“A liderança faz-se com autenticidade e resiliência”

Carla Neto assumiu a liderança da Quinta da Lagoa Velha em 2001. Desde então, entre a preservação do legado familiar e a coragem de reinventar o futuro, construiu um percurso marcado pela autenticidade, resiliência e paixão pelo vinho.

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Em 2001 assumiu a liderança de um projeto familiar. Que desafios encontrou para afirmar a sua visão sem desvirtuar a identidade da Quinta da Lagoa Velha, e como moldaram a sua forma de liderar?
Comecei no mundo dos vinhos pelas mãos do meu pai, um homem à frente do seu tempo, que me transmitiu desde cedo o amor pela vinha e pelo vinho. Em 2001, desafiou-me a assumir a responsabilidade pela vindima desse ano. Foi um momento decisivo, que deu origem ao lançamento dos nossos vinhos engarrafados e à afirmação da marca Quinta da Lagoa Velha. O desafio foi honrar um legado familiar enquanto construía uma visão própria. Aprendi que a identidade de um projeto não se perde quando evolui; perde-se quando deixa de ser fiel ao seu propósito.

A Quinta da Lagoa Velha passou por um rebranding em 2018 e pela renovação da adega em 2020. Em que momento sentiu que era preciso coragem para mudar sem perder a alma do projeto?
Quando percebemos que a qualidade dos nossos vinhos e a ambição do projeto já não estavam totalmente refletidas na imagem da marca nem nas infraestruturas existentes. O rebranding e a renovação da adega foram decisões estratégicas que nos permitiram crescer, sem abdicar da nossa identidade. Mudámos para valorizar a nossa história e preparar o futuro.

O que acredita que uma liderança feminina pode acrescentar de diferente à gestão de uma quinta e à criação de vinhos com identidade?
Acredito que a liderança feminina traz uma visão integradora, onde a exigência convive com a empatia e a capacidade de ouvir. Na gestão de uma quinta, isso traduz-se numa maior proximidade às equipas, aos parceiros e aos consumidores. No vinho, essa sensibilidade ajuda-nos a interpretar melhor o território, as pessoas e as emoções que cada garrafa transporta. Não se trata de liderar melhor ou pior, mas de acrescentar diferentes perspetivas que enriquecem a tomada de decisão.

Qual é a sua prioridade maior: reforçar a notoriedade da marca, consolidar a qualidade, conquistar novos mercados ou preparar a próxima geração para continuar o projeto?
Todas são importantes, mas a qualidade continua a ser a prioridade. É ela que sustenta a notoriedade da marca, abre portas em novos mercados e garante a continuidade do projeto. O nosso objetivo é continuar a afirmar a Quinta da Lagoa Velha como uma referência da Bairrada, preservando o legado que recebemos e preparando o futuro.

Olhando para o seu percurso, qual foi o momento em que percebeu que estava a construir um caso de sucesso? E que mensagem gostaria de deixar às futuras líderes que procuram afirmar-se?
Não houve um momento único. O sucesso constrói-se ao longo do tempo, através de trabalho, persistência e decisões consistentes. Às mulheres que ambicionam liderar, diria para acreditarem nas suas capacidades, investirem no conhecimento e não terem receio de assumir responsabilidades. A liderança faz-se com autenticidade, resiliência e paixão pelo que fazemos.