“Faltam pessoas qualificadas para redefinir a nossa economia”

A Engigeo foi criada em 2018, com o objetivo de suprir a carência de especialistas em projetos geotécnicos. De acordo com o engenheiro Pedro Chitas, diretor da empresa, a escassez de especialistas nesta área da Engenharia poderá impactar significativamente a economia nacional, a médio prazo.

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Pedro Chitas, engenheiro civil e diretor

A Engigeo é uma empresa relativamente recente, constituída em 2018, sobretudo especializada em Engenharia Geotécnica. Durante estes dois anos de existência, que balanço faz deste percurso?

O balanço é claramente positivo. Confirmou-se a carência por nós identificada de especialistas em Projeto Geotécnico no mercado de Engenharia. Tal permitiu-nos prosseguir com o plano estratégico inicial com poucas alterações.

A Engenharia Geotécnica em Portugal é uma área que exige técnicos e especialistas com muito know-how. No entanto, a Engigeo tem também uma estreita ligação às universidades. Em que se traduz esta ligação?

A ligação traduziu-se, num primeiro passo, no estabelecimento de contactos para recrutamento. A escassez de talentos na área da Engenharia Civil é um problema crescente, com impacto económico significativo para Portugal a médio e longo prazo. Mais recentemente, iniciámos algumas colaborações em estudos e pareceres, situações de maior complexidade e que exigem a mobilização de especialistas.

Os métodos e as tecnologias são fundamentais para a realização de um bom trabalho e a sua evolução é constante. Como se mantêm atualizados?

Procedemos à atualização frequente de ferramentas de cálculo relevantes para a nossa atividade. Para além disso, estamos em contacto com as principais entidades que prestam formação na nossa área. Naturalmente, o contacto com as universidades permite acompanhar as tendências mais recentes de investigação e desenvolvimento na nossa área.

2020 foi um ano distinto de todos os outros que já vivemos. Como descreveria o comportamento da Engigeo, ao longo deste período, relativamente à forma como se posicionou no mercado e à forma como a pandemia a atingiu?

O nosso modelo de negócio, baseado no estabelecimento de parcerias, revelou-se resiliente face ao impacto que a pandemia trouxe à Economia. Conseguimos dar resposta às solicitações pedidas.

A Covid-19 impediu muitas atividades de continuarem a funcionar de forma normal. Que alterações/medidas preventivas teve a Engigeo de adotar para fazer face a este vírus?

Desde logo, a pandemia obrigou a desenvolver, na medida do possível, atividade em teletrabalho. A transição acabou por ser fácil, uma vez que já tínhamos toda a infraestrutura informática preparada para trabalho remoto. Nas deslocações a obra e em trabalhos de campo, as medidas passaram pela utilização de Equipamento Individual de Proteção e pelo seguimento das Recomendações da Ordem dos Engenheiros para prevenção do contágio em Estaleiros e Obras.

Quais lhe parece serem as alterações que se produziram, a nível do trabalho e da rotina profissional das empresas, que aconteceram no decorrer deste ano e que se poderão manter em definitivo, para os anos seguintes?

O teletrabalho será cada vez mais uma realidade. Contudo, creio que a integração do teletrabalho com a atividade em escritório será diferente da atual. O cenário que me parece mais provável passa pela flexibilização da presença em alguns dias da semana. Tal já sucede em diversas empresas, sobretudo da área das Tecnologias de Informação, mas deverá generalizar-se em atividades onde o teletrabalho seja viável.

Como considera que Portugal mudará, no que respeita às adaptações que serão levadas a cabo, sobretudo no que respeita às novas modalidades de trabalho e novas áreas de negócio, nos próximos anos?

Infelizmente, a tendência de fraco crescimento e atraso relativo ao resto da Europa deverá manter-se ou agravar-se. Não há reservas de capital nem pessoas qualificadas suficientes para a necessária redefinição da nossa Economia. Também não vemos vontade dos decisores políticos em mudar verdadeiramente o nosso paradigma económico. No setor da Consultoria de Engenharia, a sobrevivência de um exército de “empresas-zombies” continuará a constituir um lastro ao crescimento que nem a pandemia conseguiu destruir.

Que desafios identifica para a Engigeo, especificamente, no futuro?

Os próximos anos serão críticos para a definição da dimensão futura da Engigeo. O principal desafio passa pelo crescimento da atividade no mercado internacional, onde a Engenharia ainda é devidamente valorizada. Para superarmos este desafio, é necessário, em primeiro lugar, consolidar a nossa posição no mercado português.

www.engigeo.pt

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