“A casa teve um papel preponderante na pandemia”

Com 12 anos de mercado, a Kasàmaneira foi criada em período de crise económica e financeira e, agora, atravessou a pandemia de Covid-19. Todavia, Mara Pires, sócia-gerente da empresa, afirma que o mercado está a crescer, o que proporciona uma evolução a esta agência imobiliária.

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Mara Pires, sócia-gerente

A Kasàmaneira é um projeto que nasceu em 2008, contando por isso com 12 anos de mercado. De lá para cá, que avaliação faz da evolução da empresa e do mercado onde se inserem?

A empresa evoluiu bastante nos últimos anos, apesar dos diferentes períodos económicos que assistimos. A inovação é fundamental e é desta forma que temos conseguido manter um crescimento estável, mesmo em momentos mais difíceis.

Quais as características que usaria para descrever a vossa forma de trabalhar os produtos e os clientes?

É através da nossa sinceridade, da credibilidade e na flexibilidade dos nossos serviços, que poupamos muito tempo e orientamos os nossos clientes aos investimentos que melhor se adaptam às suas necessidades. Comprometendo-nos, assim, com um serviço profissional e transparente, pois só assim se obtêm a satisfação total dos consumidores.

Como descreveria o mercado da região em que estão inseridos, sobretudo no que respeita ao tipo de oferta disponível e à relação entre a oferta e a procura?

Apesar da pandemia do Covid-19 é factual dizer que a zona do Litoral Alentejano se encontra num estado de crescimento de mercado. Este é derivado pela predominância dos setores primário (mercado agrícola e pecuário) e secundário (indústria logística e fábricas) que são os setores cruciais ao essencial funcionamento da nossa sociedade e que, apesar de existirem condicionamentos devido à pandemia, não houve uma gravidade nas limitações do seu funcionamento. A pouca oferta justifica-se com o crescimento da população e com as condições laborais dos nossos habitantes. Estas impulsionam investimentos de indivíduos e organizações que se interessam pela estabilidade da nossa zona. Com o plano de alargamento do porto de Sines e com o possível projeto da fábrica de hidrogénio, estima-se o aumento da taxa de crescimento populacional e a consequente inflação do mercado imobiliário.

Com a chegada da pandemia, a necessidade de trabalhar remotamente afetou todos. Como se posicionou a Kasàmaneira nesta questão?

Consideramos o teletrabalho como uma pequena adaptação, pois esta tendência da flexibilização do local e horário de trabalho já vinha a ocorrer há vários anos e só foi acelerada pela situação atual da pandemia.

Muitas pessoas, com a questão pandémica e a necessidade de confinamento, aperceberam-se da necessidade de jardim/varanda. Sentiram uma procura particularmente elevada por moradias, em detrimento de apartamentos?

Apesar de a nossa zona ser bastante verde, com diversas áreas de lazer e parques, as moradias com jardim, e apartamentos com uma vista agradável, com um jardim, terraço ou varanda são os tipos de imóveis com uma maior procura, e são as que melhor suportarão a crise.

No que respeita à localização, o interior representa verdadeiramente uma alternativa à vida na cidade, sobretudo numa altura em que o sentimento de proteção de todos está mais desperto?

A casa assumiu o papel principal durante a pandemia, por isso mesmo colocou em evidência uma procura mais orientada para espaços maiores, interiores e exteriores, que permitam uma melhor qualidade de vida e convívio familiar e/ou teletrabalhar. Não se trata somente de uma questão de segurança, mas sim de privacidade, espaço e de conforto.

Quais as dificuldades e riscos de tentar transacionar um imóvel sem a ajuda de um profissional?

Existem vários riscos, sem dúvida. Podemos começar por determinar o preço da propriedade. Dificilmente, quem não está todos os dias a trabalhar nesta atividade conseguirá determinar o valor do imóvel acertadamente. Corre o risco de vender o imóvel, por um preço abaixo do mercado e perder dinheiro ou, pior, pedir um preço muito alto e nunca vender. Promover e anunciar um imóvel é também um trabalho bastante técnico. Os agentes imobiliários, possuem ferramentas profissionais específicas para a promoção de imóveis. Através destas ferramentas multiplica-se a visibilidade e as oportunidades de negócio. A negociação de uma proposta é, na grande maioria das vezes, um momento de muita emoção para o vendedor, seja porque aquela sempre foi a morada da família ou ter vivido na casa durante vários anos. Ao estar emocionalmente ligado ao imóvel, e por não ter ninguém a representá-lo na negociação, é bastante fácil que a negociação não corra da forma esperada. A burocracia ligada ao setor também dificulta a venda. O consultor imobiliário tem muita experiência com a burocracia e responsabilidades das partes, sendo que auxilia o proprietário em todas as suas tarefas, até à escritura. Adicionalmente, o departamento jurídico do consultor imobiliário também dá apoio e alerta para situações possíveis de causar constrangimentos de força maior no futuro, para que sejam tratadas atempadamente. Como podem verificar, há muitos pontos críticos e os proprietários não têm uma noção dos riscos que correm, ao realizar todo este processo sozinhos.

Como avalia atualmente a formação existente para os profissionais do imobiliário? Esta é, cada vez mais, fundamental para o bom desempenho profissional de cada um?

A importância da formação é necessária porque o ramo está constantemente em transformação e os consultores imobiliários precisam de estar atualizados, não só a nível jurídico, como tecnológico. Existem atualmente várias maneiras de se obterem excelentes formações no ramo imobiliário, desde o e-learning até ao presencial e é só uma questão de vontade e de se investir pessoalmente.

Quais os desafios que o setor imobiliário atravessa e que, a seu ver, necessitam de ser corrigidos?

Gostaríamos que os jovens e famílias das classes média e média baixa conseguissem encontrar respostas às suas necessidades habitacionais. O principal desafio continua a ser a necessidade de introduzir oferta a preços acessíveis, o que se torna cada vez mais difícil no Litoral Alentejano, tendo em conta também os preços da construção, que impedem que os ativos possam ser comercializados a preços que os jovens e famílias consigam pagar.

Como avalia o comportamento do mercado imobiliário durante este ano e como considera que este se comportará em 2021?

Assistimos agora a um arrefecimento do mercado, motivado pela falta de stock, que impede que se dê uma resposta efetiva à procura existente, tanto no mercado de compra e venda como no arrendamento. Tendo em conta a dificuldade que os jovens e famílias portugueses enfrentam no acesso ao crédito à habitação, começará a haver uma tendência de aumento da procura no mercado de arrendamento urbano, que infelizmente não tem condições para dar resposta, uma vez que também não tem oferta suficiente, e a pouca que há não está ao seu alcance. A principal mudança prender-se-á com os novos incentivos ao arrendamento acessível.

www.kasamaneira.com

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