Empreender deu-me a liberdade de aplicar uma visão na Gestão de Talentos mais estratégica e humana, focada no coaching, e de alinhar a minha ambição profissional com a minha vida pessoal.
“(…) o humanismo e a empatia
são ferramentas essenciais de
gestão de risco”.
Como se define, enquanto profissional?
Defino-me como uma estratega de talentos. Não estou no negócio para preencher vagas, mas sim para otimizar potencial. A minha identidade profissional é indissociável da minha realidade: sou mãe, empreendedora, freelancer e
fundadora. Esta multiplicidade de papéis reforça a minha crença de que somos capazes de ser tudo o que quisermos, desde que apliquemos as ferramentas certas, pois a Gestão do Tempo e Organização e a Inteligência Emocional são
essenciais. Sou pragmática, orientada para o ROI (Retorno do Investimento em Pessoas) e profundamente orientada para a comunicação.
Quando uma instituição de saúde procura profissionais, ou estes querem mudar de carreira, é fundamental o humanismo e a empatia. Acredita que estas são características fundamentais ao seu trabalho?
Absolutamente. No setor da Saúde, o humanismo e a empatia são ferramentas essenciais de gestão de risco. Recrutar um profissional de saúde é recrutar alguém que irá lidar com a fragilidade humana diariamente. Se o processo de recrutamento falhar na empatia e na transparência das condições reais de trabalho (níveis de stress, apoio psicológico, carga horária), estamos a contribuir diretamente para o burnout e para a rotatividade. O meu trabalho é ser o primeiro ponto de cura neste processo, garantindo que o colaborador e a instituição têm as
expectativas 100% alinhadas. É um contrato social, não apenas um contrato de trabalho.
Quais as características que são fundamentais nos trabalhadores da área da Saúde? O que é que estes procuram mais, em termos de condições de trabalho?
Além da resiliência técnica e do conhecimento, o que mais procuro é a capacidade de comunicação e a inteligência emocional. A Saúde é um trabalho de equipa sob pressão. O que estes profissionais procuram, além de um bom salário, é a sustentabilidade profissional, desde uma carga de trabalho justa, horários geríveis e proteção para a sua saúde mental. Outro aspeto é o desenvolvimento e reconhecimento, terem oportunidades claras de progressão e feedback que vá além da avaliação anual.
Que balanço faz deste projeto? É possível melhorar o setor da Saúde e torná-lo mais atrativo para quem quer trabalhar nele?
O balanço que faço da I Love Talent é extremamente positivo. Demonstro que é possível trazer metodologias de Gestão de Talentos de excelência para um setor tão específico como o da Saúde, obtendo resultados reais. Melhorar
o setor não é apenas possível, é imperativo, pois a atratividade passa por uma mudança de paradigma como a digitalização do trabalho, para libertar os profissionais de tarefas administrativas, ter uma cultura de reconhecimento genuíno e o feedback na rotina.











