Como se explica que os hábitos de prevenção em saúde oral continuem aquém do desejável e o que falha na mudança de comportamentos?
Considero que Portugal continua sem uma política efetiva de saúde oral, que esta área permanece desvalorizada pelas entidades responsáveis e não existem programas que a promovam como meio essencial para garantir a saúde geral.
Num setor onde a comunicação é insuficiente, reforçamos a divulgação da necessidade de consultar um médico dentista duas vezes por ano e não só quando surgem sintomas, tentando assim mudar os comportamentos.
Que impacto se espera das mudanças propostas no Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral 2030?
Não acredito que vá ter a eficiência desejada, como provam os dados de um número elevado de cheques-dentista nunca utilizados pelos pacientes. Este programa é vago, sem estratégia e alcance junto de quem mais precisa. É precisamente esta lacuna que nos interpela enquanto rede de saúde oral, a democratização do acesso não pode depender só de políticas públicas – exige também um papel ativo do setor privado. Para a Smile.up, democratizar o acesso é uma responsabilidade.
Que riscos existem ao adiar as consultas de check-up e que doenças crónicas podem ser prevenidas?
A saúde oral faz parte de um todo para manter a saúde geral do corpo, e como tal, deveria ser mais valorizada. Existem estudos científicos que comprovam a relação entre uma má saúde oral e patologias sistémicas, cardiovasculares, digestivas, musculares, neurológicas degenerativas, entre outras.
Nas nossas clínicas, integrámos um teste genético bacteriológico que fornece informação sobre microrganismos presentes na cavidade oral, em quantidade e na identificação de cada estirpe. Esta ferramenta permite diagnósticos mais precisos e orienta terapêuticas mais adequadas.
“A saúde oral faz parte de um todo para manter a saúde geral do corpo, e como tal, deveria ser mais valorizada. Existem estudos científicos que comprovam a relação entre uma má saúde oral e patologias sistémicas, cardiovasculares, digestivas, musculares, neurológicas degenerativas, entre outras”
A inovação digital e a Inteligência Artificial estão a transformar a área da saúde. Que papel podem ter na medicina dentária?
A inteligência artificial na medicina dentária é incontornável e, na Smile.up, lideramos essa transformação em Portugal. Estamos na vanguarda da implementação de ferramentas como protocolos clínicos digitais, impressão 3D e análise de imagens radiológicas 2D e 3D, sendo, provavelmente, a única rede de clínicas em Portugal a operar com este nível de integração tecnológica. Esta plataforma apoia em decisões clínicas e permite planos de tratamento mais precisos e personalizados. Acreditamos que a tecnologia, quando bem aplicada, não substitui o médico: potencia-o, otimiza resultados e melhora o bem-estar global dos nossos pacientes.
Como prevê a evolução da saúde oral nos próximos anos?
Sendo otimista, com o apoio das entidades responsáveis, poderemos chegar à maioria da população e democratizar o acesso à saúde oral. A Smile.up continuará a apostar na comunicação, na educação das novas gerações e na prevenção através de consultas regulares. Portugal tem uma medicina dentária de excelência e dotada das melhores competências humanas e tecnológicas.










