A CréditoPessoal.pt pediu conselhos sobre crédito à IA. As respostas podem sair caras

Instituições que não existem, expressões inventadas, taxas desatualizadas e recomendações, no mínimo, “criativas”. Estas foram as respostas da inteligência artificial a dúvidas sobre crédito.

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Com a popularidade crescente de chatbots e de assistentes de Inteligência Artificial (IA), os consumidores começam também a usar essas ferramentas para pedir recomendações sobre crédito.

Mas confiar cegamente na IA pode ser mais perigoso do que útil. Esta é a conclusão dos especialistas do CréditoPessoal.pt, que simularam conversas com estes sistemas. Durante os testes, houve respostas imprecisas, desatualizadas e até conselhos prejudiciais.

Ofertas desatualizadas e entidades “fantasma”

Um dos pedidos mais simples, que passava por conhecer uma lista de ofertas de crédito pessoal em Portugal, revelou logo um problema: as informações apresentadas não coincidiam com os dados disponíveis nos websites dos bancos. Em vários casos, foram listadas, aliás, taxas de juro erradas.

Mais grave ainda, surgiram menções a entidades que simplesmente não existem. O ChatGPT, em particular, sugeriu procurar crédito junto da suposta “Instituição do Microcrédito”.

“A Inteligência Artificial responde com muita confiança mesmo quando está errada. E os consumidores podem não validar as informações devido a essa assertividade do feedback. O perigo está aqui”, alerta Tiago Pestana, analista de crédito do CréditoPessoal.pt.

Omissão de propostas

Outro dos riscos está na listagem parcial de opções de crédito. Concretamente, os chatbots limitam-se a mencionar ofertas dos bancos mais conhecidos.

Estas respostas incompletas criam uma falsa sensação de abrangência e ocultam a existência de instituições com condições potencialmente mais vantajosas para os clientes.

Termos inventados e jargão incorreto

O rigor técnico também está longe de ser garantido. Por exemplo, em vez de usar a designação “TAEG – Taxa Anual de Encargos Efetiva Global”, o ChatGPT referiu-se ao “Custo Total Efetivo”. É um termo que não existe na regulamentação portuguesa.

O uso de linguagem errada é um fator que, reforçam os especialistas do CréditoPessoal.pt, pode gerar confusão.

Expectativas irrealistas

Outro padrão preocupante foi identificado na forma como a IA pode minimizar o impacto do crédito no orçamento dos consumidores.

Em várias respostas, foram referidas taxas de juro significativamente inferiores às que estão a ser atualmente praticadas no mercado, o que cria expectativas desajustadas.

“Recebemos a indicação de taxas de juro de 6% para um crédito pessoal para obras de 10.000€ a 36 meses, mas nas nossas simulações junto dos bancos as propostas superavam os 10% e nalguns casos chegavam quase aos 16%. É quase como perguntar sobre o preço de uma casa e receber uma estimativa de 2012”, refere Tiago Pestana.

Recomendações arriscadas

Algumas sugestões oferecidas pelas plataformas de IA ultrapassam aquele que para a equipa do CréditoPessoal.pt é o “limite do razoável”.

Por exemplo, a Inteligência Artificial chegou a incentivar o recurso a empréstimos particulares (referindo até que são menos burocráticos) e à venda de objetos em casa para pagar prestações. Num caso mais extremo, sugeriu mesmo o aumento do limite do plafond num cartão de crédito aquando do pedido de dicas para o pagamento desse produto.

Estas “soluções” são apresentadas como estratégias financeiras legítimas e ignoram os riscos e o impacto no perfil de crédito dos consumidores.

O que deve ser feito?

A Inteligência Artificial pode parecer uma alternativa rápida e moderna à procura das melhores soluções de crédito, mas a informação desadequada tem um preço que pode ser muito alto. Por isso, antes de se recorrer a um chatbot, devem ser adotadas as boas práticas seguintes:

  • Consultar intermediários de crédito autorizados e com experiência no mercado;
  • Utilizar os simuladores oficiais e atualizados dos próprios bancos;
  • Desconfiar de conselhos demasiado genéricos e de “fórmulas mágicas”.